Uma janela sobre o mundo bíblico

Por que há várias maneiras de interpretar a Bíblia?



  • Pergunta de Rosangela da Penha Corrêa Caetano, Alto Horizonte, GO
  • 1852
  • 09/12/2017
Luiz da Rosa

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Para ilustrar a pergunta, a nossa leitora cita essa frase:

Se tivermos em um grupo de 10 pessoas e lermos o mesmo versículo, cada uma terá uma opinião diferente...

Há dois aspectos dessa observação, um deles positivo e outro negativo.

A Bíblia é algo de vital, que se liga à nossa vida através da fé. Por isso ela fala a cada um, dá respostas diferentes, conforme a caminhada individual. Eu a aplico à minha vida e a leio da minha maneira. Não podemos dizer que se trate de uma leitura errada, mas vital, no sentido que é ligada à vida da pessoa. Nesse sentido, muitas vezes acontece que uma passagem possa ser muito significativa para um e não diga nada para o outro. Essa dinâmica é positiva e revela a natureza do texto bíblico: um texto vivo e sempre atual, que se renova com a nossa leitura.

Outras vezes - e aqui se sublinha um aspecto negativo - acontece que existem leituras contrastantes em relação a certos versículos. Os constrastes acontecem principalmente em relação a temas teológicos, entre confissões religiosas distintas. Por exemplo, um cristão vê Jesus como a realização das promessas feitas pelos profetas no Antigo Testameno, enquanto que para o judeu isso não é verdade. Há também situações em que certas passagens difíceis são lidas sem os instrumentos indispensáveis. De fato, nem tudo na Bíblia é de fácil leitura e, não poucas vezes, é fundamental um pouco de estudo. Por exemplo, se alguém que não tem capacidade começa a interpretar o simbolismo do Apocalipse como lhe compraz, pode incorrer em erros graves de leitura.

A própria Bíblia fala da dificuldade de entender as escrituras. Por exemplo, recordamos de Atos 8, onde um etíope reconhecia a dificuldade de le Isa[ias 53 e advertia a necessidade de uma ajuda. E ainda, a segunda carta de Pedro declara que "nenhuma profecia da Escritura resulta de uma interpretação particular" (2Pedro 1,20) e ela observa, de outro lado, que as cartas do apóstolo Paulo contêm "alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes torcem, como fazem com as demais Escrituras, para sua própria perdição" (2Pedro 3,16).

Em conclusão, a variedade de interpretação pode ser um aspecto positivo ou uma dificuldade. Cabe a cada um avaliar a situação em que se dá a diversidade.

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