Uma janela sobre o mundo bíblico

Paulo de Tarso, um breve perfil biográfico



  • Estudo
  • 63105
  • 06/09/2008
Reuberson Rodrigues Ferreira

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1 - introdução: Diversas imagens, única pessoa        

Sobre Paulo muitas teorias já foram elaboradas. Muitas palavras soltas já foram ditas e  inúmeras projeções pessoais foram feitas. Paulo1 já foi tido como fundador do cristianismo; já foi acusado de inimigo das mulheres; submisso ao império; anti-semita; moralista; falso apóstolo. Enfim, diversos conceitos foram traçados sobre esse apóstolo. Nos últimos anos, contudo, buscou-se, cada vez mais, aproximar-se da verdadeira expressão de Paulo. Tentou-se resgatá-lo desse emaranhado de teorias e delimitar seu verdadeiro rosto. Rosto esse que é de um judeu, fariseu (Fl 3, 3-6) que experiênciou Jesus (At.9, 3-9;1Cor 9,1; 15, 8; Fl 3,12; Gl 1, 15 -17) e a partir dessa experiência, delimitou toda sua vida, impondo a si mesmo a tão sublime missão de Anunciar , a qualquer custo e até os confins da terra(Rm15, 24.28),o evangelho de Deus(Rm 1,1). Nas palavras do próprio Apóstolo: “ai de mim de se não Evangelizar”(1Cor 9, 17).
Nesse sentido, é salutar entender Paulo, sua vida e sua história. Para realizar essa empresa de conhecer com minúcias a vida de Paulo, duas fontes podem se utilizadas. Por um lado, os Atos dos Apóstolos e, de outro, as Cartas que são comumente aceitas como paulinas. Seguiremos aqui, assim como O’conor2 , o viés das cartas para traçar de Paulo um perfil biográfico, não sem o devido cotejo com os Atos. Portanto, narraremos a vida desse apóstolo primariamente nas Cartas e, sempre que necessário, completaremos com os Atos. Em outras palavras, nossa fonte principal é o que Paulo diz dele mesmo, depois os atos. Principiemos comentando de sua infância.

 

2 - SAULO: De Tarso a Jerusalém

Sobre os primeiros anos de sua infância, Paulo3 diz muito pouco. Ele é extremamente lacônico ao falar de suas origens. Sempre que o faz é para justificar seu ministério e seu trabalho pastoral (2Cor 11,22; Rm 11,1; Fl 3,4-5). Assim, para Paulo mais importante que sua história pessoal, era anunciar o Evangelho.

De próprio punho, ele diz acerca de si mesmo que é Hebreu, Israelita (2Cor 11,22; 11,1; Fl 3,5) e pertence a tribo de Benjamin (2Cor 11,22; Rm 11,1; Fl 3,4-5). A insistência em afirmar que é judeu de Israel, denuncia  que Paulo, embora não sendo criado em Jerusalém – portanto,  da diáspora – era um judeu convicto, descendente de família Israelita.Sua origem é confirmada do ponto de vista religioso-juridico quando afirma que fez a circuncisão ao oitavo dia (Fl 3,4).Somente, judeus que respeitavam as tradições de Israel, fariam a circuncisão fora de Jerusalém.
 Se nas cartas de Paulo não encontramos um lugar certo para sua origem, nos Atos dos Apóstolos, todavia, encontramos um discurso, que Lucas põe na boca de Saulo, onde ele indica sua origem(At 21,39; 22,3). Nesse texto, Saulo diz que nasceu na próspera cidade de Tarso – o que pode ser datado entre os anos 3-8 d.C.

Tarso, atual Tarsus na Turquia, era uma Antiga e importante cidade vinculada aos Romanos. Desde o século IV. a.C. já tinha fama de grande e próspera. Tornou-se, com Pompeu, Capital da província da Silicia. Era Economicamente próspera, culturalmente rica e politicamente organizada. Nela havia uma famosa escola filosófica de caráter estóico de onde despontaram, entre outros, Zenão e os Irmãos Atenodoros. Era, também, uma região de terras férteis. Tinha uma grande produção de algodão e de peles de cabra. Possuía um grande porto por onde escoava sua produção4 .

Paulo, portanto, está no seio de uma comunidade com muitas influências. Em sua gênese familiar é judeu. Em seu universo social, está em estreito contato com gregos. Sua formação, portanto, caminha entre o amor a Torah e a envolvente filosofia de sua época 5. Esse elemento, sem dúvida lhe facultará enveredar pelas diversas culturas (Rm 1, 14;Gl 3, 28) com grande destreza e sem nenhuma tibieza.

