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Mês da Bíblia



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A Igreja Católica no Brasil celebra durante o mês de setembro um tempo especialmente dedicado à Bíllia (para os evangélicos, o Dia da Bíblia, no Brasil, é celebrado no segundo domingo de dezembro).

Como sintetiza um texto da Conferência dos Bispos do Brasil, o Mês da Bíblia surgiu há 39 anos [1971] por ocasião do 50º aniversárioda Arquidiocese de Belo Horizonte. Desde então tem destacado aimportância da leitura, do estudo e da contemplação das SagradasEscrituras. Na verdade, o Mês da Bíblia contribuiu muito para odesenvolvimento da Pastoral Bíblica no âmbito paroquial e diocesano

Cada ano é marcado por um tema ou livro ao estudo do qual os círculos bíblicos se dedicam não só durante o mês de setembro, mas durante todo o ano. Em 2010 se estuda o livro de Jonas.

O Mês da Bíblia surgiu em 1971, por ocasião do cinqüentenário da Arquidiocese de Belo Horizonte, Minas Gerais. Foi levado adiante com a colaboração efetiva do Serviço de Animação Bíblica - SAB.

1. Objetivos
- Contribuir para o desenvolvimento das diversas formas de presença da Bíblia nas Pastorais da igreja;
- Criar subsídios bíblicos nas diferentes formas de comunicação;
- Facilitar o diálogo criativo e transformador entre a Palavra, a pessoa e as comunidades

2. Histórico do Mês da Bíblia
1971: A celebração do Mês da Bíblia, na Arquidiocese de Belo Horizonte por sugestão e coordenação das Irmãs Paulinas, Pe. Antonio Gonçalves e outros.
1976: As Irmãs Paulinas visitaram 30 dioceses de Minas Gerais e Espírito Santo propondo o Mês da Bíblia como opção de evangelização, em continuidade à Campanha da Fraternidade.
1978: O Mês da Bíblia se estendeu, oficialmente, ao Regional Leste 2 da CNBB, Minas Gerais e Espírito Santo, e a muitas outras dioceses do Brasil.
1985: O Mês da Bíblia passou a ser animado pelo Serviço de Animação Bíblica - SAB e se estendeu a todo o Brasil. Com a participação na Federação Bíblica Católica, o Mês da Bíblia, se estendeu a outros países da América Latina.
1997: Com o projeto Rumo ao Novo Milênio (RNM), o tema do mês da Bíblia estendeu-se ao ano todo.
2001 - 2003: Prosseguiu com o Projeto Ser Igreja no Novo Milênio.
2004 - 2007: Prosseguiu com o Projeto Queremos ver Jesus.
2008 - 2010: Prosseguiu com Projeto Brasil na Missão Continental “A alegria de ser discípulo missionário”

