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Atos apócrifos de Judas Tadeu e Simão



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  • 26/01/2008
Jacir de Freitas

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A história destes dois apóstolos é contada em um único relato em Memórias apostólicas de Abdias. A ação apostólica deles é realizada em conjunto.
Judas Tadeu é um dos apóstolos mais populares. Todo dia 28 de cada mês, igrejas lotam para prestar-lhe homenagem. O seu dia é 28 de outubro.
Foi Santa Brígida da Suécia (1303-1373) que propagou a devoção a São Judas Tadeu como Santo das causas urgentes. Jesus lhe teria aparecido aconselhado a invocar São Judas Tadeu para resolver os seus problemas.

Perfil
Nome: Judas é um nome comum entre os judeus. Tadeu significa “o corajoso”. Simeão é o diminutivo Samuel e significa “Deus ouviu”. Simão era chamado também de Cananeu ou o Zelota.
Parentesco: Tadeu e Simão eram considerados irmãos (Lc 6,16).
Morte: Ambos morreram martirizados no dia primeiro de julho, na cidade de Suanir, por se negarem a sacrificar aos ídolos.

Principais feitos apostólicos narrados nos Atos Apócrifos
• Ambos travaram batalha teológica e doutrinária com os magos Zaroém e Arfaxat, da Pérsia.
• Na Babilônia, eles realizaram curas, milagres, expulsaram demônios, batizam, ordenam presbíteros, diáconos, clérigos e fundam igrejas.
• Na Babilônia, Simão e Judas consagram Abdias como bispo local.

Alguns atos apócrifos de Judas e Simão
As narrativas apócrifas sobre Judas Tadeu e Simão não muitas.
Judas e Simão se preparam para desafiar os magos Zaroém e Arfaxat
Na continuidade da narrativa sobre Tiago, o Irmão do Senhor, Memórias apostólicas de Abdias afirma que o dito acima se refere a Tiago. Quanto a seus irmãos, mais velhos que ele, Simão chamado o Cananeu e Judas chamado Tadeu e Zelota, também eles apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, que entraram na religião por revelação do Espírito Santo e pela fé, no início da sua pregação tiveram de enfrentar logo dois magos, Zaroém e Arfaxat, que tinham fugido da Etiópia da presença de São Mateus apóstolo. A doutrina deles, com efeito, era perversa: blasfemavam o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, chamando-o o Deus das trevas. Acrescentavam que Moisés era um mago e que todos os profetas de Deus tinham sido enviados pelo Deus das trevas.
Diziam, além disso, que a alma humana tinha uma parte divina e que o corpo ao contrário tinha sido feito por um deus mau, e por isso é composto de substâncias opostas: com algumas a carne se alegra enquanto a alma se entristece; e com outras a alma se alegra e o corpo, ao contrário, se aflige. Acrescentavam ao número dos deuses o sol e a lua, e ensinavam que a água também era divina. Do Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, afirmavam que era um produto da imaginação: que não era verdadeiro homem, que não nascera de uma virgem, que não fora na verdade tentado nem verdadeiramente padecera, nem fora de verdade sepultado, e que depois do terceiro dia não ressurgira dos mortos.
A Pérsia, contaminada por essa doutrina, depois de Zaroém e Arfaxat, mereceu encontrar através dos bem-aventurados apóstolos Simão e Judas o grande mestre, isto é, o Senhor Jesus Cristo, que tinha proclamado que enviaria do céu o Espírito Santo, segundo a promessa que dizia: “Vou para o Pai e vos envio o Espírito Paráclito” [Jo 15,26; 16,7].

Simão e Judas viajam para a Persia
Tendo empreendido a viagem com a precisa intenção de libertar, assim que chegassem, a Pérsia da triste sedução dos mestres acima citados, os apóstolos Simão e Judas encontraram o exército que partia para a guerra, guiado pelo comandante supremo do rei da Babilônia, Xerxes, Varardac. Este havia declarado a guerra contra os hindos, que tinham invadido o território da Pérsia: em seu séqüito iam sacrificadores, adivinhos, magos, encantadores, cada um conforme seu próprio encargo, sacrificando aos demônios, dava o vaticínio da própria falácia.
Aconteceu que no dia em que os apóstolos se achavam entre os soldados, aqueles embora se cortassem e derramassem o próprio sangue, não conseguiam dar ao comandante o vaticínio a propósito da guerra. Dirigiram-se por isso ao templo da cidade próxima para consultar ali os deuses. Ouviram então um deles que com enorme mugido assim sentenciava: “Há homens estrangeiros caminhando convosco para irem à batalha; por isso não vos podem dar vaticínios. Foi-lhes com efeito concedido tal poder por Deus, que nenhum de nós ousa falar em sua presença”.

