Uma janela sobre o mundo bíblico

Sempre aprendi que a passagem sobre o rico e Lázaro não é uma parábola. É assim?



  • Pergunta de Gilson Silva de Sá, Rubinéia
  • 1181
  • 23/05/2018
Luiz da Rosa

Leia mais sobre Lázaro | Parábolas |


Gilson, nosso leitor, elenca os elementos que o levaram a tirar essa conclusão sobre a história contada em Lucas 16,19-31, o mau rico e o pobre Lázaro:

  1. Começa dizendo "HAVIA" no sentido de existir , e em nenhuma outra parábola começa desta forma;
  2. Cita nomes próprios Lázaro e Abraão e uma parábola não aceita nomes próprios;
  3. Esta é a única parábola em que Jesus não explica o seu sentido.

Os elementos que você elenca não bastam para dizer que não se trata de uma "invenção" de Jesus.  Realmente se trata de uma parábola, uma história inventada para transmitir um ensinamento que ultrapassa a narração em si, que transcende os fatos narrados.

Em relação às parábolas, o que mais nos causa problema é o fato que muitas vezes Jesus fala de maneira enigmática, "não abertamente", mas exatamente através de parábolas. Nesse sentido é emblemático Marcos 4,11-12, onde é dito:

A vós foi dado o mistério do Reino de Deus: aos de fora, porém, tudo acontece em parábolas, a fim de que por mais que olhem, não veja; por mais que estuem, não entendam; para que não se convertam e não sejam perdoados.

Jesus anunciava e não anunciava, revelava e escondia. Por que Jesus fazia isso? Por que não era mais explícito, não dizia abertamente e claramente tudo o que sabia?

Parece que para anunciar autenticamente o Evangelho é necessário, de qualquer modo, coprirlo com um véu.

O fato que nem sempre seguia uma explicação da parábola pode nos levar a non considerá-las como um instrumento didático. Parece como que as parábolas nem sempre tem a consequência que esperamos na vida concreta, como por exemplo, poderíamos dizer: "essa história nos ensina que..."

As parábolas de Jesus conservam em si um que de mistério, de enigmático, deixando a quem a escuta a tarefa de comprender-la, levando-o a se questionar e ativar-se para encontrar um sentido. É por isso que escutamos: "quem tem ouvidos para entender, entenda", ou seja: "quem consegue entender, entenda".

Jesus não segue esquemas fixos em suas parábolas, mas é guiada pela emoção interior, querendo comunicar o mistério de Deus àqueles que estão diante de si. Elas brotam do seu coração, do seu amor a Deus e aos homens, movido pela necessidade que tem de revelar de maneira correta quem é o Pai, o segredo da salvação, o poder do seu reino e as consequências para a nossa vida.

O mistério das parábolas é que transmitem uma mensagem que levantam nos levam a interrogar-nos, entrando dentro dos nossos corações, dando-nos instrumentos que nos permitem dar um primeiro passo. O percurso na estrada da fé é um itinerário lento. É por isso que a revelação se esconde. A liberdade humana não consegue dar conta de todo o peso da revelação.

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