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“Deus não criou o universo” – Polemica do astrofísico Stephen Hawking



Luiz da Rosa

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Há alguns dias o cientista Stephen Hawking disse que “Deus não criou o universo”, gerando um grande debate sobre a criação. O autor da frase é um matemático e astrofísico britânico, que ocupou, até o ano passado, a mesma cátedra de Isaac Newton na Universidade de Cambridge. Entre os seus estudos destacam-se aqueles relativos aos buracos negros.
A polêmica nasce nas vésperas do lançamento do seu novo livro “The Grand Design” escrito em parceria com o físico norte-americano Leonard Mlodinow, que foi lançado no último dia 9.

Segundo Hawking, o Big Bang foi uma consequência inevitável" das leis da Física. "Dado que existe uma lei como a da gravidade, o Universo pôde criar-se e se cria a partir do nada", afirmou. "A criação espontânea é a razão por que há algo em lugar do nada, de por que existe o Universo e por que existimos." "Não é necessário invocar a Deus para acender o pavio e colocar o Universo em marcha", acrescenta. Esta posição representa uma evolução em relação ao que o cientista britânico havia escrito anteriormente sobre o tema. Em sua obra "Uma Breve História do Tempo" (1998), um dos grandes best-sellers da literatura científica, Hawking sugeria que não existia incompatibilidade entre a noção de Deus como criador e uma compreensão científica do Universo.

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Abaixo reproduzimos uma entrevista, feita pela Agencia ZENIT, com o filósofo Rafael Pascual, diretor de um curso de “Ciência e Fé” no Atneu Pontifício Regina Apostolorum de Roma, que abora os temas desta controvérsia.

ZENIT: Quais foram suas primeiras impressões com relação a esta obra de Hawking, que vazou na imprensa antes do seu lançamento?
Pe. Rafael Pascual: Sinceramente, parece um recurso publicitário antes do lançamento de um novo produto. Acho que há muita retórica. Se continuássemos no mesmo tom, poderíamos responder como um famoso político, em outro contexto: "E quem é Stephen Hawking?".
Mas penso que, muito além da retórica, é preciso aceitar a nova provocação de Hawking e inclusive agradecer-lhe por isso, pois, como disse Aristóteles, temos de ser agradecidos não somente com os que dizem a verdade, mas também com os que erram, pois nos estimulam a buscar com mais esforço a verdade. Obviamente, é preciso esperar a leitura do livro para saber o que ele realmente diz e quais são seus argumentos.

É possível que a Astronomia, a Física e as demais ciências empíricas cheguem um dia a desvelar o que até hoje é considerado como o "segredo" dos inícios?
Pe. Rafael Pascual: Acho que seria preciso começar dizendo que uma coisa é falar do começo do universo, no sentido científico, e outra coisa é a origem do universo, que vai muito além do que a ciência pode dizer. No fundo, é a famosa questão que o próprio Hawking recordava no livro que o tornou famoso: por que existe algo e não simplesmente o nada? Ou, dito de maneira mais poética, por que o mundo insiste em existir? Não acho que a ciência seja capaz de dar uma resposta a esta pergunta.

Se a ciência consegue explicar como tudo começou, já não teria sentido falar de Deus?
Pe. Rafael Pascual: Acho que não, pelo mesmo motivo que acabei de comentar. Talvez não seja totalmente correto o que se costuma dizer sobre a ciência - que ela explica o como, enquanto a Filosofia e a religião explicam o porquê. A ciência também busca os porquês dos fenômenos, mas o faz em seu próprio âmbito, que é o estritamente físico.
Mas não é competente, por sua própria índole, no que vai além de tal campo e do que ultrapassa o horizonte do experimental - o que não quer dizer que não exista nada além disso. Deus não entra propriamente no horizonte das ciências, e por isso as ciências simplesmente não podem se pronunciar ao respeito.

Então, onde fica Deus?
Pe. Rafael Pascual: Deus fica onde sempre esteve. No fundo, penso que Hawking cai no mesmo erro que Newton, ou melhor, leva a posição de Newton à sua consequência lógica. O problema é que começa de um falso ponto de partida. De fato - já dizia Laplace - a ciência não tem necessidade da hipótese de Deus, contra a introdução de Deus por parte de Newton na explicação da mecânica do universo; mas isso não quer dizer que Deus não exista, e sim que se encontra em outra ordem, em outro nível, muito além do científico, ao qual somente a Filosofia e a Teologia têm acesso.

Portanto, o que podemos pensar daqueles que acreditam que a ciência pode chegar a excluir um lugar para Deus na compreensão do mundo?
Pe. Rafael Pascual: Eu diria que deveria ser pedido que respeitem o âmbito da própria competência. É como se um teólogo que não fosse especialista na matéria começasse a pontificar sobre Física Quântica e dissesse que o dualismo onda-partícula demonstra que Deus existe, ou coisas do estilo.

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