Uma janela sobre o mundo bíblico

É possível “conviver” e frequentar a Igreja?



  • Pergunta de josi, italia
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  • 23/07/2011
Luiz da Rosa

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A pergunta acima resume a questão muito mais complexa enviada por nossa amiga Josi. Assim ela diz:

Moro junto com meu companheiro há 1 ano e meio. Há alguns meses estamos frequentando a igreja evangélica e estamos aprendendo mais sobre a Bíblia. Acontece que estou triste por que, não sendo casados, o meu marido não quer mais que tenhamos relações sexuais. Eu sei que pecamos... Mas nesta situação eu me sinto cada dia mais afastada dele. Eu o amo muito. Por isso gostaria de saber se é justo um casal que se ama e por que vai à igreja se afastar desta forma?

 

Josi, a situação de “convivência” que você narra é muito comum na sociedade de hoje. Obviamente não era assim no tempo de Cristo. Lembramos, por exemplo, que há pouco tempo atrás, uma mãe solteira era motivo de grande escândalo. No tempo de Cristo todas as pessoas que viviam juntas eram legalmente casadas. É verdade que existia o divórcio - que Jesus condenou -, mas ninguém convivia, com raras excessões, só por que se amava. Era tudo feito com um processo público.

 

Tendo em vista esse contexto em que os textos bíblicos foram escritos, nós não encontraremos na Bíblia uma orientação direta ao seu caso. Na verdade existem tantas outras situações para as quais a Bíblia não tem respostas diretas. Mas isso não quer dizer que a Bíblia não diga nada que nos ajude a discernir como se comportar diante destas experiências. Todavia é importante prestar atenção, pois podemos nos encontrar diante de posições pessoais que não necessariamente traduzem aquilo que é a Vontade de Deus. Creio que podemos escutar os conselhos, mas cabe a cada um escolher a própria estrada, prestando atenção no que diz a Palavra de Deus. Portanto também a minha é uma opinião e não um dogma. Reflitam juntos, conversando, escutando...

 

Não conheço todas as circunstâncias do seu caso, mas é óbvio que o estudo da Bíblia despertou em vocês uma reflexão sobre o sentido de estar juntos. Acredito que aqui esteje o ponto crucial da sua caminhada de fé; e está dando frutos! Penso, contudo, que seja absolutamente errado reduzir esta reflexão à questão sexual. Então quer dizer que vocês podem conviver, sem ter relações? Tal atitude se reduz quase a uma hipocresia, a um mero moralismo. A reflexão deveria questionar a intensidade da convivência e não apenas a questão sexual. Explico-me mais claramente.

 

Depois de ouvir a Palavra de Deus é natural que nos questionemos sobre nossas ações e relações. Todavia a Palavra nos convida a valorizá-las, revestindo-as de um teor cristão. Em relação a sua situação concreta, em caso de convivência, no meu conservadorismo, acredito que a mensagem bíblica nos ensine que não podemos “apenas” conviver, mas dar um “sim” para toda a vida através de um vínculo público. É lógico que não conheço, como disse, os detalhes de suas vidas; nem sempre é possível realizar um matrimônio. Dentro do limite de cada situação, acredito que seja essa a meta que dois cristãos que se amam devem ter: viver o próprio amor de forma pública, com um compromisso que seja para toda vida. Ou seja, se vocês convivem há algum tempo, como você contou, não vejo razão para se afastarem um do outro. Creio seja necessário buscar consolidar a relação, com um compromisso sincero.

 

Imagino que será difícil você escutar um padre ou um pastor falando assim, mas como leigo, espontaneamente me sinto de aconselhar esta estrada, que acredito não ser longe da mensagem bíblica.

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