Uma janela sobre o mundo bíblico

O ministério apostólico de Paulo



  • Estudo
  • 7203
  • 06/03/2009
Celso Kallarrari

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Depois da sua conversão, Paulo tornou-se o evangelizador dos “gentios”, isto é, dos pagãos. O ministério de Paulo significou vitalidade e abertura da Igreja aos estrangeiros, a divulgação do evangelho a todas as nações e povos, fundando inúmeras comunidades, a partir da sua bravura e disposição a serviço do Evangelho (Cechinato, 1996, p. 33). Sua preocupação, era, portanto, prática e pastoral, envolvido com os problemas e busca de soluções para os desafios da época, fundamentou-se na fé cristã, na Bíblia e inspirou-se em Jesus Cristo, transformando-se num teólogo.

A partir do contato com os primeiros grupos cristãos, escreveu muitas cartas para as comunidades cristãs, deixando, em seus escritos, transparecer as situações concretas e suas afirmações contidas nas cartas. Estas cartas contêm conteúdo doutrinal e pastoral importante e fazem parte do cânon do Novo Testamento, com temáticas atuais aos vários contextos dos dois mil anos de história do cristianismo.

De acordo com Silva (2005), pode-se fotografar diversos retratos de Paulo. Tudo vai depender do método utilizado no momento que se quer interpretar seus textos. Às vezes, a depender do método, previlegiar-se-á um aspecto; outras, outro aspecto de sua teologia. Esse autor, apresenta-nos esses retratos da seguinte forma:

A - Conforme a fonte utilizada:

1. O Paulo das cartas autênticas: as cartas proto-paulinas (1 Tessalonicenses, Gálatas, 1 e 2 Coríntios, Romanos, Filipenses e Filemon), isto é, um Paulo escritor e teólogo.
2. O Paulo do conjunto das cartas canônicas: catorze epístolas mais as deuteropaulinas (Efésios, Colossenses e talvez 2 Tessalonicenses), as cartas pastorais: 1 e 2 Timóteo e Tito e, finalmente, Hebreu constitui um escrito à parte.
3. O Paulo dos Atos dos Apóstolos: Lucas, médico e de cultura grega, apresenta um Paulo mais missionário, preocupado mais com a abertura do Evangelho à cultura helenista. E, por fim:
4. O Paulo das fontes posteriores, chamadas de deuterocanônicas, é visto como ascético, místico e contemplativo nos Atos de Paulo e Tecla.

B - Conforme a ciência que auxilia:

1. Diversas ciências podem contribuir para uma melhor compreensão de nosso personagem: a psicologia ou psicanálise busca a personalidade e o caráter de Paulo (Sgmund Freud, Karl Gustav Jung); a sociologia lança luzes sobre a sociedade da época (Gerd Theissen); a antropologia compreendendo os costumes do meio ambiente; a história acumula e analise os dados para reconstruir o século I e a Teologia que reúne e explicita as razões de fé que levaram Paulo a dedicar-se ao Evangelho.

2. Conforme a cultura religiosa:
De acordo com Silva (2005), “Paulo pode ser lido como rabino judeu, pois judeu ele foi, e fariseu, com todas as características de tal identidade. Ao assumir o cristianismo, não deixou de ser judeu e não abandonou o zelo religioso (p. 12-13)”, mas buscou ainda mais defender suas convicções.

3. O apoio da educação:
Paulo sofreu influencia de sua educação. Por isso, sua personalidade forte, inteligência aguda e um excelente líder, além de sua habilidade na escrita.

4. Principais influxos:
Segundo Silva (14-15), “muitas idéias filosóficas e religiosas” influenciou o pensamento de Paulo, tais como “o judaísmo, em sua vertente farisaica, a filosofia, segundo a corrente estóica e as religiões pagãs, pelos cultos dos mistérios.”

Certamente que o ministério apostólico de Paulo na propagação do evangelho teve grande êxito pelo fato dele ter nascido na cidade de Tarso, província romana de Cilícia (At 9, 11), o que influenciou fortemente na sua formação e pensamento, uma vez que conhecia muito bem a “cosmovisão” dos gentios. Além das influências gentílicas, romana e grega, não deixou de ser “hebreu dos hebreus” (Fp 3, 5) ou “fariseu, filho de fariseus” (At 23, 6), pois foi criado sob as leis e práticas mais rigorosas dos judeus.

Todos esses fatores foram decisivos e serviram como méritos para que Paulo, de acordo com Mosconi (2001), desse à Igreja de Cristo a marca autêntica de “Igreja Missionária” (At 13, 2) que, inclusive, mexeu com a vida de vários outros missionários tidos como testemunhas oculares, a exemplo de Pedro (At 10, 34-35).

Conforme Dunn, Paulo, definitivamente, “(...) mais do que qualquer outra pessoa contribuiu para que o novo movimento originário de Jesus se tornasse religião realmente internacional e intelectualmente coerente (Dunn, 2003, p. 26).

Essa visão, certamente, rompe fronteiras, fazendo com que os escritos paulinos, desenvolvidos a partir do seu ministério apostólico, ganhem novas reflexões aplicáveis a nossa atualidade (Dunn, 2003).

Referências Bibliográficas:
* CECHINATO, Pe. Luiz. Os 20 séculos de caminhada da Igreja. São Paulo: Vozes, 1996.
* DUNN, James D. G. A Teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003.
* MOSCONI, Pe. Luís. Atos dos Apóstolos: como ser Igreja no início do terceiro milênio? São Paulo: Paulinas, 2001.
* SILVA, Valmor. Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus: Teologia Paulina. São Paulo: paulinas, 2005.

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