Uma janela sobre o mundo bíblico

Mês da Bíblia 2011: Êxodo 15 -18 – Caminhada passo a passo



  • Estudo
  • 13533
  • 13/08/2011
Odalberto Domingos Casonatto

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Em 2011 o texto proposto para ser aprofundado no mês da Bíblia é o livro do Êxodo nos capítulos de 15 a 18. Aqui estão algumas reflexões motivadoras, vindas dos subsídios e círculos bíblicos e catequese, que a CNBB colocou a disposição.

 

Já nos acostumamos com o mês da Bíblia, em setembro. É importante ter uma atividade assim, aprofundando a cada ano algo da mensagem bíblica. Muitos frutos preciosos vêm sendo colhidos, ao longo do tempo, com esse trabalho que nos dá oportunidade de mergulhar no texto bíblico e fazer crescer tanto o amor à Palavra de Deus como um conhecimento mais atualizado de sua interpretação.

A Bíblia não é só livro de estudo, é fonte de oração, de questionamento, de amadurecimento do povo de Deus, de transformação de vida. Quando uma comunidade realmente alimenta sua intimidade com a Bíblia, mudanças muito significativas acontecem, não só na catequese e na vivência da oração e da liturgia, mas em todos os aspectos da vida cristã. Por isso é importante que essa atividade não fique separada das outras, que se ligue ao que a Igreja faz, em todas as suas áreas e que se relacione com o que será refletido em outros projetos durante o ano. Pastoral de conjunto não é apenas uma técnica a ser considerada no planejamento, é um jeito de ser Igreja que de fato nos ajuda a ser visível comunidade de irmãos e discípulos.

 

Tema e lema do mês da Bíblia de 2011

Em 2011, o texto proposto para ser aprofundado no estudo bíblico é o livro do Êxodo nos seus capítulos de 15 a 18. Ali encontramos episódios muito significativos da caminhada do povo pelo deserto:

1 - Cântico de Moisés e Miriam (lembrando a necessidade de celebrar o que vivemos)

2 - Água amarga que se torna doce, um lugar com doze fontes (Ex 15) e água que brota do rochedo (Ex 17)

3 - Reclamações do povo diante das dificuldades encontradas no deserto

4 - Alimento fornecido por Deus (codornizes e maná) para ser consumido com responsabilidade, sem acumulação

5 - Destaque para o sábado como dia de pausa nas atividades (não se colhe maná nesse dia)

6 - Uma batalha em que a vitória acontece porque Moisés, que anima o povo, tem suas mãos sustentadas por Aarão e Hur (Ex 17)

7 - Jetro ensinando Moisés a partilhar a liderança, formando equipes (Ex 18)

 

Além disso, a caminhada pelo deserto, no seu conjunto, é um símbolo potente da construção da identidade do povo, que se vai moldando ao regulamento da Aliança.

 

Considerando esse panorama, foram escolhidos o tema e o lema do nosso próximo mês da Bíblia:

Tema: Travessia: passo a passo o caminho se faz.

Lema: Aproximai-vos do Senhor (Ex 16,9)

 

Se estivermos querendo de fato uma Pastoral de Conjunto, não podemos tratar o mês da Bíblia como algo isolado. No momento, estamos refletindo muito, em todas as áreas da Igreja, sobre a necessidade de uma boa iniciação à vida cristã, nesse nosso novo tempo caracterizado como “mudança de época”. Então, é dentro desse panorama que vamos inserir o mês da Bíblia.

Iniciação tem a ver com formação de uma identidade, vivida como experiência transformadora de compromisso com um projeto de Deus que atinge por inteiro a vida da pessoa. A caminhada do povo de Deus pelo deserto tem função bem semelhante: é um caminho, que se faz passo a passo (como se vê no enunciado do tema do mês da Bíblia) na direção da formação de um povo com consciência da importância da missão que lhe foi dada por Deus. As leis que vão orientar o povo são dadas nesse caminho e vão formar uma identidade religiosa capaz de enfrentar muitos desafios; até as dificuldades que o povo encontra nesse processo podem servir como ponto de reflexão sobre a caminhada de quem quiser hoje se tornar cristão, discípulo verdadeiro de Jesus.

Travessia – outra palavra que aparece no tema – significa passagem de uma situação à outra, algo que se relaciona muito bem com a tão falada “mudança de época”, contemplada em nossa reflexão sobre iniciação á vida cristã.

