A personalidade de Paulo Profundo conhecedor da Sagrada Escritura, carrega no peito a fora e a coragem dos grandes profetas. Destemido, fariseu convicto, amante do seu povo, verdadeiro apstolo nas naes. Anuncia com fidelidade aquilo que ele mesmo recebeu e convicto que o que transmitido vem do Esprito que o anima e lhe concede um equilbrio dinmico. Paulo concentra todas suas energias fsicas e espirituais em favor de um ideal, a servio de uma causa, a Palavra encarnada. Uma causa que no uma idia e sim uma pessoa: Jesus Cristo. O que mais impressiona em sua personalidade a profunda unidade de seu sentimento. Um corao apaixonado, vibrante, totalmente dedicado, no quer ter mais ningum na frente a no ser Jesus Cristo ressuscitado. Por amor a ele renunciei a todas as coisas e considero-as lixo para ganhar a Cristo e ser encontrado nele... a fim de que eu possa conhecer a ele e virtude de sua ressurreio e, participando de seus sofrimentos, tornar-me conforme a ele na morte, para, se possvel, associar-me a ele na ressurreio dos mortos(Fl 3,8-11). So palavras de um mstico. De algum que encarnou em si mesmo os ideais de uma vida totalmente dedicada a Deus ao servio da Palavra. H, sem dvida, um mistrio na base desta presena mstica de Cristo na vida do Apstolo. Por trs da unidade que domina sua vida espiritual h um dinamismo muito grande. Podemos nos perguntar: um mstico ou um homem de ao? Quantas viagens, quantos socorros prestados, quantas peripcias teve de enfrentar no anncio do Evangelho; fadigas, contradies, perseguies, humilhaes, desprezo tudo isso nos convida a coloc-lo entre os homens de ao. Porm, ao abrir suas epstolas descobrimos o outro lado de Paulo, uma vida imersa na prece e dominada por um esprito de contemplao. Mesmo quando colocado em priso, ou at mesmo durante a tempestade em pleno mar, o Apstolo recebe a luz e a fora de um contato direto e ntimo com o Doador da vida. O trabalho e a contemplao, os sofrimentos e a alegria vividos sob a luz, a mesma luz que o interceptou no caminho de Damasco que o fazem caminhar como se estivesse certo do futuro. nesta Luz que ele deposita e ao mesmo tempo acolhe todas as energias para continuar pregando. Percebe-se que ao deixar-se invadir pela experincia de Cristo, seu corao se unificou. O mstico tambm ao em tudo o que diz, escreve e realiza. A unificao do corao o levou ao equilbrio entre ao e contemplao como santidade e compromisso social, como amor a Deus e amor aos seus irmos, como servio ao Senhor e santificao do mundo. Alm disso, ele profundamente sensvel amizade e atendo delicadeza das relaes recprocas. Enche de afeto as comunidades que fundou e transborda de gratido para com aqueles que colaboram com ele. extremamente humano, a solidariedade e o carinho pela misso fazem dele um dos homens mais admirados que a Igreja j teve. No plano mstico pessoal afloram o ardor da misso e o abandono filial de fazer a vontade do pai, seja para lutar, seja para sofrer, seja para morre. Viver Cristo e morrer Nele uma vantagem. Uma personalidade forte e irredutvel, com um raro sentido de partilha fraterna e eclesial. Entretanto, apesar de seus inmeros contatos e suas andanas por muitos lugares, um homem solitrio. Sua histria torna-se assim, o sustentculo natural de seu perfil de santo e o paradigma da f que lhe dominou e impregnou poderosamente toda a vida.