Uma janela sobre o mundo bíblico

Os Santos Católicos e Ortodoxos



  • Estudo
  • 5473
  • 17/02/2011
Celso Kallarrari

“Onias (…) estava com as mãos estendidas, INTERCEDENDO por toda a comunidade dos judeus. Apareceu a seguir um homem notável (…) Esse é aquele que MUITO ORA pelo povo e por toda cidade santa, é Jeremias, o Profeta de Deus.” ( II Mac 15,12-14).


Para o cristianismo católico, seja ele romano ou ortodoxo, os santos são todos aqueles que foram convertidos, salvos por Jesus Cristo e podem interceder por nós no céu. Em Igrejas como a Católica Romana ou Católica Ortodoxa, algumas pessoas reconhecidas por virtudes especiais podem receber oficialmente o título de Santo. Em lato sensu, de acordo com Woodward, santo é uma pessoa carismática com virtudes evidentes capazes de ser reconhecida informalmente como tal pela população. Era essa a forma de ver a santidade nos primeiros séculos da Igreja Cristã e - antes mesmo de ser reconhecido, oficial e formalmente, pelos processos de canônicos nas Igrejas Católica e Ortodoxa – até os nossos dias.

A palavra "santo" no hebraico tem o sentido ou ato de "cortar". No grego, significa "separar- separado", "diferenciar- diferenciado". O contexto indica que o crente em Jesus deve levar uma vida separada, diferenciada do atual modelo de vida da cultura vigente. Em outras palavras, ele deve viver de forma diferente à vida comum da sociedade, isto é, mostrar contrário aos valores e costumes desta sociedade secularista, adotando Cristo como seu modelo.

Por outro lado, nas Igrejas Protestantes, não existe qualquer processo de canonização. O termo santo é, muitas vezes, usado apenas genericamente para designar qualquer pessoa que é cristã. Nessas Igrejas, a dulia e a hiper-dulia são condenadas porque, nas igrejas evangélicas, correspondem, segundo suas doutrinas, a algo estritamente dirigido a Deus e, de acordo com sua interpretação, proibido pela Bíblia. Na verdade, a palavra adoração, no contexto cristão protestantes, é usada para significar um compromisso verdadeiro com Deus e seus ensinamentos. De fato, no universo protestante, a santidade tem sentido de aperfeiçoamento, isto é, a pessoa sabe que é impossível ser perfeita como Jesus foi, mas sabe também que depois de sua conversão, o pecado não deve fazer parte de seus hábitos, mantendo uma vida separada e que procura fazer o bem e agradar a Deus, renunciando os pecados.

Na Igreja Católica e na Ortodoxa algumas pessoas são oficialmente reconhecidas como santos. Elas são vistas como tendo feito algo de extraordinário ou tendo uma especial proximidade com Deus.

A veneração dos santos, em latim, cultus, ou o culto dos santos, descreve uma especial devoção aos santos populares. Embora o termo "culto" seja frequentemente utilizado, significa apenas prestar honra ou respeito (dulia). O Culto Divino está devidamente reservado apenas para Deus (latria) e nunca para o Santos. Desde os primórdios do cristianismo, os santos foram venerados particularmente junto a Santíssima e Imaculada Mãe de Deus, Theotokos e os Santos Anjos como fontes de auxílio e intercessão.

Na doutrina católica, uma vez que Deus é o Deus da Vida, os santos estariam vivos no céu, podendo por isso interceder ou orar junto a Deus por aqueles que estão ainda na terra. Essas Igrejas baseiam sua crença na comunhão dos santos proferida no Credo Niceno-Constantinopolitano e nas passagens bíblicas "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de, súplicas, orações e intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens" (I Tm. 2, 1). Um exemplo destas orações de santos falecidos, encontra-se em Macabeus. Nela, Judas Macabeus relata uma visão que teve de Onias e Jeremias, já falecidos, intercedendo pelo povo: “Onias (…) estava com as mãos estendidas, INTERCEDENDO por toda a comunidade dos judeus. Apareceu a seguir um homem notável (…) Esse é aquele que MUITO ORA pelo povo e por toda cidade santa, é Jeremias, o Profeta de Deus.” ( II Mac 15,12-14).

Um santo pode ser designado como um santo padroeiro de causas específicas ou profissões, ou invocado contra doenças específicas ou catástrofes, mas isso é somente pensamento popular, não sendo uma doutrina oficial da Igreja. Os santos não têm poderes próprios, mas apenas que os concedidos por Deus. Relíquias de santos são respeitados e muitas vezes preservadas em igrejas.

O processo de reconhecimento oficial de um santo é chamado, tanto na Igreja Católica quanto na Igreja Ortodoxa de canonização. Isto só pode ter lugar após a sua morte uma vez que a mais santa pessoa viva pode cair em pecado mortal até o último momento. Na Igreja Ortodoxa, é mais no sentido de evitar a pressa e permitir um amplo tempo de reflexão sobre a vida da pessoa.

Autor: Padre Celso Kallarrari
COMUNIDADE Ssma MÃE DE DEUS - C.Ss.M.
Publicado originalmente em: http://padrecelsokallarrari.blogspot.com

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