 

O mês da Bíblia e a Campanha da Fraternidade de 2011

A Campanha da Fraternidade de 2011 alertou sobre aquecimento global e uso predatório dos recursos do planeta. O texto do mês da Bíblia mostra o povo no deserto, precisando do essencial (não do supérfluo). Esse essencial está bem representado na necessidade de água e de comida. Uma água amarga se torna potável e parece que nós hoje estamos fazendo o contrário, tornando a água imprópria para consumo. O maná é o alimento essencial e suficiente. Pode ser visto como símbolo dos recursos naturais que Deus nos deu no planeta para a sustentação da vida. Mas não pode ser desperdiçado nem acumulado. O livro do Êxodo nos capítulos de 15 a 18 oferece textos motivadores para uma boa continuação da reflexão feita na Campanha da Fraternidade. O povo no deserto caminha com a promessa de encontrar uma terra onde corre leite e mel (um lugar bom para se viver). E nós, para onde caminhamos se não aprendermos a cuidar bem do planeta?

 

A parte que vamos estudar neste mês da Bíblia

Vamos tratar do livro do Êxodo nos capítulos 15 ao 18. É um período intermediário entre a libertação e o recebimento da Lei. É interessante chamar isso de “A Cartilha da Caminhada”´, um título que evoca nossa caminhada de hoje, a preparação para o discipulado, mas também para a própria vida numa comunidade religiosa. O texto nos mostra algumas dificuldades, crises, dúvidas, mas também soluções que caberiam bem no nosso trabalho pastoral de hoje.

É nessa ótica que vamos examinar o que o mês da Bíblia nos propõe.

 

1°. Trecho - Capítulo 15: precisam de água

Hino de Moisés – Cântico da Vitória Êxodo 15,1-21

 

Depois da travessia do Mar Vermelho a pé enxuto e o exercito do Faraó destruído, o povo de Deus começa a travessia do deserto. Deus forte e poderoso se faz presente e o povo quer celebrar os feito realizados por Deus em seu favor. Assim antes da caminhada celebram os grandes feitos de Deus por Israel. Portanto para o Povo de Deus celebrar é proclamar que Deus esta presente, Deus esta caminhando junto.

Êxodo 15, 1-21 é uma celebração de ação de graças. Este cântico é um dos mais importantes que a liturgia cristã toma do Antigo Testamento e mostram os feitos de Deus o seu poder e a sua salvação em favor do seu povo

O questionamento do que celebramos aparece no cântico e mostra a facilidade com que esquecemos o motivo celebrado. Sempre somos tentados em voltar ao nosso antigo modo de viver. A celebração prepara o Povo para travessia do deserto para que não se arrependa durante a caminhada. Celebrar os feitos conseguidos é muito fácil, mas lutar para viver o que celebramos é a maior dificuldade.

O texto de Êxodo 15,19-21 fala da força e da presença de Deus e exaltamos com alegria que o Senhor esta no meio de nós. A celebração nunca é o final de uma caminhada, mas pelo contrario é sempre o início é o ponto de partida mostra que nós estamos caminhando e o Senhor Deus está conosco, Ele nos acompanha, Ele está no meio de nós, estamos confiantes.

Neste poema surge a pergunta “Quem entre os deuses é como tu?” (Ex 15,11). Mostra à compreensão gradual da identidade do Deus único, que se completará mais tarde.

 

2°. Trecho - Vencer a Sede Ex 15, 22-27

 

O povo caminhou três dias no deserto e não achou água, no versículo 24 o povo murmura três dias após a celebração dizendo o que vamos beber?

“Mas quando chegaram a Mara não puderam beber a água de Mar, porque era amarga; por isso chamou-se Mara. O povo murmurou contra Moises, dizendo: Que havemos de bebe”? Ex 15, 23-24

Diante da dificuldade o povo se volta contra alguém, querem que Moises resolva o problema da água. Moisés neste momento personifica todas as pessoas que conduzem e lideram o povo. Moisés tem que ser tudo o que o Povo quer ao mesmo tempo o líder, o guia na caminhada do deserto, esperam que ele aponte o caminho certo. Moises é chamado para ser o grande animador que ajude o povo a superar a dificuldade do momento: falta de água e fonte de águas amargas: Mara. A questão é vencer a murmuração, existe uma causa que deve ser removida porque a caminhada continua. O importante é manter o povo no caminho do deserto superando as dificuldades, superando os problemas, não se deixando abater por nenhuma causa: mesmo a dificuldade das águas amargas.

