Uma janela sobre o mundo bíblico

Existe algo contra ou é considerado um pecado uma jovem de 19 anos e um homem de 41 se casarem, ele sendo divorciado?



  • Pergunta de Marilaine, Osasco
  • 3747
  • 28/08/2007
Luiz da Rosa

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A sua pergunta nos conduz a analisar sobretudo a questão do divórcio na Bíblia.

Em geral, para os cristãos, toda resposta deve apoiar-se nas palavras de Jesus: O homem não separe aquilo que Deus uniu (Mateus 19,6). A partir desta frase é claro que Jesus não é favorável ao divórcio. Porém a questão é complexa e não podemos abafar o assunto tão rapidamente.

No Antigo Testamento o matrimônio é uma instituição divina e a sua indissolubilidade representa a vondade divina. Basta considerar, além do texto da criação em Gênesis, os livros sapienciais que elogiam a fidelidade no matrimônio (Provérbios 5,15-19); também Eclesiastes 9,9 diz que graças ao matrimônio o homem e a mulher se tornam uma só carne; e Malaquias 2,14-16 diz: “eu odeio o divórcio, diz Yahweh, Deus de Israel”.

Apesar dessa idéia fundamental, o divórcio existe no Antigo Testamento. Segundo Deuteronômio 24,1, basta “qualquer motivo’ para o homem mandar embora a própria esposa. O procedimento era simples: o marido fazia uma declaração na qual dizia: “ela não é mais a minha esposa e eu não sou mais o seu marido” (Oséias 2,4). Essa declaração permitia à mulher repudiada de realizar novo matrimônio. As mulheres, todavia, não haviam nenhum direito de pedir o divórcio.

Entre os judeus foi grande a discussão para definir qual podia ser um motivo de divórcio, conforme Deuteronômio 24. Essa discussão continuou inclusive no tempo de Jesus, quando, entre os chefes do judaísmo, existiam duas escolas com pareceres diversos. Segundo o Rabi Shammai a única causa de divórcio podia ser o adultério ou o comportamento imoral; Hillel, invés, dizia que bastava uma razão simples, como cozinhar um almoço mal, ou também o fato do marido gostar mais de outra mulher. Parece que um texto de Mateus se insere dentro do quadro deste debate. De fato alguns fariseus fazem a seguinte pergunta a Jesus (Mt 19,3): “É lícito repudiar a própria mulher por qualquer motivo?” A resposta de Jesus é mais radical do que aquela de Shammai: o matrimônio é indissolúvel e quem se divorcia comete adultério, peca (conferir também Mateus 5,31-32).

Todavia nesse texto Jesus parece deixar uma possibilidade de separação: o divórcio pode acontecer em caso de “porneia” (Mt 5,32; 19,9). Essa exceção não aparece nos textos paralelos (Mc 10,11ss; Lc 16,18; e 1Cor 7,10s) e alguns exegetas dizem que provavelmente Jesus não tenha considerado nenhuma excessão e que no evangelho de Mateus o termo ‘porneia’ é um acréscimo influenciado pelo ambiente judeu-cristão, os destinatários de Mateus. Independente desse problema de crítica textual, existe ainda a questão da tradução do termo grego ‘porneia’. A maioria das versões bíblicas traduzem o vocábulo grego com ‘prostituição’. A Bíblia de Jerusalém estranhamente traduz porneia de 5,32 com ‘fornicação’ e 19,9 com ‘prostiuição’. Isso revela a dificuldade de traduzir tal vocábulo. Os exegetas em geral relativizam essa ‘excessão’, dizendo que provavelmente Jesus não entendia uma separação no sentido de divórsio, mas uma separação em casos de falsos casamentos, como aquele entre parentes.

Outra possibilidade de separação aparece em 1Coríntios 7,15, onde encontramos o que tecnicamente é chamado de “previlégio paulino”: se um cristão se casa com um pagão pode eventualmente separar-se dele. Porém o pedido de separação deve vir do pagão e não do cristão, pois para o cristão, de qualquer forma, o casamento deve ser indissolúvel.

Sem adentrar nas questões relativas à interpretação dessas duas ‘excessões’, concluímos que não existe em nenhum momento aceno ao casamento após o divórcio. Isso sublinha como na Bíblia o casamento é uma instituição divina, para toda a vida. E o divórcio não é coisa agradável aos olhos de Deus.

Por outro lado, é igualmente importante sublinhar que Deus não deixa de amar o divorciado e todo pecador merece a misericórdia infinita de Deus.

Quanto ao outro aspecto da sua pergunta, a diferença de idade, não se trata de um problema. A distância na idade sem dúvidas pode ser superada pelo proximidade, fruto típico do amor. Pode ler outra resposta aqui no site sobre a diferença de idade no casamento

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