Uma janela sobre o mundo bíblico

A religião de Jesus



  • Estudo
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  • 17/01/2011
Ivete Holthmam

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Conhecemos a família de Jesus com José e Maria, mas pouco ou quase nada conhecemos da tradição religiosa na qual Jesus nasceu, cresceu , aprendeu e viveu até o ultimo instante de sua vida. Realmente esta é uma questão pouco abordada no cristianismo. A maioria de nós costuma pensar que Jesus foi cristão. Mas, não é esse o caso. Então, qual era a sua religião?
Sua tradição é milenar. Já ouvimos falar de toda a história do povo hebreu. Pois é aí dentro dessa tradição, preparada por séculos que Deus quis fazer sua morada. É uma tradição rica em oração, em relação profunda com Deus, no empenho em estudar com alegria a Torá, na vivência das festas que expressam e alimentam o sentimento religioso. A partir do período do segundo Templo (586 a.e.c), bem antes de seu nascimento sua religião já era conhecida como Judaísmo.
Muitas vezes nos perguntamos como teria sido a vida da Família de Nazaré nos anos de crescimento do menino Jesus, sobre os quais não temos dados muitos nos quatro Evangelhos. Costumamos dizer que era uma família bem integrada e feliz: diálogo, afeto, amor a Deus, esperança no Senhor eram realidades presentes. Mas não se costuma dizer que essa família guardava o sábado, celebrava a Páscoa judaica, fazia peregrinações no Templo, não comia certos alimentos proibidos na Escritura (Lv 11,1-23), praticava a circuncisão e os rituais judaicos da purificação (Cf. Lc 2,22-24), freqüentava a sinagoga (Lc 4,14-15) enfim, vivia de acordo com os mandamentos e seguia os ensinamentos dos rabinos.
A família de Nazaré, foi de fato uma ótima família, viveu bem ao estilo de sua cultura judaica: o Evangelho de Lucas apresenta a significativa cena de Jesus circuncidado no oitavo dia, apresentado no Templo para o resgate como prescrevia a Lei de Moisés, oferecendo os sacrifícios determinados pela tradição judaica (Lc 2,21-23). Mais tarde, já adolescente, o Evangelho nos apresenta Jesus participando, querendo aprender, questionando os mestres, pois já era “Filho do Mandamento” (Lc 2,41-46). Como adulto, o Evangelista de João nos mostra Jesus dizendo à mulher samaritana que “a salvação vem dos judeus” (Jo 4,22). E em Mateus, afirmou que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la (Mt 5,17). Sobre os fariseus, disse: “Fazei e observai o que eles vos dizem” (Mt 23,3). E como bom mestre, reclamava quando eles, que estavam sentados na cátedra de Moisés, não colocavam em prática a Torá.
É neste contexto que o cristianismo brotou, cresceu e se expandiu pelos quatro cantos da terra. No entanto quase sempre esquecemos que os judeus “são nossos irmãos mais velhos na fé”, como foram definidos por João Paulo II quando visitou a sinagoga de Roma.
A crença no Deus único, a confiança na presença amorosa de Deus que liberta, a aliança feita com Abraão, Isaac, Jacó, a revelação através de Moisés transmitida nas Escrituras, a importância, da prática da justiça, do culto, da oração, do amor ao próximo. Isso tudo e muito mais, é herança judaica, que está nas raízes da nossa fé cristã. Com eles temos muito a aprender.
Compreendendo melhor toda tradição religiosa judaica na qual Jesus esteve inserido e se expressou, iremos entender melhor o que o Evangelho quer comunicar.

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