Acerca de familiares e parentes, Paulo, também, não diz nada. Insiste, apenas, em falar que é um “hebreu, filho de Hebreus”( 2Cor 11,22). Seguramente seus pais são judeus que foram levados para a região de Tarso, pelos romanos. Eles deviam ter recursos, pois Paulo não menciona ter trabalhado na infância. Para época, estudar, despendia de grande soma de númerários6 . Encontramos, contudo, uma alusão a uma possível família de Paulo no segundo opúsculo redigido por Lucas( At 23, 16). Nestes versículos fala-se de uma irmã e um sobrinho de Paulo. Ele, o sobrinho, avisa de uma conspiração contra o tio. Há, ainda, uma referência a uma mãe de Paulo ( Rm 16, 13). Longe de tratar-se de uma mãe biológica, o texto deve está fazendo alusão ao respeito que Paulo tem pela mãe de Rufo 7.

Por fim, deve-se mencionar, seguindo o que diz  Lucas, que Paulo é cidadão  Romano( At  16,35-39; 25, 12.16.21.25). É provável que  tenha adquirido esse status   como herança direta de seus pais ou  avós.Ser cidadão Romano, seguindo o raciocínio  de Dood8 , era ser um  indivíduo cosmopolita, pois as “fronteiras do Império  de Roma confundiam-se  com os limites do Mundo”.  Também são adjetivos de um cidadão romano isenção de  alguns impostos e  proteção do Estado.Paulo é, portanto, um cidadão universal.

Em síntese, Paulo é um judeu da diáspora, um  cidadão Romana,  radicado na opulenta cidade de Tarso. Sua formação primeira está arraigada sob a “tradição dos Pais” e as correntes filosóficas do mundo em que vivia. Devia ser de uma família abastarda  que ele nunca menciona. Talvez, tivesse uma irmã e sobrinhos. Sua infância, portanto, deve ter transcorrido tranquilamente em Tarso.

 

3 - PAULO: de Jerusalém a Damasco

Após sua formação inicial em Tarso, Paulo precisava decidir – não que fosse tão simples assim - entre continuar vivenciando a “Tradição dos pais” ou tomar outro  caminho,  talvez o da filosofia Estóica, muito comum em Tarso. Ele opta pela primeira, parte para Jerusalém.

Após mais ou menos seis semanas de caminhada, que é o tempo necessário para percorrer os 800km9   de Tarso a Jerusalém, Paulo estabelece-se nessa cidade.(Alguns dizem que na páscoa do ano 15 d.C).Nesse ambiente, segundo ele mesmo fala, passa a engrossar as fileiras do partido dos Fariseus (Fl 3,5; At 23,6). Trata-se de um grupo religioso10 que surgiu, de forma seminal, com o movimento hassindico( por volta de 138 a.C). O nome fariseus, contudo, aparece em 135 a.C, no período do João Hircano. Eles são um movimento que faz oposição aos Saduceus e gozam de grande prestígio nas camadas populares. Ocupam-se, geralmente, em manter a pureza da Torah - conseqüentemente da tradição dos Antepassados. São fiéis e rigorosos observantes da Lei e de seus ensinamentos. Paulo, portanto, torna-se um fiel defensor das tradições de Israel e qualquer coisa que macule essa tradição é passiva de ser rechaçada.

O homem de Tarso, judeu da diáspora, dentro desse movimento não é qualquer um. Ele mesmo diz que progredia mais que qualquer outro no Judaísmo (Gl 1, 14; AT 22,3 Fl 3,5) Todo seu estudo foi dirigido por um sábio chamado Gamaliel I (At 22,3) que tinha fama de prudente e paciente (At 5,34).Esse Sábio é  o Pai de Gamaliel II  que será, no futuro, decisivo para consolidação da Escola farisaica que estabeleceu-se Yavne, após a destruição do templo de Jerusalém - 70 d. C, por Tito – e o  genocídio que ocorreu na  fortaleza de  Massada.

