Uma janela sobre o mundo bíblico

Como Jesus e o NT encaram a prostituição? Já ouvi teólogos dizerem que ela nem sempre é imoral.



  • Pergunta de Rui Carlos, Braga
  • 995
  • 30/01/2019
Luiz da Rosa

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Lendo a sua pergunta, vem à minha mente imediatamente a frase que Jesus diz em Mateus 21, na parábola dos dois filhos:

Pois eu garanto a vocês: os cobradores de impostos e as prostitutas vão entrar antes de vocês no Reino do Céu.

Isso revela o pensamento de Jesus, isto é: sublinha que para Jesus, a priori, a prostituta não está condenada, mas pode muito bem merecer o Reino.

Um exemplo emblemático é aquele da pecadora perdoada e que ama, em Lucas 7,36-50. Essa mulher entra onde Jesus fora convidado para a janta, chora e lava os pés de Cristo, enxugando-os com seu cabelo. Conforme o pensamento tradicional judeu, a mulher impura, tocando o corpo de Jesus, transmeteria a ele a sua impureza. Mas o Evangelho mostra que essa mulher, erroneamente identificada com a Madalena, transforma em manifestação de amor para com Cristo aquilo que sempre fazia como algo pelo qual era pagada. Ela, movida pelo amor a Cristo, age sem medo: “no amor não existe temor” (1João 4,18)!

Essa mulher chora porque se dá conta da culpa pelos pecados cometidos ou também por causa da alegria, pois encontrou uma pessoa que pode amar e que pode amá-la.

As atitudes que ela tem para com Cristo são gestos muito femininos, quase íntimos. Lavar os pés, para aquele tempo, tem um peso quase erótico e certamente era intolerável para alguns religiosos. Mas Jesus vê primeiro de tudo o sofrimento daquela mulher e não o pecado.

É uma mulher sem nome e ela pode personificar todas aquelas mulheres que vivem na prostituição. No tempo de Cristo, não era uma profissão escolhida, como também hoje não o é. As mulheres de então que faziam isso eram destinadas essa “profissão” porque abandonadas ou compradas como escravas. Era uma vítima do abandono ou do domínio dos homens. Jesus, ao invés, a acolhe. E no final lhe diz: “tua fé te salvou; vai em paz”.

 

A prostituição é sempre uma situação condenável e expressão do pecado. É uma relação onde predomina o domínio, a exploração e o egoísmo; o amor é completamente ausente e por isso nunca pode ser louvada e justificada.

Jesus redime a prostituta e lhe dá dignidade, amando-a e deixando-se amar.

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