3. Temas do Mês da Bíblia de 1971 a 2010
01) 1971 Bíblia, Jesus Cristo está aqui
02) 1972 Deus acredita em você
03) 1973 Deus continua acreditando em você
04) 1974 Bíblia, muito mais nova do que você pensa
05) 1975 Bíblia, palavra nossa de cada dia
06) 1976 Bíblia. Deus caminhando com a gente
07) 1977 Com a Bíblia em nosso lar, nossa vida vai mudar
08) 1978 Como encontrar justiça e paz? O livro de Amós
09) 1979 Bíblia, o livro da criação - Gn 1-11
10) 1980 Buscamos uma nova terra - História de José do Egito
11) 1981 Que todos tenham vida! - Carta aberta de Tiago
12) 1982 Que sabedoria é esta? - As Parábolas
13) 1983 Esperança de um povo que luta - O apocalipse de São João
14) 1984 O caminho pela Palavra - Os atos dos Apóstolos
15) 1985 Rute, uma história da Bíblia - Pão, família e terra, o Livro de Rute
16) 1986 Bíblia, livro da Aliança - Êxodo 19-24
17) 1987 Homem de Deus, homem do povo - profeta Elias
18) 1988 Salmos, a oração do povo que luta - O livro dos Salmos
19) 1989 Jesus: palavra e pão - Evangelho de João, cap 6
20) 1990 Mulheres celebrando a libertação
21) 1991 Paulo, trabalhador e evangelizador - Vida e viagens de Paulo
22) 1992 Jeremias, profeta desde jovem - Livro de Jeremias
23) 1993 A força do povo peregrino sem lar, sem terra - 1ª Carta de Pedro
24) 1994 Cântico: uma poesia de amor
25) 1995 Com Jesus na contramão - o Evangelho de Marcos
26) 1996 Jó, o povo sofredor - Livro de Jó
27) 1997 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Marcos
28) 1998 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Lucas
29) 1999 Curso Bíblico Popular - Evangelho de Mateus
30) 2000 Curso Bíblico Evangelho segundo João: luz para as Comunidades
31) 2001 Curso Bíblico Atos dos Apóstolos, capítulos de 1 a 15
32) 2002 Curso Bíblico Atos dos Apóstolos, capítulos 16 a 28
33) 2003 Curso Bíblico Popular - Cartas de Pedro
34) 2004 Curso Bíblico Popular - Oséias e Mateus
35) 2005 Curso Bíblico Popular - Uma releitura do II e III Isaías, a partir de Jesus
36) 2006 Come teu pão com alegria - Eclesiastes
37) 2007 Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom - Gênesis
38) 2008 A Caridade sustenta a Comunidade - Primeira Carta aos Coríntios
39) 2009 A alegria de servir no amor e na gratuidade - Carta aos Filipenses
40) 2010 – Levanta-te e vai à grande cidade - Introdução ao estudo do profeta Jonas

Deus seja louvado através do MÊS DA BÍBLIA que se empenha em tornar conhecida, amada e vivida a sua Palavra.



4. Tema de 2010

“Levanta-te e vai à grande cidade: introdução ao estudo do profeta Jonas” é o título do subsídio preparado pelo grupo Shemá, do Serviço deAnimação Bíblica, para o mês da Bíblia de 2010. Ele apresenta um estudo ecírculos bíblicos, sobre o livro do Profeta Jonas. Este profeta foiescolhido tendo presente, a necessidade de anunciar a Palavra nasgrandes cidades e perceber o lado positivo da realidade urbana.

O Livro de Jonas está inserido entre os livrosproféticos, porque fala de um profeta que deve proferir um oráculo deDeus. Mas é muito diferente dos demais livros propriamente proféticos,não pelo seu conteúdo, mas pela sua forma narrativa que o aproxima maisde um conto ou lenda popular, por causa de seus elementos fabulosos emíticos e, mais ainda pelo seu conteúdo sapiencial.

Podemos dizer que seu autor misturou bem oselementos do profetismo bíblico, da imaginação popular e da literaturasapiencial. O resultado dessa mistura é um escrito bem leve, que tratade coisas sérias com um toque de humor e poesia, e trata sobre a recusade um profeta a fazer o anúncio da mensagem de Deus, na cidade de Nínive(capital da Assíria).

Quem é o autor principal em cena?

Jonas é apresentado como se fosse o profeta quefez um oráculo de restauração de Israel, no tempo de Jeroboão II (783‑743 a.E.C.): “Jonas, filho de Amitai, que era de Gat‑Hofer” (Jn 1,1; 2Rs14,25). Mas isso é uma ficção. O autor do livro está apenas servindo‑sede um profeta desconhecido, do passado, para protagonizar suanarrativa, que não condiz com a época de Jeroboão II. O Jonas destelivro não é um herói, não faz nenhuma façanha, não é um santo; aocontrário, ele desobedece a Deus, contesta suas ações e, nem de longe, éo principal ator na cena. Deus é realmente o personagem central dahistória: Ele envia Jonas a Nínive (1,1); segue Jonas a caminho deTarsis, provoca a tempestade (1,4), solicita um peixe para salvá-lo(2,1), reenvia Jonas a Nínive (3,1), salva Nínive penitente (3,10) equestiona Jonas (4,1ss.).

