Uma janela sobre o mundo bíblico

Salmos, um convite à oração



  • Estudo
  • 4984
  • 06/02/2011
Ivete Holthmam

Salmos, um convite à oração

Em hebraico o livro dos Salmos é chamado de Tehillim, ou seja, “louvores”. Trata-se da mais rica coleção de orações que a humanidade conhece.
Só é possível sentir o valor dessas 150 orações quando nos debruçamos sobre elas, quando nos sentamos para estar a sós com esse mundo literário que nos ultrapassa. É necessário dedicar tempo para degustá-lo.
Apesar da antiguidade, os salmos são sempre atuais, capazes de mexer com a alma de homens e mulheres de todos os tempos. Falam ao coração de cada um que os busca com sede. Falam das alegrias, dos conflitos, da esperança, dos anseios do ser humano. São válidos para qualquer momento de nossa caminhada. Em qualquer situação da vida é possível louvar o Senhor, seja de uma forma pessoal ou em comunidade.
Os salmos nos abrem caminhos, nos mostram nossa condição de criaturas, nos ensinam a sermos mais humanos. São como um espelho onde nos refletimos quando paramos para meditar e considerar nossa realidade humana, nossas buscas, nossos anseios. No fundo podemos dizer que eles revelam o coração da humanidade que se derrama diante de Deus.
Além disso são comparados a uma fonte onde não se retorna sem saciar a sede. “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42,3). A busca do absoluto é uma necessidade vital, sem a qual o ser humano desaparece.
Essas orações nascidas de situações concretas da vida, provocam forte impacto na âmago do ser que as medita. Falam de um coração agradecido: “Bendito seja o Senhor, pois ele escutou a minha voz suplicante” (Sl 28,6). Falam da confiança: “Em ti confio, meu Deus (Sl 25,2). Relembram a história passada do povo (Sl 106). Revelam o mais íntimo daquele que suplica: “Esperei ansiosamente pelo Senhor. Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu grito” (Sl 40,2). Têm o poder de ensinar no silêncio.
Através dos Salmos ouvimos a voz de Deus e a gerar energia espiritual. Aproximam-nos da nossa própria realidade e da do outro. Descobrimos-nos como seres em relação. É necessário ancorar nossa fragilidade humana na força de Deus. Como diz o salmista: “Só em Deus a minha alma repousa, porque dele vem a minha salvação” (Sl 62,2). Só Ele conhece a profundidade do nosso ser. Conhece-nos plenamente, por dentro e por fora, nossas ações e desejos mais íntimos, pensamentos e palavras.
Somos sempre aprendizes. Aquele que medita a Lei do Senhor dia e noite jamais pensa que aprendeu totalmente. Entrar em contato com o mundo do saltério é ampliar nosso espaço interior, abrir nosso coração ao outro, reconhecer que o Senhor é nosso criador e que somos suas criaturas.
A meditação destas belas orações dos nossos antepassados na fé, e o silêncio interior nos ajudam a conseguir o equilíbrio e a harmonia, fruto da plenitude.

4984 visitas



Comentários

Os comentários são possíveis somente através da sua conta em FaceBook