No versículo 25 Moisés se volta para Deus e Deus estende a tabua da lei. Este versículo mostra como transformar em doçura o que há de amargo na vida? Porque tanta murmuração contra Deus por parte de seus filhos prediletos. Deus quer indicar que a sua lei transformará suas vidas de um tempo de amargura para um tempo de doçura. É necessário acreditar e ser fiel a sua palavra, na travessia do deserto. No versículo 26 Javé fala:

“Se ouvires atento a voz de Iahweh teu Deus e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, se deres ouvido aos seus mandamentos e guardares todas as suas leis, nenhuma enfermidade virá sobre ti das que enviei sobre os egípcios. Pois eu sou Iahweh aquele que restaura.” (Ex 16,26)

Eu sou Javé aquele que cura você. O que adoça a vida das amarguras é a Palavra de Deus. Se Moisés tivesse desanimado na caminhada e em suas iniciativas a água continuaria amarga, os obstáculos seriam cada vez maiores, porém o que nos faz vencer na caminhada do deserto é à força da Palavra de Deus. O povo de Deus venceu a murmuração com a força da Palavra.

O medo que nos leva a murmuração só poderá ser vencido pela presença de Iahweh.

Celebrada a vitória, agora os caminhantes têm que enfrentar as conseqüências da liberdade. Falta água no deserto. E agora? A água que conseguem encontrar é amarga. Na Bíblia a água aparece tanto como fonte de vida como de morte (e até hoje não é assim?). Em qualquer conquista importante, de vez em quando vamos perceber que falta “abastecimento” ou que está a nosso dispor uma “água” que não é saudável. O povo resmunga nessa hora. E quem de nós já não viu algo parecido?

O capítulo termina com uma linguagem simbólica bem típica da Bíblia: chegam a um lugar com 12 fontes de água (número do povo, doze tribos, vida para todos) e 70 palmeiras (sinal de plenitude no resultado da “água”).

“Então chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta Palmeiras; acamparam junto as águas”(Ex 15,27)

 

Questões e dúvidasna caminhada de hoje:

Comunidade: Que “águas amargas” aparecem na caminhada da Comunidade? Como tratamos isto?

Catequese: Como interpretamos as leis de Deus que aparecem. Elas nos ajudam a curar ou são simples ameaças?

Campanha da Fraternidade: Como se apresentam as águas do planeta? O que fazer para que a terra o mar sejam semelhantes ao lugar das “12 fontes e 70 palmeiras” que aparece em Ex 15,27?

 

3°. Trecho - Capítulo 16,1-36: Vencer a Fome. As codornizes e o maná

 

Saudades do tempo do Egito

Reaparece o grupo da murmuração. Este grupo esta sempre pronto a desestimular o caminho para a libertação. Sentem saudades do passado vivido no Egito. O grupo presente em 15,24 reaparece com mais força e influência toda a comunidade dos filhos de Israel.

Qual é o problema da murmuração? Aparece agora à falta de alimento e eles murmuram contra Moises.

“Antes fossemos mortos pela mão de Iahweh na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Certamente nos trouxeste para este deserto para fazer toda esta multidão morrer de fome.” (Ex 16,3)

Parece que a murmuração não seja tão verdadeira, pois na escravidão não teriam nem acesso as panelas de carne e uma alimentação abundante. Moises se defende afirmando “não são contra nós as vossas murmurações é sim contra Iahweh” (Ex 16,8).

Na resposta deste problema, junto com o alimento que Deus envia para saciar a fome aparecem duas temáticas de importância: o sábado e os mandamentos. A narrativa também apresenta o fato que o maná não poderia ser acumulado, de um dia para outro, pois apodreceria. Deveriam recolher somente a quantidade suficiente, Deus estaria providenciando uma alimentação farta, durante toda a travessia. Ainda esta situação se contrapõe a falta de alimento no Egito, junto com a escravidão e o povo agora tem um dia de descanso, que no Egito não existia. A questão da lei aparece aqui ligada ao sábado, ao descanso. Não é lei opressora, que escraviza, mas que conduz a libertação.

 

Portanto a murmuração pela falta de alimento e a questão do descanso entram no texto como ensinamento divino ao povo para que veja que a volta ao regime de escravidão tiraria novamente deles a liberdade e a autodeterminação.

 

O texto nos ensina duas lições:

1) o recurso da natureza (representado no maná) é para ser usado, não abusado e estragado; é suficiente mas não objeto de ganância; caso contrario o produto apodrece. Ensina-nos o texto a vivencia da partilhar e da fraternidade. A vida será boa para todos se não existir “donos” do supérfluo.

