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o que voce entende do livro 2° reis capitulo 2 verciculo 1 ao 11? me ajude por favor eu nao consigui entender .



  • Pergunta de karen, rio de janeiro
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  • 24/02/2011
Ivete Holthmam

Leia mais sobre Elias e Eliseu | II Reis


2Rs 2,1-25


SUCEDEU que, quando o SENHOR estava para elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu de Gilgal com Eliseu.
- Elias, muito naturalmente, sendo humano, um belo dia morreu. A passagem é escrita para declarar que Eliseu, discípulo de Elias, é seu legítimo sucessor na função de profeta e homem de Deus no meio do povo.
- A fim de demonstrar esta legitimidade de sucessão, o autor faz Eliseu passar por dois conjuntos de testes, repetidos, cada um, três vezes. O emprego do teste num conto tem a função de validar a figura do personagem a quem ele é aplicado – no caso, Eliseu.
- 1) Elias que parte e diz a Eliseu ‘Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou a Betel’ – visa demonstrar que Eliseu é o fiel discípulo de Elias;
– 2) a fala dos irmãos profetas : ‘Sabes que o SENHOR hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça?. – visa demonstrar que, sobre Eliseu, também, repousa o espírito profético.

2 E disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou a Betel. Porém Eliseu disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim foram a Betel.

O teste consiste em dar uma ordem – e a ordem dada, aparentemente, carrega a autoridade de Deus – ‘o Senhor me enviou...’ Obedecer ou não obedecer? Aparentemente, o correto seria esperar que Eliseu obedecesse, e ficasse. Mas, neste caso, ele ficaria separado de seu mestre – algo inadmissível na relação mestre-discípulo – por isso, ele tem que desobedecer a ordem, e, acompanhar seu mestre.
Como a seqüência do texto mostra, isto acontece três vezes: vs. 2;4;6; a mesma coisa, repetida três vezes, resulta numa conclusão indiscutível.

3 Então os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o SENHOR hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos

O teste, desta vez, é igualmente subtil – observe-se que são profetas os que falam a Eliseu – Profeta é um indivíduo que navega pelo mundo espiritual e, conseqüentemente, sabe das coisas que dizem respeito a ele.
À pergunta ‘Sabes que... ?’, Eliseu pode responder ‘sim’ ou ‘não’; como acima, se ficasse no lugar, seria automaticamente desclassificado, aqui, também, se responder ‘não sei’, ele ficará automaticamente desclassificado. A resposta tem que ser ‘sim’, ponto final.
Ao responder ‘sim’ ele demonstra que também é profeta, que também navega pelo mundo espiritual, que sabe que seu mestre será arrebatado.
Este teste é repetido duas vezes identicamente: vs. 3;5. O terceiro elemento, que começa no v. 7, será concluído com o reconhecimento da legitimidade de Eliseu como sucessor de Elias, e a demonstração de obediência por parte do grupo profético de Jericó : v. 15 : ‘O espírito de Elias (isto é, o espírito profético) repousa sobre Eliseu’.
Siga agora estes passos até o v. 8

4 E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou a Jericó. Porém ele disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim foram a Jericó.
5 Então os filhos dos profetas que estavam em Jericó se chegaram a Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o SENHOR hoje tomará o teu SENHOR por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos.

“Sabes que hoje o Senhor vai arrebatar teu amo...?” Isto não visa saber o conhecimento dos profetas, mas perguntar para ver se ele (Eliseu) sabe o que vai acontecer. Eliseu tem que saber (e isto é uma prova de que ele tem em si o Espírito Profético. “os dois partiram juntos”. Quando andamos a leste em direção ao oriente chegamos ao Jordão. O movimento que eles estão fazendo é contrário ao passado. Josué fora do Oeste para o Leste. Só restou Elias como fiel a Deus no Reino de Israel, o resto se rendeu a Baal. O autor está fazendo Elias sair do Egito (idolatria) e ir para o deserto. . Israel na opressão tinha se transformado no próprio Egito.

6 E Elias disse: Fica-te aqui, porque o SENHOR me enviou ao Jordão. Mas ele disse: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim ambos foram juntos.
Os discípulos devem aprender tudo do mestre, até a maneira como ele gesticula, olha, bebe, anda, a sobriedade, pois o mestre é alguém que encarna o ideal de uma vida em sociedade: cultura, idioma, habilidade, costumes
A força maior: um discípulo não conseguiria ficar longe do mestre, por isso tudo é que Eliseu não se afastou de Elias. O autor quer provar Eliseu: se tivesse ficado em Guilgal, Eliseu não seria um discípulo de Elias.
“Tão certo como o Senhor e tu vives...” = é um juramento. É como se estivesse dizendo: Eu juro por Deus. Ele jura por Deus e por Elias.
Eliseu é um discípulo. Ele sabe que ficar é errado e desobedecer é o certo, pois um discípulo não se afasta do seu mestre.

