Uma janela sobre o mundo bíblico

O que dizer de uma oração que questiona?



  • Pergunta de Fabio Bastos, São Paulo
  • 1015
  • 03/02/2019
Luiz da Rosa

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Segue abaixo um depoimento bastante tocante:

Desde pequeno sempre tive fé, sabia todas as músicas da missa... Me afastei por um tempo da igreja e da fé, pois outros fatores surgiram em minha vida, até 2005 quando me reencontrei com o Senhor. Acredito que o momento barra pesada que eu e minha família estávamos passando contribuiu para esse reencontro.
requentei um grupo de oração cristão e me tornei muito fiel, estudioso e seguidor da Palavra. Isso durou alguns anos e logo que a barra pesada passou eu aos poucos fui me afastando.
Nesse tempo cheguei a me declarar ateu, me aproximei muito da racionalidade de pensamento.
Obviamente graças a essa montanha russa da vida, hoje já faz 2 anos que voltei a trabalhar o espiritual, ler a palavra, estudar o contexto bíblico e me reaproximei de Cristo e de Deus Pai.
O que acontece é que muitas vezes durante a oração me vem à cabeça alguns pensamentos racionalistas e logo algumas dúvidas aparecem em minha mente, atrapalhando a oração, atrapalhando meu contato com o Divino. Amo o Senhor e nunca fui tão feliz e abençoado nos tempos em que estive perto dEle.
O que você falaria para mim quando surgirem essas dúvidas, esses pensamentos do passado que me enfraquecem em Cristo?
Esses pensamentos questionadores apesar de surgirem não afetam meu amor ao próximo, a compaixão e a bondade.

Gostei muito da sua espontaneidade e acho que é fruto de uma busca religiosa sincera e íntegra. Os seus altos e baixos é coisa normal da vida do ser humano, que está em constante busca, com idas e voltas, mas que vê sempre um farol que, mesmo estando longe, chama. Viver sem dar atenção a esta luz é o erro comum que cometemos. Mas a sua preocupação não parece refletir que você incorra nesse erro.

Acredito que a questão central da sua reflexão seja o que é oração. Há muitos modos de rezar e cada um precisa encontrar o seu. Há pessoas que se reconhecem em rituais seculares, outras que procuram celebrações animadas e existem também aqueles que são originais, além dos que preferem o silêncio e a meditação. É comum também a oração que mistura várias dessas metodologias. O importante é que a oração seja expressão de intimidade com Deus, uma necessidade que sentimos dentro e que não seja simplesmente algo mecânico e mágico. Deus deve ser um amigo, com quem conversamos, que nos indica a estrada a seguir.

Quando existe relação de confiança, não existe nada de anormal colocar “em cima da mesa” as próprias dúvidas, as próprias questões; na oração, ser racional não é um problema. O erro consiste exatamente no contrário. Não fazer nada para que a relação com Deus seja algo pessoal, que compreenda a própria história, o próprio percurso vital.

Outro aspeto que vai além da oração e que tem a ver com a teologia é a necessidade de que a busca do divino seja uma busca também feita com o intelecto. A fé não pode ser uma aceitação cega da verdade revelada que não tem nada a ver com a razão. Os Padres da Igreja, especialmente Agostinho e Anselmo, sublinharam que a fé e razão são funções complementares do conhecimento humano. Isto é, não podemos acreditar em coisas que são completamente alheias à nossa compreensão. Isto é melhor entendido com uma frase dita por Santo Agostinho: "Acredita para que possas compreender". A fé se traduz em compreensão porque a fé é uma fonte de conhecimento, e a compreensão é o fruto de saber.

Caro amigo, portanto não tenha medo de usar a razão enquanto reza e nem temor de colocar diante de Deus suas interrogações. Essa é a única estrada para se tornar forte e crescer na fé.

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