Uma janela sobre o mundo bíblico

Mobilização Bíblica, nosso futuro



  • Estudo
  • 1885
  • 06/09/2007
Orlando Brandes

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A V Conferência realizada em Aparecida nos impele a ser discípulos e missionários para que em Jesus, nossos povos tenham vida. O discípulo é aquele que escuta, compreende, vive e anuncia a Palavra de Deus. Todavia, o primeiro passo a ser dado pastoralmente falando, é colocar a Bíblia nas mãos do povo. Este é o início da mobilização bíblica a ser implantada. “Bíblia na mão, no coração e pés para a missão.” Sem a Palavra, a missão enfraquece e desaparece. O ardor e a perseverança na missão vêm da Palavra. O anjo do Apocalipse tem o livro aberto em suas mãos (Ap 10,8).

A mobilização bíblica consiste em:

a. Colocar a Bíblia na mão do povo, proporcionar uma iniciação bíblica a partir de um estudo e pedagogia de “Introdução à Bíblia”. Ter a Bíblia na mão, saber manuseá-la, ou, como dizem os internautas: “Navegar na Bíblia” é o que devemos oferecer a nossos fiéis. Nossas crianças sabem como abrir e lidar com o computador, o celular, a televisão, mas não sabem abrir a Bíblia.

b. Oferecer cursos bíblicos, escolas bíblicas e formar círculos bíblicos para que a Palavra seja interpretada e compreendida corretamente. Ter a Bíblia na mão e saber lê-la, interpretá-la corretamente é o que devemos oferecer aos nossos fiéis.

c. A porta de entrada no mundo bíblico é a leitura orante da Bíblia, a lectio divina. O povo adquire gosto, sabor e desejo da Palavra pela meditação, pela leitura orante, que tem a finalidade de enamorar o coração pelas Sagradas Escrituras.



POR QUE UMA MOBILIZAÇÃO BÍBLICA?

Primeiro: O nosso povo não tem acesso à Palavra e nossas homilias dominicais são insuficientes. Colocamos nas mãos do povo catecismos, livros, cartilhas; devemos também dar-lhe a Bíblia. O Concílio Vaticano II diz: “Tenham todos os dias nas mãos a Palavra de Deus” (Perfectae Caritatis, nº 6). O Papa Bento XVI dizia aos Bispos brasileiros na Catedral de São Paulo: “É preciso trabalhar com o Evangelho nas mãos” (nº 5). Em diversas passagens bíblicas encontramos a expressão: “Toma o livro”, ou seja, “pega o livro”. Pegar com a mão para comê-lo.

Segundo: O catolicismo devocional e sacrametalizador deve tornar-se um “catolicismo bíblico”. A Bíblia trará sabor e vigor para nossa vida sacramental, pastoral, social e espiritual. A realidade mostra que a Sagrada Escritura é o trunfo e o triunfo das seitas e movimentos religiosos.

Terceiro: A Conferência de Aparecida nos convida a ser discípulos. Como ser discípulo, desconhecendo a “Escola da Palavra”? A condição para o discipulado é o conhecimento e o encantamento pela Palavra de Deus. Dizia o Papa no discurso inaugural da V Conferência: “É preciso educar o povo na leitura e meditação da Palavra de Deus” (n.º 3).

Quarto: Nossa Igreja será mais atraente e santa pela iluminação que vem da Sagrada Escritura. A Igreja deve refletir o rosto de Jesus, ter olhos fixos em Jesus. Sabemos que o verdadeiro rosto do Senhor, nós o encontramos nos Santos Evangelhos. Cristo vive e fala na Palavra.

Quinto: O Sínodo dos Bispos de 2008, será sobre a Palavra de Deus. Vemos que o Papa e a Santa Sé entendem que chegou a “Hora da Bíblia”. Portanto, o Concílio Vaticano II, a Conferência de Aparecida e o Sínodo de 2008 estão indicando que o rumo do futuro da Igreja e do Catolicismo passa pela Sagrada Escritura. A mobilização bíblica é um sinal dos tempos neste inicio do novo milênio.

Sexto: O conhecimento da Palavra de Deus facilitará o diálogo com outras religiões cristãs e impulsionará o ecumenismo. Os frutos de uma mobilização bíblica são palpáveis. Cresce o discipulado, o profetismo e a missão. Os sacramentos recobram vigor e sabor. A ação pastoral evangelizadora recobrará o encantamento, o fascínio e a intrepidez dos inícios da Igreja.

Sétimo: As crianças, jovens e adultos, a partir do conhecimento bíblico abrirão as portas do coração para Deus, para a comunidade e a transformação do mundo. A iniciação cristã começa com um encontro, uma experiência pessoal, uma atração por Alguém. A Bíblia é o lugar certo para este encontro e fascinação. A vida cristã não começa com normas, leis, obrigações, mas com a descoberta de uma amizade, um amor verdadeiro, um enamoramento pessoal. A Bíblia é o livro do encantamento e do compromisso dos cristãos.

Uma mobilização bíblica tem um grande preço. Antes de tudo, a propaganda, a motivação do povo, o incentivo. Depois, é preciso decidir por uma tradução da Bíblia que não tenha preço muito alto. O ideal é a Paróquia oferecer gratuitamente a Bíblia aos fiéis. É preciso criar uma comissão paroquial que assuma e organize os estudos e os exercícios de leitura orante.

O ensino da leitura orante deve ser anterior aos cursos bíblicos, pois a leitura orante desenvolverá o gosto pelo estudo. Requer-se uma “fantasia de criatividade bíblica” neste assunto como: escolas dominicais, escolas bíblicas, panfletos, vídeos, revista em quadrinhos, maratonas bíblicas. É necessário usar o livro dos Grupos de Reflexão e os livros de catequese para o ensino bíblico; oferecer retiros bíblicos, semanas bíblicas, programar um ano temático: “Ano Bíblico”. As homilias, os cursos de teologia para leigos, os movimentos eclesiais, a meditação diária e a simples leitura da Bíblia são meios adequados para implantar a mobilização bíblica. Ter a Bíblia na mão como temos o terço, a Liturgia das Horas e tantos outros livros e catecismos. Ir de casa em casa, ensinar o povo a abrir a Sagrada Escritura, meditar e compreender a mensagem divina. A Bíblia é o livro da Vida. “Toma-o e come” (Ap 10, 9).

*Texto publicado pelo Boletim da CNBB - 04 de setembro de 2007

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