Uma janela sobre o mundo bíblico

A relevância da hermenêutica dos textos bíblicos



  • Estudo
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  • 13/01/2011
Alessandro de Azevedo Moreira Moreira

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Tenho alguns amigos religiosos que me criticam quando comento sobre a importância de se ter na Igreja um mini-curso de hermenêutica bíblica; eles dizem geralmente assim: rapaz, para mim não faz diferença se Jesus nasceu ou não em Belém; não ligo se o gênese relata fatos ou é apenas simbólico; você acha realmente que alguém se importa com isso?

Tenho que desapontar estes senhores e afirmar que aprender a ler o evangelho da maneira correta implica diretamente, ser capaz de distinguir a mensagem contextualizada por trás das figuras, símbolo e do invólucro literário dos autores e, além disso, evitar enganos oriundos da falta de estudo aprofundado, sobre a sagrada escritura.

A título de exemplo, escreverei sobre alguns casos mais simples. Poderia citar a palavra cego. A grande maioria das pessoas pensa que quando no novo testamento, fala-se deste vocábulo é no sentido físico e é um grande equívoco. O sentido apresentado no apóstolo João de cegueira é a incapacidade de perceber o esplendor da glória de Deus em Jesus. Em Mt 11,5, promete-se como obra do Messias que os cegos recuperarão a visão, aludindo a Is 35,5 e 42, 8, onde se usa o termo em sentido figurado.

Existe uma linha de escritores e intérpretes, que optam na tentativa de transformar Jesus em um Taumaturgo. De acordo com literatura profética, era comum o uso destes vocábulos em sentido figurado. Deve-se ser lembrado que não se tem mais os originais dos evangelhos e nem de nenhuma das cartas de Paulo e dos demais. Em Mc 4,12 tem-se outro exemplo: afim de que vendo, vejam e não percebam. Em relação aos números, o três indica diretamente o completo e definitivo. Quando em Mt 4,1-11 comenta-se sobre a tríplice tentação de Jesus, se quer com isso dizer, todas as tentações.

Tratando-se de ressurreição, mais do que indicar uma data precisa, a relação é com um lapso de tempo breve e, de modo definitivo, a vitória imediata da vida sobre a morte. A tríplice negação de Pedro indica sua renúncia total a ser discípulo. Pode-se dizer o mesmo do número quarenta. Quando se afirma que Jesus fica no deserto por quarenta dias não significa precisamente a quantidade e sim um paralelo que se quer fazer com aos quarenta anos do êxodo de Israel.

A passagem de Mc 8,34 é muito comentada e a grande maioria das pessoas não a entende. “Se alguém quiser vir comigo, renegue-se a si mesmo, carregue a cruz e siga-me”. Significa diretamente deixar a vida velha de futilidades e falsas felicidades e fazer a metanóia dentro de si. Carregar a cruz quer dizer estar disposto a passar por dificuldades que com essa metanóia virão.

O conceito de alma e vida depois da morte que naquela época em Israel apenas os fariseus aceitavam, é completamente diverso da conceituação tradicional que a maioria hebréia tinha. Para eles, não havia uma vida depois da morte nem tampouco havia uma dualidade entre alma e corpo, este conceito é grego e destarte, alguns exegetas acreditam que Paulo teve sucesso em sua pregação aos gentios porque entre a religião dos mistérios dos gregos e algumas orientais, era comum a crença em uma vida após a morte e a diferenciação ente alma e corpo.

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