O que o autor pretende com esse escrito? {peso2}

Infelizmente, quando falamos de Jonas, aprimeira imagem que nos vem à mente é o profeta no ventre de uma“baleia” (na verdade, fala‑se não de “baleia” mas sim de um “grandepeixe”: 2,1‑11). Esse elemento — o mais fabuloso da narrativa — foienfocado também por Jesus, comparando‑o à sua morte e ressurreição apóstrês dias (cf. 8,31). Mas esse episódio não ocupa mais do que doisversículos do texto. Não é o centro da narrativa. O peixe é somente uminstrumento na mão divina. Mas, Deus é o centro. Ele não é apenas o Deusde Israel, que o escolheu e o amou; Ele é o Deus de todos os povos, aosquais ama e por quem tem misericórdia. Por que, então, Jonas tentavafugir de Deus, até o ponto de pedir para ser atirado ao mar?

Por que Jonas tenta fugir de Deus?

Porque o anúncio é dirigido a um povoestrangeiro, habitante de Nínive, e não ao povo de Israel. Ora, essacidade foi, por séculos, a capital do Império Assírio, que chegou adominar e dissolver totalmente o antigo Reino de Israel, ao norte.Trata‑se, portanto, de uma mensagem dirigida a um dos grandes inimigosde Israel! É fácil pensar que Jonas ficaria muito feliz em anunciar aessa gente, que sua cidade seria destruída dentro de quarenta dias. MasJonas se nega a anunciar esse acontecimento! Por quê?

A resposta está em Jn 4,1‑3. Jonas sabe que Deusterá misericórdia e compaixão, por isso se recusa a anunciar amensagem. Jonas não consegue escapar de Deus, pois a revelação damisericórdia que Deus está para anunciar ao povo de Nínive, por meio doprofeta, é irrenunciável. Deus insiste com Jonas e não abre mão de suacolaboração, como profeta.

Esta narrativa ilustra a concepção universal dateologia sapiencial. Ela esclarece que a misericórdia de Deus é dirigidaa todos os povos. É um livro que critica qualquer intolerância earrogância de alguns grupos em Israel, e que pode continuar até hoje nanossa realidade, em nossa comunidade, em nossos comportamentos. Mas,como entender o conteúdo do Livro?

O Livro de Jonas tem profundas raízes bíblicas,tanto nos profetas quanto na literatura sapiencial. Não devemos nosfixar nos elementos fabulosos da narrativa. O mar e as atividadeshumanas ligadas a ele, como a pesca e as viagens, desde a antiguidadeaté hoje, são frequentemente associados a certas superstições.

A época da composição do Livro é o século IVa.E.C. Nessa época, Nínive já não mais existia, pois fora destruída em612 a.E.C. O Livro faz referência a ela como uma realidade distante, nopassado (Jn 3,3). Trata‑se, pois, de uma ficção literária. É um escritopós‑exílico e representa uma corrente mais aberta, tolerante euniversalista do judaísmo que se formou nesse período. Pode ser umareação à política nacionalista de Esdras e Neemias, que tratavam osestrangeiros como pessoas tão indignas de confiança, que os israelitascasados com mulheres estrangeiras, deviam divorciar‑se e os estrangeirosdeviam ser expulsos do Templo (cf. Esd 9 e Ne 13).

O Livro pode ser dividido em duas partes: oprimeiro chamado de Deus a Jonas (1,1–2,11) e o segundo chamado de Deus aJonas (3,1–4,11).

Cada uma dessas partes tem três subdivisões paralelas:

Primeira parte Segunda parte
1,1-3Deus envia Jonas em missão aos pagãos 3,1-4
1,4-16Deus e os pagãos 3,5-10
2,1-11Deus e Jonas4,1-11

Nosso estudo, neste fascículo, abordará os seguintes temas:

1) O chamado e a fuga de Jonas: O profeta resistente;

2) Três dias de retiro com Jonas: Na fuga, Jonas encontra a salvação;

3) Levanta‑te e vai à grande cidade: “Vai e anuncia a mensagem que eu te disser”;

4) Deus rico em misericórdia: A salvação é para todos.

Uma celebração final nos convida a entrarmostambém em clima de missão nas grandes cidades, aliás, em nosso imensocontinente americano e no Caribe, como nos pediram os bispos reunidos naassembleia do CELAM, em Aparecida, em maio de 2007: a grande “missãocontinental”. Jonas nos ajuda, então, a retomar e rever a nossa missão,seus objetivos, seus métodos, seus conteúdos e os próprios conceitos quetemos de Deus.

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