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Personalidade de Paulo



  • Estudo
  • 10328
  • 11/02/2011
Ivete Holthmam

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A personalidade de Paulo

Profundo conhecedor da Sagrada Escritura, carrega no peito a força e a coragem dos grandes profetas. Destemido, fariseu convicto, amante do seu povo, verdadeiro apóstolo nas nações. Anuncia com fidelidade aquilo que ele mesmo recebeu e é convicto que o que é transmitido vem do Espírito que o anima e lhe concede um equilíbrio dinâmico.
Paulo concentra todas suas energias físicas e espirituais em favor de um ideal, a serviço de uma causa, a Palavra encarnada. Uma causa que não é uma idéia e sim uma pessoa: Jesus Cristo. O que mais impressiona em sua personalidade é a profunda unidade de seu sentimento. Um coração apaixonado, vibrante, totalmente dedicado, não quer ter mais ninguém na frente a não ser Jesus Cristo ressuscitado. “Por amor a ele renunciei a todas as coisas e considero-as lixo para ganhar a Cristo e ser encontrado nele... a fim de que eu possa conhecer a ele e à virtude de sua ressurreição e, participando de seus sofrimentos, tornar-me conforme a ele na morte, para, se possível, associar-me a ele na ressurreição dos mortos´(Fl 3,8-11). São palavras de um místico. De alguém que encarnou em si mesmo os ideais de uma vida totalmente dedicada a Deus ao serviço da Palavra. Há, sem dúvida, um mistério na base desta presença mística de Cristo na vida do Apóstolo.
Por trás da unidade que domina sua vida espiritual há um dinamismo muito grande. Podemos nos perguntar: é um místico ou um homem de ação? Quantas viagens, quantos socorros prestados, quantas peripécias teve de enfrentar no anúncio do Evangelho; fadigas, contradições, perseguições, humilhações, desprezo tudo isso nos convida a colocá-lo entre os homens de ação. Porém, ao abrir suas epístolas descobrimos o outro lado de Paulo, uma vida imersa na prece e dominada por um espírito de contemplação. Mesmo quando colocado em prisão, ou até mesmo durante a tempestade em pleno mar, o Apóstolo recebe a luz e a força de um contato direto e íntimo com o Doador da vida. O trabalho e a contemplação, os sofrimentos e a alegria vividos sob a luz, a mesma luz que o interceptou no caminho de Damasco é que o fazem caminhar como se estivesse certo do futuro. É nesta Luz que ele deposita e ao mesmo tempo acolhe todas as energias para continuar pregando.
Percebe-se que ao deixar-se invadir pela experiência de Cristo, seu coração se unificou. O místico é também ação em tudo o que diz, escreve e realiza. A unificação do coração o levou ao equilíbrio entre ação e contemplação como santidade e compromisso social, como amor a Deus e amor aos seus irmãos, como serviço ao Senhor e santificação do mundo.
Além disso, ele é profundamente sensível à amizade e atendo à delicadeza das relações recíprocas. Enche de afeto as comunidades que fundou e transborda de gratidão para com aqueles que colaboram com ele. É extremamente humano, a solidariedade e o carinho pela missão fazem dele um dos homens mais admirados que a Igreja já teve.
No plano místico pessoal afloram o ardor da missão e o abandono filial de fazer a vontade do pai, seja para lutar, seja para sofrer, seja para morre. Viver é Cristo e morrer Nele é uma vantagem. Uma personalidade forte e irredutível, com um raro sentido de partilha fraterna e eclesial. Entretanto, apesar de seus inúmeros contatos e suas andanças por muitos lugares, é um homem solitário.
Sua história torna-se assim, o sustentáculo natural de seu perfil de santo e o paradigma da fé que lhe dominou e impregnou poderosamente toda a vida.

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