Sendo Paulo um fiel guardador das “Tradições dos Pais”, quando começou a aparecer no coração do judaísmo os “seguidores do Caminho” ( At 19,9; 22,4) era natural que ele tentasse desautorizá-los(deve-se questionar em que os Cristão incomodavam). Por esse motivo, por seu zelo e por suas convicções farisaicas, ele desencadeou, com a permissão do Sumo Sacerdote, uma “voraz caçada”11 aos Judeus-Cristãos (1Cor 15,9; Gl 1,13.23;Fl 3,6; Tm 1,13-14) que estariam ludibriando os Judeus com a pseudo-informação de que Jesus havia ressuscitado. Aos seus olhos isso parecia uma heresia que precisava ser combatida com rigor.12

Numa de suas investidas contra os seguidores do Caminho(At 22,4), supostamente na via de acesso a Damasco ou numa viagem a casa dos pais, - onde o caminho de Damasco era mais seguro13 - aconteceu algo de misterioso, algo transcende que determinará toda sua  vida posterior. A vida desse fariseu, oriundo de Tarso e educado em Jerusalém, será visceralmente reformulada. Suas convicções, sob muitos aspectos, serão revistas. Ele passará, naturalmente, da postura de perseguidor à de fiel anunciador da  mensagem de Jesus, a quem ele perseguia.
São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, apresenta uma descrição minuciosa da conversão de São Paulo. São três relatos (At 9,3-19 ;22,6-16;26,12-18) que, embora apresentem diferenças em alguns detalhes, conservam um núcleo comum. Nos dois últimos são Lucas põe na boca de Paulo a narrativa  de sua conversão e a  trajetória tanto antes como depois da conversão. Na primeira, o Evangelista, narra somente o fato ocorrido, quando  da conversão do Apóstolo.

Nas três narrativos vários dados são comuns. Primeiro, Paulo está a caminho de Damasco ( 9, 3; 22,6; 26,12). Numa certa altura uma luz ilumina-o e envolve-o( 9, 3; 22,6; 26,13). Em seguida ele cai por terra ( 9, 4; 22,7; 26,14) e ouve uma voz que lhe interroga e lhe chama pelo nome( 9, 4; 22,7; 26,14). A essa voz, ele responde com uma interpelação ( 9, 4; 22,8; 26,15). A qual é rapidamente respondida, pela afirmação de que é Jesus a quem ele persegue (9, 5; 22,8; 26,15). Depois desse diálogo entre Paulo e Jesus, segue uma ordem do ressuscitado para que ele entre em Damasco onde lhe dirão o que fazer ( 9, 6-9; 22,10-11, 26,20). Imediatamente ele começa a anunciar Jesus como Filho de Deus ( 9, 20-21; 22,15; 26,19). Curioso que na última descrição da conversão de Paulo face a Agripa, o Evangelista diz que o apóstolo não se fez indiferente ao chamado e passou a anunciar o ressuscitado. Essa mesma idéia transparece nas cartas Paulinas. Diante de seu chamado, não há mais outra opção a não ser seguir e anunciar Jesus.

O relato minucioso de Lucas é contrabalanceado pela lacônica descrição do apóstolo dos Gentios, em suas cartas, acerca de seu chamado. Sempre que o faz é para afirmar a necessidade de Evangelizar. Desse ponto, pode-se intuir que a conversão de Paulo é o “Leitmotiv” de sua ação missionária, pastoral e  Evangelizadora.

Ele diz sobre sua “conversão/chamado” que foi alcançado por Deus(Fl 3,12).De Igual modo, afirma que foi separado desde o ventre Materno( Gl 1, 15 -17) –mesma linguagem usada por Jeremias(Jr. 1,5). Em ambas as citações ele tenta justificar seu apostolado. Na carta aos Filipenses, fala de sua busca perene pela perfeição em Cristo (Fl 3, 9ss). Na epistola dirigida aos gauleses, Paulo afirma que foi separado desde o ventre materno porque havia alguns outros seguidores de Cristo que talvez tenham desautorizado seu apostolado (Gl 3, 20) .

Na Primeira carta aos Corintos, contudo, ele faz considerações maiores e mais esclarecedoras sobre sua experiência do Senhor. Ele diz que “viu” o Senhor(1Cor 9, 1; 15, 8).Trata-se de um verbo da ressurreição. Portanto, em sua conversão, ele experienciou o Jesus Ressuscitado. – Tal qual Maria de Magdala e Tomé, entre outros (Jo 20,14. Jo 20 25- 28). Quando ele afirma que viu o Senhor em 1Cor 15,8 o Apóstolo, coloca-se em pé de Igualdade com todos os outros que tiveram contato com Jesus ressuscitado.
 Ele, de modo especial, foi digno de Ver o Cristo.(1Cor 15,3-8). Sua missão, portanto, decorre necessariamente  da  experiência do Cristo ressuscitado. Tudo que ele faz; tudo que ele realiza; todas as provações às quais é submetido, tudo decorre inevitavelmente dessa experiência mística de encontro com o Senhor. Ele não tem outra motivação, a não ser anunciar o Evangelho.

