Uma janela sobre o mundo bíblico

A Origem do Mundo



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  • 23/04/2007
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Desde as narrativas das origens, até a narrativa da Torre de Babel em Gênesis de 1 a 11, teremos contato com várias personagens bíblicas chegando aos descendentes de Sem, o antecessor de Abraão. Acompanhando os textos que serão apresentados no decorrer deste ano, você poderá obter boa compreensão desses relatos bíblicos. O importante é perseverar na leitura.

No livro das “origens”, isto é, no livro do Gênesis, dando início ao relato da História da Salvação, encontramos nos capítulos de 1 a 11 um bloco unitário, que constitui como a porta de entrada do livro de Gênesis e a todo o Primeiro Testamento. Nessa unidade, o redator situa a história dos patriarcas e a história de Israel numa ampla visão da história das nações e do mundo. Ele identifica o Deus de Israel com o Deus criador do mundo, da natureza e da humanidade. Os elementos apresentados no texto em questão, foram recolhidos por Israel no decorrer de sua história, em contato com o mundo conhecido – Egito, Mesopotâmia, Canaã – e aplicados a seu tempo, nos vários momentos de sua história, segundo sua visão de mundo e de fé.

O texto de Gn 1-11 oferece, não só para Israel, mas para toda a humanidade, respostas às grandes e vitais perguntas: Quem é o criador do ser humano e das coisas? Todos os seres são bons? Qual é a origem e o sentido da maldade, da doença e da morte? Qual é o destino que Deus deseja para a humanidade? Essas e outras perguntas constituem o fio condutor das nossas reflexões sobre o texto de Gênesis, proposto para nosso estudo do Mês da Bíblia de 2007, pela CNBB.

Vejamos como se desenvolve a história da criação do mundo, narrada em Gn 1,1-31; 2,1-4a. Esse trecho é um hino magnífico de louvor ao Criador do universo, lembrando a estrutura cronológica da semana judaica. Contém uma introdução (Gn 1,1-2), e uma conclusão (Gn 2,1-4a) que abarcam duas séries de ações em três dias: espaços e cenas de separação de elementos (Gn 1,3-13) e a obra de ornamentação com o aparecimento dos seres criados (Gn 1,14-31). O redator da obra da criação “desmitiza” o texto, sublinhando o domínio absoluto de Deus e de sua palavra criadora, a bondade da obra criada e a dignidade do ser humano.

A introdução (Gn 1,1-2) leva o título e o resumo de toda a obra. Apresenta o estado caótico antes da criação, ressaltando e contrastando assim, o poder de Deus, a beleza e a harmonia de sua obra. Intercalam-se aqui, a separação de tempo (dia e noite) e a separação de espaço (o céu da terra e a água da terra seca). Deus cria os vegetais (Gn 1,11-12). A vegetação, portanto, será fruto da mãe terra nesta obra de Deus e assim se “desmitiza” a natureza, separando-a da influência arbitrária dos deuses da vegetação e da fecundidade. Somente Deus tem poder sobre todas as coisas por ele criadas. Este foi o terceiro dia da criação e Deus viu que tudo o que ele fez era bom.

Uma nova série de ações de Deus encontra-se em Gn 1,14-31, abrangendo três dias nos quais ele continua criando elementos novos que irão ocupar os espaços criados: os astros que se espalham pelo céu; os peixes que ocupam as águas; as aves que voam pelos espaços dos altos céus; os animais que se movimentam na terra. Sua obra mestra, Deus reservou para o sexto dia de sua atividade criadora, sendo ela a criação do ser humano. Essa é uma ação exclusivamente divina com um resultado perfeito, marcando de modo absoluto o relato da criação do homem e da mulher. Deus, que criou o ser humano à sua imagem e semelhança, deu-lhe a responsabilidade de cuidar da sua criação. E deu-lhes também uma ordem: cresçam e se multipliquem, dominem a terra e o que nela existe... Esse foi o sexto dia da criação. E Deus viu que tudo era bom.

No capítulo 2,1-4a, o redator faz a recapitulação da obra criadora de Deus e diz que no sétimo dia ele descansou, abençoou esse dia e o consagrou. Deus contemplou sua criação, viu que tudo era bom e gostou de sua obra criadora. Esse magnífico relato da criação está descrito em paralelo com o evangelho de João que, abordando temas diferentes apresenta Jesus e sua missão, sendo que os milagres que ele realiza são sinais; os discursos não são os de Jesus, mas sobre Jesus; as discussões não são sobre os problemas do tempo de Jesus, mas sobre a pessoa de Jesus como Messias e enviado do Pai.

O livro dos sinais de João tem início no capítulo 2,1 abrangendo até o capítulo 12,1-50 de seu evangelho. Os 7 sinais estão assim classificados:

1. A grande novidade (Jo cap. 2, vers. 1 até cap. 4,1-42).
2. Jesus, palavra que dá vida (Jo cap. 4, vers. 43 até cap. 5,1- 47).
3. Jesus, pão de vida (Jo cap. 6, vers. 1 até 71).
4. Jesus, luz e vida (Jo cap. 7, vers. 1 até cap. 8-59).
5. Jesus, luz que julga o mundo (Jo cap. 9,1 até cap. 10,1-42).
6. Vitória da vida sobre a morte (Jo cap. 11,1-57).
7. A morte, caminho para a vida (Jo 12,1-50).

Esses sinais apontados por João em seu evangelho, são ilustrados por discursos e diálogos de Jesus com diversas pessoas, e explicam o sentido dos sinais, os quais nos revelam o mistério de Jesus. João, com sua mente iluminada, descobre em Jesus sua filiação divina, sabedoria e poder, e interpreta os feitos de Jesus afirmando que ele é Deus e que, vindo ao mundo por vontade de Deus Pai, resgatou para ele, a humanidade que estava envolta na escuridão e afastada de seu criador.

A narração da criação do mundo por vontade própria de Deus, e os capítulos de 1 a 12 do evangelho de João, dão-nos uma abertura imensa na compreensão da Sagrada Escritura quanto ao início de todas as coisas e sobre o trajeto da humanidade. Nossa mente se abre à compreensão do amor de Deus, que desejando partilhar suas alegrias, sabedoria e projetos, criou o mundo e colocou nele um ser criado a sua imagem e semelhança, depositando nele suas esperanças e felicidade e ordenando que povoasse toda a terra e a dominasse. Nós temos a felicidade de partilhar dos dons da natureza que nos foram dados gratuitamente. Nossa gratidão a Deus não deve ter limites. Dele viemos e dele somos.

Responda: - Ler em paralelo os textos indicados abaixo:

Introdução: Gn 1,1-2 com Jo 1,1-18

1º Dia: Gn 1,3-5 com Jo 2,1-4,42
2º Dia: Gn 1,6-8 com Jo 4,1-5,47
3º Dia: Gn 1,9-13 com Jo 6,1-71
4º Dia: Gn 1,14-19 com Jo 7,1-8,59
5º Dia: Gn 1,20-23 com Jo 9,1-10,42
6º Dia: Gn 1,24-31 com Jo 11,1-57
7º Dia: Gn 2,1-4a com Jo 12,1-50

- Qual a relação que você descobriu, entre os textos de Gênesis com os textos do Evangelho de João?


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