Uma janela sobre o mundo bíblico

A teologia da prosperidade é biblica ou é invenção de exploradores para arrancar dinheiro do povo com falsas promessas de bênçãos?



  • Pergunta de Valdenir, Piracicaba
  • 4004
  • 08/05/2011
Luiz da Rosa

Primeiro de tudo, sublinho que não tenho nenhuma experiência prática com esse tipo de teologia, vista a minha formação teológica. Se alguém quisesse ler alguma informação histórica sobre esse fenômeno, pode acessar esse link, que conduz a um artigo de Alderi Souza de Matos, doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Basicamente a teologia da prosperidade, baseando-se em textos como Gênesis 17,7 (promessa a Abraão), Marcos 11,23-24 (o que pedirdes recebereis) e Lucas 11,9-10 (pedi e vos será dado), retém que os verdadeiros crentes em Deus deveriam gozar de uma excelente situação no âmbito financeiro, da saúde e outros. Nascida nos Estados Unidos, chegou no Brasil pelos anos 80. É muito expressiva em alguns movimentos neo-pentecostais, como a Igreja Universal, Igreja da Graça de Deus, Renascer entre outros.

 

Uma análise objetiva da realidade nos obriga a declarar que há muitas pessoas com tanta fé, verdadeiros cristãos, que não gozam nem de uma vida com tanto dinheiro e, tantas vezes, tão pouco de saúde e sobriedade sentimental. Todas essas pessoas rezam em continuação a Deus, mas a situação delas não muda, materialmente falando. Portanto, do meu ponto de vista, penso que o cristão, por ser fiel, não necessariamente vive em condições adequadas ao ser humano. Por outro lado é verdade que Deus criou o mundo e o ser humano para viver bem. De fato, na criação, viu, depois de ter criado, que tudo era bom. Todavia o pecado rompeu esse "encanto". Mesmo que a justificação tenha acontecido na morte e ressurreição de Cristo, somos continuamente pecadores e estamos longe da perfeição. Vivendo em comunidade, não basta que alguém seja santo para que o mundo se torne santo; aumenta a sua santidade, mas não alcança a perfeição. O pecado tem uma dimensão comunitária, da qual não podemos nos subtrair. Se alguém é pobre, não significa que não seja santo, mas indica que dentro do mundo há situações que evidenciam decisões contrárias à vontade divina.

 

Uma vida sã, em todos as esferas, é auspicável e e todo cristão é plenamente realizado se a alcança. Por causa da nossa condição de pecado, unida à intrínseca santidade, não conseguimos trazer essa realização a todos. Bênçãos não podem mudar definitivamente situações contrárias à vontade de Deus, sobretudo por que, muitas vezes, os responsáveis das tragédias humanas não se deixam bendizer por Deus. Além disso, a fé, como o amor, pra ser verdadeira, deve ser gratuita e não esperar nada em troca. O verdadeiro crente, quando é abençoado, não deve esperar nada em troca, a não ser almejar a vizinhança com Deus e tudo mais lhe será dado em acréscimo.

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