 

4 - PAULODe Damasco para o mundo, a missão de Evangelizar

Desde os arredores de Damasco e dessa  experiência que ele viveu,  vida de Paulo nunca  mais foi igual. A inteireza de sua vida, adquiriu um novo sentido, um novo  significado. Aquele que  era tido com desgraçado,  Maldito porque fora suspenso numa  cruz(Gl 3,13), revelou-se como  Salvador Crucificado e Ressuscitado14 . Ele é agora a força motriz de todo  o trabalho Paulino. Essa certeza,  que guiará toda sua vida; que alentará todo   seu testemunho; que lhe fará percorrer, segundo  alguns estudiosos, mais de  10  mil quilômetros e desejar chegar até os confins da Terra, Espanha(Rm15, 24.28)15 ; Bem como é ela que o faz  suportar  diversos sofrimentos e privações(1Ts, 2, 2; 2Cor 1, 8-10; 1Cor 7, 5; 11, 22-33  15, 32; ).
Podemos especular  o  quanto Paulo   deve ter sofrido internamente para executar sua missão. O quão difícil deveria ser para ele, assumir o que agora sentia.  Esse fato porque, de um lado estava toda uma educação, todo um estudo farisaico e toda uma perseguição desencadeada contra os Seguidores do Caminho. Por outro, estava o reconhecimento      de Jesus como Messias que Paulo tanto esperara. Assumir isso implicaria em renunciar tudo aquilo que ele acreditava  (os cristãos estavam enganando os judeus, que a lei era tão vital para vida, pois Jesus em muitos aspectos a descumpriu)  e assumir Jesus como Filho de Deus16 . Deve ter sofrido internamente, mas acedeu ao  projeto  do ressuscitado

Em seus escritos, o   Judeu de Tarso e, agora, fiel seguidor de Cristo, paulatinamente disseca a anatomia de sua missão e a motivação que lhe leva a agüentar tão grande empresa. Cronologicamente,  ele estabelece-se  na Arábia e depois estabeleceu-se em Damasco(Gl  1,18). Podemos intuir que sua estadia em  Damasco, além da pregação que fazia, deve ter apreendido muito sobre  a Figura histórica de  Jesus e, concomitantemente, delineado sua missão apostólica. Em seguida, parte para Jerusalém onde encontra Pedro e Tiago(Gl 1,19-20)e, depois, dirige-se à região da Cilícia e  da Síria( Gl 1,20 -21).

Reencontramos esse incansável Apóstolo  no Livro do Atos 11, 25-26 em contato com  Barnabé que lhe convida para executar uma missão em Antioquia do Orontes. Essa comunidade havia sido fundada com a dispersão dos Judeus-cristãos de Jerusalém (At 11, 19-20). Tratava-se de um cidadela  importante, construída por Seleuco. Tornou-se capital da Província romana da Síria por  Pompeu. Era uma cidade plural onde coabitavam, judeus e  gentios; ricos e pobres17 . Desse ponto, é que decorrer a  aporia entre Pedro e Paulo com relação às refeições comuns entre  judeus e gentios(Gl 1,11-14)        e a conseqüente solução que Paulo deveria ir aos gentios Anunciar o Evangelho de Deus(Gl 1, 9-10).

  Da missão de Antioquia, decorre inevitavelmente  todo o apostolado de Paulo. Lucas nos Atos narra uma primeira viagem do Apóstolo Paulo (At 13-14).Ele vai da Antioquia à  Seleucia (At 13,4) e desse ponto para a Chipre(At 13,4). Em seguida vai  a  Salamnia (At 13,5) e a ilha de Pafos (At 13, 6). Depois,  parte para Perge, na Panfília(At 13,13) e  Antioquia  da Psídia. Por fim,  chegam a lista e Derbe (At 14,6)  e voltam para Antioquia(At 14,26). Segundo Alguns estudos  essa missão deveria ter durado 26 dias e os apóstolos terem percorridos cerca de  3.200Km numa região difícil, suscetível a assaltos e  perigos diversos.

