Uma janela sobre o mundo bíblico

Por que tanta polêmica em torno de Maria?



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  • 30/01/2011
Alessandro de Azevedo Moreira Moreira

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O nosso mediador é só um, segundo a palavra de São Paulo: «não há senão um Deus e um mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que se entregou a si mesmo para redenção de todos (1 Tim. 2 5-6).

A constituição dogmática Lumen Gentium em seu capítulo oitavo aonde se refere ao culto a Maria diz: “Aos teólogos e pregadores da palavra de Deus, exorta-os instantemente a evitarem com cuidado, tanto um falso exagero como uma demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus.”

Seria os exageros, a gênese de tantos conflitos entre os cristãos sobre Maria? Será que os próprios católicos às vezes fomentados por visões exarcebadas de devoção mariana, a colocam no mesmo patamar de Jesus? Será possível haver uma reconciliação entre os católicos e os protestantes sobre o assunto? É necessário haver tal conciliação?

O Título Theotókus, quando fora do contexto cristológico, trouxe e traz muitos problemas no diálogo ecumênico cristão. Karl Barth que foi um dos maiores teólogos protestantes, albergava o título dentro de uma concepção puramente cristológica ao invés, por exemplo, de Calvino que insistia no vocábulo Cristotókus como mais apropriado uma vez que afastaria a possibilidade de colocar uma mortal como mãe de Deus.

Sabemos que a posição teológica sobre Maria que veio para o Brasil, foi oriunda de Portugal e Espanha, inspiradas em opiniões triunfalistas, como a de Luiz Maria G. Montfort, que dizia que Maria é a rainha do céu e terra ou ainda que ao poder da Virgem, tudo seja submisso até Deus. Pode-se chegar à conclusão que os equívocos piedosos que em alguns casos beiram a erros grosseiros, teriam como ponto nelvrágico, estes países.

Existem várias situações que são possíveis de observação em relação aos casos de exaltação equivocada a Maria que estão inseridas dentro das práticas cristãs católicas que se propagam de geração em geração aonde o núcleo teológico é inexistente e está a lejos de distância de qualquer semelhança ao cristianismo como, por exemplo:

a) Pessoas que fazem placas colocando o seguinte dizer: “Tudo por Jesus e nada sem Maria”. Sem faltar o respeito por Nossa Senhora, mais o caso é que nesta frase, Maria está sendo posta no mesmo nível de Jesus e isto não é correto do ponto de vista teológico, soteriológico e, além disso, fomenta uma visão exponenciada, descabida, sem necessidade e anti-evangélica;

b) Estas mesmas pessoas confundem e desconhecem que a Igreja presta culto de veneração e não adoração a Nossa Senhora e que, existe uma grande diferença de sentido entre os cultos.

c) Maria é colocada como santa não no sentido de consagrada a Deus; ela ocupa uma posição no imaginário popular de possuidora de poderes de cura e intercessão para alguns iguais aos de Jesus.

A questão dos dogmas da Imaculada Conceição e da Assunção é outro espinho que fere as relações ecumênicas. Não foram decididos em concílios, não respondem a nenhuma necessidade basilar cristã e se utilizam de subsídios falaciosos de conveniência, mas nem por isso, devem ser obrigatoriamente descartadas.

Isso não implica que se defende uma posição de passividade ou neutralidade da importância de Maria dentro do cristianismo. Maria é a Theotókus no sentido de mãe de Deus encarnado e por mais que o sentido de sua virgindade esteja pertencendo mais a uma realidade simbólica não inserida no palco biológico, de acordo com alguns exegetas, isto não denigre a sua imagem de uma mulher santa e especial.

Uma reconciliação com os irmãos protestante seria interessante, mas, não é necessariamente obrigatória, uma vez que alguns por ignorância e outros por teimosia, insistem em minimizar a importância de Nossa Senhora ao ponto de afirmarem que rezar o terço é obra do demônio. A mediação de Maria tem que ser vista não tendo como escopo substituir a de Jesus nem tampouco se equiparar a dele ou ainda, colocar Maria ao status de divindade; é puro serviço e obediência aos desígnios de Deus.

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