7 E foram cinqüenta homens dos filhos dos profetas, e pararam defronte deles, de longe: e assim ambos pararam junto ao Jordão.
Importante aqui é também o movimento geográfico. Indica que sem Elias a Terra de Israel não é melhor que o Egito. Ela não é diferente. O paganismo também lá existia.

8 Então Elias tomou a sua capa e a dobrou, e feriu as águas, as quais se dividiram para os dois lados; e passaram ambos em seco.
O autor demonstra aqui a grandeza de Elias, fiel discípulo de Moisés, ao abrir o Jordão e ao atravessá-lo a pé enxuto; mas, ele não é outro Moisés – observe a diferença: Elias não possui a vara divina (algo único de Moisés); Elias enrola seu manto, profético (enrolado, o manto claramente evoca a vara divina), por isso sinal da presença e do poder divinos.

9 Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti.

Evidentemente, dado que o texto visa validar a figura de Eliseu como legítimo sucessor de Elias, a única coisa que Eliseu pode pedir é o espírito.
A proposta de Elias e o pedido de Eliseu não visam algo futuro – sua função é estabelecer um fato, já verificado acima, na pergunta dos irmãos profetas: ‘Sabes...?’ Isto é, que o espírito profético repousa sobre Eliseu.

E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim.

O espírito é indivisível; a porção dobrada, dupla, é uma maneira de afirmar a legitimidade de modo inquestionável.

10 E disse: Coisa difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará.

Se o arrebatamento fosse algo na ordem física, seria necessário ter o espírito para vê-lo? Obviamente não! Inversamente, se é necessário ter o espírito para vê-lo, deduz-se que se trata de um acontecimento na ordem espiritual.

11 E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.

Carro e cavalos de fogo representam a carruagem divina.

12 O que vendo Eliseu,

O emprego do verbo ‘ver’ é decisivo – Eliseu viu, portanto, o arrebatamento de seu mestre – Conclusão: sobre ele repousa o espírito.

clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, pegando as suas vestes, rasgou-as em duas partes.

Meu Pai – expressão típica na boca do discípulo na relação com o mestre.
Rasgar suas vestes – as vestes que caracterizavam Eliseu como discípulo – é aqui um ritual de passagem – ele já não é mais discípulo – tornou-se mestre. Em duas partes: veja acima, dupla porção.

13 Também levantou a capa de Elias, que dele caíra; e, voltando-se, parou à margem do Jordão.

14 E tomou a capa de Elias, que dele caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o SENHOR Deus de Elias? Quando feriu as águas elas se dividiram de um ao outro lado; e Eliseu passou.

Observe-se as diferenças entre Elias e Eliseu na travessia do Jordão – Elias enrola o manto (à semelhança da vara divina nas mãos de Moisés); Eliseu não o enrola (por isso, ele não é Elias, embora semelhante). Sob Elias, a travessia foi realizada a pé enxuto; com Eliseu, não! etc.

15 Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra.

O terceiro grupo dos irmãos profetas volta á cena para fazer a declaração final : “o espírito repousa sobre Eliseu” – e fazem seu ato de obediência.


16 E disseram-lhe: Eis que agora entre os teus servos há cinqüenta homens valentes; ora deixa-os ir para buscar a teu senhor; pode ser que o elevasse o Espírito do SENHOR e o lançasse em algum dos montes, ou em algum dos vales. Porém ele disse: Não os envieis.
17 Mas eles insistiram com ele, até que, constrangido, disse-lhes: Enviai. E enviaram cinqüenta homens, que o buscaram três dias, porém não o acharam.
18 Então voltaram para ele, pois ficara em Jericó; e disse-lhes: Eu não vos disse que não fosseis?

Nestes três últimos versículos, o autor lida abertamente com a questão da dimensão – física ou espiritual – do acontecimento. Lembremo-nos do seguinte: Elias está morto, e o texto é escrito para defender a sucessão por parte de Eliseu.
Mas sempre há aqueles que ficam presos à dimensão física. É por isso que ele acrescenta este último trecho: querem procurar o Elias histórico, carnal. A insistência em procurar o Elias histórico visa a demonstração final : subiram e desceram montanhas, durante três dias (veja acima a repetição tríplice dos testes), mas voltaram de mãos vazias. A frase final de Eliseu é esclarecedora: ‘Não vos disse eu que não fosseis?’
A colocação acima é relevante para o problema de saber se Jesus ressuscitado permanece uma realidade física ou tornou-se uma realidade espiritual.

Conclusão: É desta passagem que se inspirou o autor de Atos 1,9-11, para tratar do arrebatamento de Jesus.
Duas vezes ele emprega a noção de arrebatamento ou elevação; cinco vezes ele emprega a noção de ‘ver’, através de diferentes verbos.
Jesus é arrebatado.
Os discípulos vêm o arrebatamento.
Ao afirmar que os discípulos ‘vêm’ o arrebatamento de Jesus, o autor de Atos nos declara:

- sobre os discípulos repousa o espírito do ressuscitado

- eles, portanto, são os legítimos sucessores de Jesus.


Texto baseado nos estudos de Vitório Cipriani

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