Após essa longa viagem Paulo separa-se de Barnabé (At 15, 36-41). Associa-se a  Silvano(At 15,40) e inicia uma  nova peregrinação  Missionária(At 16-18). Ele dirige-se a comunidades já formadas (Lista ou Derbe ). Nessa viagem Paulo Converte Timóteo que  ser torna seu fiel companheiro(1Cor 4,17). Seguindo seu  itinerário, chegou a Galácia . Segundo ele mesmo relata, ele adoeceu e teve que ficar entre  os Gauleses para se tratar(Gl 14,13). Após gálatas ele parte para Troas/ Troade (At 16,8) e adentram a macedônia(At 16, 9-10)e chegam a Europa. Fundam comunidades em Filipos(At 16,12-40), Tessalônica(17, 1-9) e Beréia( AT 17, 10-15).Após controvérsias nesta  última cidade(17,5-10, 1Ts 2,2 ) Paulo parte Atenas(At 17, 15-34. 1Ts 3,1), de onde escreve aos Tesssalonicos. Após   esse acontecimento vai à  Corinto, capital da província da Acaia(At 18,1-18 2Cor 2,1), onde escreve aos Romanos de seu desejo de visitá-los e  chegar a Espanha(Rm15, 24.28).Desta região ele retorna à comunidade mãe, Antioquia (At 18,22)
Após  um descanso em  Antioquia Paulo retoma seu trabalho missionário. Visita, novamente as comunidades da Frigia e da Gália, certamente para alentá-las na fé no Cristo Ressuscitado(At 18, 23). Depois parte para outras  campos, desta vez segue rumo a Éfeso (At 19, 1) até o incidente do ourives(At 19,23), quando parte para  Macedônia, visita Corintos, Filipos e Beréia. Depois,  pela via marítima,  dirige-se  para Troade e , imediatamente, para  Mileto(At 20,17). De  mileto dirige-se a Jerusalém(At 21, 17).  Onde é preso e encaminhado para Roma, por via marítima -  Neste lugar escreve a 2Tm. Segundo relatos históricos, foi nessa cidade decapitado pelo imperador Romano, na  segunda metade do século I a.C

 

5. À GUISA DE CONCLUSÃO: Uma pergunta e uma resposta que se  impõem!

Após três viagens fatigantes, diversos suplícios e inúmeros perigos que poderia correr (1Ts, 2, 2; 2Cor 1, 8-10; 1Cor 7, 5; 11, 22-33  15, 32; ), uma pergunta que se impõe é: O que motivara Paulo  a enfrentar todas essa peripécias. Uma única resposta se nos impõe: Seu amor por Cristo, Sua experiência do Ressuscitado.

Essa resposta pode ser confirmada  nas  cartas paulinas. Na Carta aos  Gálatas, um dos textos mais antigo do NT, o Apóstolo  Afirma que  o que  ele anuncia não é uma   revelação humana, mas  o próprio Cristo que a ele se apresentou(Gl 1,12). Assim, o que move Paulo a Evangelizar os Gauleses é a revelação do Ressuscitado.De igual  modo, na carta aos Efésios, ele assegura que sua missão  brota diretamente da  revelação que Cristo lhe fez. A ele, menor dos apóstolos, foi dada a graça de anunciar o Evangelho (Ef 3,8).

Mais reveladora, ainda são as cartas aos Corintos. Nela, em diversos momentos, ele alude à sua experiência de Deus como viés motivador de sua ação  pastoral. Inicialmente, em  1Cor 3, Ele desautoriza que se coloque qualquer outra pessoa no lugar de Cristo como Fundamento, só ele é  base do apostolado.(1Cor 3,11). Prossegue  e diz, mais ainda, que  “anunciar o Evangelho é uma obrigação que não lhe foi atribuída por vontade própria,mas pela graça de Cristo (Cf. 1Cor 9,12ss”. Desse modo, a conclusão lógica dele é dizer: “ai de mim, se não Evangelizar”(Cf 1Cor 9,14).

Portanto, a missão de Paulo decorre inevitavelmente de sua relação  com o ressuscitado.Tudo o que ele faz, todas as suas peregrinações, todo o seu ministério, todo seu Trabalho é motivado pela sua experiência de Deus. é o que ele expressa quando defende seu evangelho aos Gauleses: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2, 20).