Simão e Judas testemunham a fé em Cristo diante do Rei da Pérsia, Xerxes
Tendo sabido disso, o comandante supremo do rei Xerxes, Varardac, mandou que os procurassem no exército. Tendo-os encontrado, perguntou-lhes de onde eram, e por que tinham ido àqueles lugares. Respondeu-lhe o santo apóstolo Simão: “Se perguntas pela origem, somos judeus; se pela nossa condição, somos servos de Jesus Cristo; se queres saber o motivo da nossa presença, viemos para a vossa salvação, a fim de que abandoneis o falso culto dos ídolos e possais [assim] conhecer o Deus que está nos céus”.
“Por ora - disse o comandante Varardac, respondendo-lhe - estou para entrar em combate a fim de manter afastados os indos que desejam invadir a Pérsia, antes que consigam ganhar o auxílio das forças dos medos contra nós. Por isso não é agora o momento oportuno de discutir as vossas coisas. Se depois o regresso for feliz e favorável a nós, eu vos ouvirei”.
O apóstolo Judas (respondeu): “Senhor, ouve-me, é mais conveniente que conheças aquele com cuja força e com cujo auxílio podes vencer, ou ao menos encontrar calmos aqueles que contra ti se rebelaram”.
Então o comandante Varardac disse: “Como ouço que os vossos deuses estão diante de vós e vos dão os vaticínios, quero que nos predigais o futuro, a fim de que eu possa saber o resultado da batalha”.

Simão propõe um desafio
Simão então respondeu: “A fim de que te dês conta de que erram aqueles que tu pensas possam predizer-te o futuro, demos a eles a palavra para responder-te. Quando houverem dito aquilo que não sabem, nós provaremos que eles mentiram em tudo”. Tendo elevado uma prece ao Senhor, prosseguiu: “Em nome do Senhor nosso Jesus Cristo ordenamos que deis, segundo o costume, o vaticínio àqueles que estavam acostumados a vos interrogar”. A este seu comando aqueles fanáticos começaram a se agitar, e a dizer: “Haverá uma guerra e tanto de um lado como do outro poderão morrer muitos combatentes”. Diante disso, os apóstolos de Deus em um ímpeto de júbilo prorromperam em riso. Varardac lhes disse: “Estou imerso em grande temor e vós estais rindo?” E os apóstolos: “Que cesse o teu temor, pois com nossa chegada entrou a paz nesta província. Por isso deixa de lado o teu projeto defensivo. Com efeito amanhã, a esta mesma hora, ou seja a terceira, virão a ti aqueles que mandaste à frente junto com os embaixadores dos indos, os quais vos anunciarão que as terras invadidas estão restituídas ao vosso domínio, pagarão quanto vos devem, tratarão a paz consentido de bom grado em vossa proposta, não importando as condições que fixardes, e estabelecerão convosco um pacto firmíssimo”.
Mas os principais sacerdotes do comandante zombaram desse modo de falar, dizendo: “Senhor, não dês crédito a esses homens vãos e mentirosos, estrangeiros e por isso desconhecidos; são vãos e mentirosos e por isso dizem coisas agradáveis para não serem presos como espiões. Os nossos deuses, que nunca se enganam, te deram o vaticínio: sê cauteloso e pronto para todas as emergências; não sigas aqueles que ansiosamente tentam tranqüilizar-te para que, enquanto te achares menos atento, de repente, possas ser atacado facilmente e do modo mais violento”. Mas o santo apóstolo Simão respondeu: “Escuta-me, comandante. Nós estrangeiros e desconhecidos, mentirosos quanto queiras, não te ordenamos que esperes um mês. Nós te dissemos ‘espera um só dia e amanhã de manhã por volta da hora terceira chegarão aqueles que enviaste’. Com eles virão os representantes dos indos, os quais receberão de ti as condições de paz, e serão em seguida tributários dos persas”.
Depois de ouvirem essas coisas, os sacerdotes persas, que estavam no exército, gritavam abertamente: “Nossos magníficos deuses, em suas vestes douradas, cheias de pedras preciosas, purpúreas e tecidas de ouro, entre as taças, o linho e a seda, e todo o esplendor do reino babilônico, ao dar os vaticínios divinos, algumas vezes podem errar; mas esses esfarrapados, sem personalidade alguma, como é que ousam atribuir-se tanto? O simples fitá-los é uma injúria. E tu, comandante, não punes esses, cuja simples presença é uma injúria aos nossos deuses?” Respondeu o comandante: “É estranho que forasteiros, miseráveis e desconhecidos, afirmem com tanta constância aquilo que parece contrário ao testemunho dos nossos deuses”.
Os chefes dos sacerdotes lhe responderam: “Manda que sejam postos sob custódia, para que não fujam”. E o comandante: “Não só ordenarei que sejam postos sob custódia, mas vós mesmos ficareis sob vigilância até amanhã, a fim de que aquilo que se verificar se pode ou não comprovar o testemunho deles. Depois se verá quem verdadeiramente deve ser condenado”.


A continuidade destes relatos sobre os atos apócrifos e vida de Judas Tadeu e Simão encontram-se no livro Vida secreta dos apóstolos e apóstolas à luz dos Atos Apócrifos, p. 284-304, Editora Vozes e de autoria de Frei Jacir de Freitas Faria.

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