Uma janela sobre o mundo bíblico

Sabemos que os cristãos protestamos sobre os católicos e que também têm aqueles que protestam contra nós, cristãos. No final quem desses acredita nas Escrituras?



  • Pergunta de Reinaldo ribeiro chaves, Itamaraju
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  • 25/05/2019
Luiz da Rosa

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É uma pergunta um pouco confusa. Se entendi bem, você é uma pessoa de confissão protestante e, obviamente, se considera "cristão". Coloca em outras duas categorias os católicos e "outros que protestam" contra os protestantes. Entendi bem?

Primeiro de tudo, digamos que todos esses três grupos são cristãos, isto é, acreditam em Jesus Cristo. Jesus nos é revelado pelas escrituras e, portanto, todos se baseiam e, diria, acreditam nas escrituras.

Nós pensamos, muitas vezes, que as Escrituras nos transmitem uma palavra determinada, que não precisa ser interpretada. Mas, na verdade, o cristão interpreta a Palavra de Deus, aplicando-a à própria realidade. É esse processo que distingue cada grupo - e mesmo dentro dos grupos, às vezes, existem dissensos. Há aqueles que interpretam a Bíblia de uma maneira e aqueles que de outra, mas todos acreditam na Bíblia. A diferença de interpretação não exclui o "direito" de ter a Bíblia como "sua". A Bíbla não é só de uma confissão ou de outra, mas de todos os cristãos (e dos judeus, no que concerne o Antigo Testamento).

 

Católicos, protestantes e evangélicos

Poderíamos dizer que essa ordem do título corresponde a uma certa lógica histórica. Até Martin Lutero, os cristãos viviam, ao menos no ocidente, uma aparente unidade. Lutero, o protagonista da Reforma (Século XVI), pediu uma mudança à Igreja, exigiu uma conversão e o abondono de certas práticas que não tinham nada a ver com o Evangelho. Era uma tentativa de reformas a igreja a partir de dentro, pois ele mesmo era um sacerdote. Infelizmente o resultado foi uma separação, nascendo então a Igreja Protestante.

O termo "protestante" tem origem em um documento, que em latim se chamava "Protestatio", apresentados em 1529 pelos luteranos, pelos seguidores de Lutero (Protesto de Espira). Cidades da Alemanha "protestam" contra a decisão do então imperador Carlos V que reprimir quem contestava o papado, anulando a tolerância religiosa. Por isso, chamar o grupo de cristãos de "protestantes" é identificá-los com um percurso histórico e determinar a sua identidade.

É claro que não é o momento de explicar quem são os protestantes, mas em termos genéricos poderíamos destacar os 5 princípios que historicamente os destinguem: Sola Escriptura (apenas os princípios encontrados na Bíblia são válidos); Sola Gratia (a salvação vem apenas pela Graça de Deus); Sola Fide (os pecados são perdoados apenas pela fé e não pelas ações); Solus Christus (a salvação é encontrada apenas em Cristo; Soli Deo Gloria (glória apenas a Deus).

Os "evangélicos" nasceram em seguida, depois da Reforma, como ulteriores divisões dentro da Igreja. Eles vêm das igrejas protestantes e procuram colocar a ênfase no Evangelho, o que revela a razão do nome que lhes é dato. "Evangélicos" é um nome genérico que hoje identifica muitas igrejas presentes na sociedade, sem uma organização clara. Basicamente poderíamos dizer que defendem a Bíblia como aquela que contém a verdade absoluta e que a salvação só chega através da crença em Jesus Cristo. Além disso, se caracterizam pela convicção da necessidade de difundir a Palavra de Deus, razão pela qual é comum vê-los tocando a campainha de nossas casas.

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