 

Referências

  • Bíblia de Jerusalém.São Paulo: Paulus.2004
  • BORTLINI, José. Libertando Paulo! Vida pastoral. Maio-junho. Ano 49. Nº 260. 2008.
  • CARREZ, M .A vida de Paulo.CARREZ, M. (et. al)As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas São Paulo: Paulus.1987
  • CELSO, Pedro. Entrevista sobre o Ano Paulino. REVISTA ANAIS Jun/2008. n. 06. São Paulo.
  • DALTER, Frederico. Eu, Paulo: Vida e doutrina de São Paulo. 2.ed. Petropolis: Vozes. 1978
  • DODD, Charles Harold. A mensagem de Paulo Para o homem de Hoje. 2.ed. São Paulo: Paulinas.1981.
  • FABRIS, Rinaldo. Para ler Paulo. São Paulo: Loyola. 1996.
  • FERREIRA, Reuberson. Vocação na Bíblia: Alguns Relatos. Disponível em www.abiblia.org.
  • HAWTHONE, Gerald F., MARTIN, Ralph P., REID, Daniel G (org.) Conversão/vocação. Dicionário de Paulo. São Paulo: Loyola/ Paulus /Vida Nova. 2008.
  • MACKENZE, John L.  Paulo.  Dicionário  Bíblico. 6 ed. Paulus. São Paulo.
  • MIRANDA, Manoel Ferreira. Os Fariseus e sua contribuição teológica para o Judaísmo e Cristianismo. Revista de Cultura Teologica. XII. nº 47. Abr/jun. 2004
  • O’CONNOR, Jerome Murphy  Jesus e Paulo: Vidas paralelas. Paulinas. 2008
  • _________. Paulo: Biografia Critica. São Paulo: Loyola. 2000.
  • _________. Paulo: história de um Apóstolo. São Paulo: Loyola. 2007
  • PERUZO, José Antônio. A Personalidade de Paulo. Revista de Coleções. Rio de Janeiro n.13 – 2008.

Notas

1 Cf.BORTLINI, José. Libertando Paulo! Vida pastoral. Maio-junho. Ano 49. Nº 260. 2008. p.6.

2 Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Paulo: Biografia Critica. São Paulo: Loyola. 2000. p.9-11

3 Esse nome era importante porque evocava o Primeiro Rei bíblico de Israel, da tribo de Benjamin(1Sm 9, 15-16; 10,1).

4 Cf DODD, Charles Harold. A mensagem de Paulo Para o homem de Hoje. 2.ed. São Paulo: Paulinas.1981. p.18; Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Paulo: Biografia Critica. São Paulo: Loyola. 2000. p.48-50; Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Paulo: história de um Apostolo. São Paulo: Loyola. 2007 p.25-26.Cf: PERUZO, José Antônio. A Personalidade de Paulo. Revista Coleções. Rio de Janeiro. n.13 – 2008. p.86-87

5 Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Jesus e Paulo: Vidas paralelas. Paulinas. 2008 p.47-53

6 Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Paulo: história de um Apostolo. São Paulo: Loyola. 2007 p26    

7 Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Paulo: Biografia Critica. São Paulo: Loyola. 2000. p.59

8 DODD, Charles Harold. A mensagem de Paulo Para o homem de Hoje. 2.ed. São Paulo: Paulinas.1981. p.17

9 Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Paulo: história de um Apóstolo. São Paulo: Loyola. 2007 p. 29;

10 Cf.MIRANDA, Manoel Ferreira. Os Fariseus e sua contribuição teológica para o Judaísmo e Cristianismo. Revista de Cultura Teologica. XII. nº 47. Abr/jun. 2004

11 A nosso ver não entendida como perseguição armada. Antes como  um tratativa para rechaçar os ensinamentos sobre cristo

12 Cf.CELSO, Pedro. Entrevista sobre o Ano Paulino. REVISTA ANAIS Jun/2008. n. 06. São Paulo.p16-18

13 Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Paulo: história de um Apóstolo. São Paulo: Loyola. 2007 p.41

14 Cf: PERUZO, José Antônio. A Personalidade de Paulo. Revista de Teologia do Mosteiro de São Bento. n.13 – 2008.p.100-101

15 FABRIS, Rinaldo. Para ler Paulo. São Paulo: Loyola. 1996. p.74.

16 Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Jesus e Paulo: Vidas paralelas. Paulinas. 2008 p.101-102.

17 Cf. O’CONNOR, Jerome Murphy. Paulo: história de um Apóstolo. São Paulo: Loyola. 2007 p.41

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