2) Para guardar o sábado dever-se-ia colher em dobro na sexta feira. O sábado surge como instituição de preceito Homem e natureza observam (caso do maná) O ensinamento de Jesus nos evangelhos sobre a observância do sábado nunca cansa de mostrar este aspecto.

 

Lembrando o texto base da CF 2011, os recursos do planeta estão simbolizados no uso do maná. Mesmo a questão ecológica quando esta sendo usada de forma egoísta estragam a vida. Deus pensou a humanidade como uma grande família, que se cuida, e não vive de forma egoísta. A questão do sábado contrapõe o regime de escravidão do Egito, intercalando na existência ritmos de descanso. Não só de trabalho vivemos: precisamos de pausas, reflexão e convívio familiar. O sábado assim é visto muito mais como descanso e aproximação do Senhor do que uma obrigação.

 

Questões e dúvidas na busca do alimento na caminhada de hoje:

Comunidade:Como educamos a comunidade para o uso fraterno e responsável dos bens planeta?

Catequese: Levamos as crianças da catequese a percepção que as leis de Deus nos ajudam a viver melhor?

Campanha da Fraternidade: Já descobrimos o fio condutor que ajuda a ligar a C.F com o mês da Bíblia

 

4°. Trecho - Vencer a descrença Ex 17,1-7 Olha a água de novo!

Iahweh esta presente

 

O texto inicia localizando o povo na caminhada do deserto. O povo se angustia e pergunta (v.7) “esta Javé no meio de nós ou não?”. O problema central mostrado é a descrença com a questão da falta de água. No deserto faltar água não seria problema, pois de antemão se sabe da dificuldade e a gente se prepara quando vai ao deserto. Mas aparece algo mais complicado toma rumo uma denuncia do Povo a Moises. Caracteriza-se o fato por uma disputa jurídica. Existe uma acusação “por que nos fizestes subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado?”

A história só muda quando Moisés diante da corte dos anciãos atende a reivindicação do povo e tira água da rocha. Aí é esclarecida a tentação de Iahweh que o versículo 17,7 questiona a descrença do povo na presença de Iahweh na caminhada do deserto. O texto dá uma resposta a esta descrença mostrando que onde esta presente Iahweh poderá existir dificuldades, mas nunca o padecimento do povo. O povo deve reafirmar a sua fé e sentir que Deus está com ele.

Falta água outra vez e o povo pergunta de novo: Por que nos fizeste sair do Egito? Em nossa caminhada também não é só uma vez que vamos sentir falta de algo essencial.

Falta confiança em Deus e reconhecimento da importância da caminhada que vai concretizar a libertação. Muita gente prefere acomodação, mesmo com horizontes bem estreitos, já sabemos.

Deus vai repetir o fornecimento de água, que dessa vez virá de um rochedo no monte Horeb (outro nome para o Sinai, o monte dos mandamentos) no qual Moisés vai bater com a mesma vara com que tinha feito prodígios no rio do Egito.

 

Questões e dúvidas da presença de Iahweh na caminhada:

Comunidade:O que os Moisés de hoje (Catequistas, lideranças pastorais etc.) deveriam fazer para que o povo se sinta guiado por Deus?

Catequese: Que tipos de “sede” precisamos combater hoje? Amor e solidariedde ajudam a evitar as “sedes” do mundo?

 

5°. Trecho - Vencer o desanimo Ex 17,8-16

Nunca duvides da presença de Iahweh

 

Está pericope dos versículos 8 a 16 esta ligada a narrativa anterior, a batalha do povo de Israel contra os Amalecitas em Rafidim. É um ataque traiçoeiro dos Amalecitas contra o povo de Israel que se encontrava cansado da travessia, e mostra que os Amalecitas não temem a Javé e por isso se justifica sua destruição. Aparece a figura de Josué, que seleciona os guerreiros e comanda a batalha. Entretanto a vitória esta ligada a Moises destacando o aspecto do culto e adoração v.15 com a edificação de um altar. Batalhas como esta eram constante, pois os povos nômades disputavam pastagem para seus rebanhos. A narrativa mostra a necessidade de vencer o desânimo, a batalha se torna uma espécie de “guerra santa” e a certeza de vitória esta na adoração ao Deus libertador, que os acompanha e que os dirige na caminhada do deserto

O desânimo entra na nossa vida quando na travessia nos sentimos atacados pelas pessoas. Quando somos atacados pelos inimigos, rezamos. Quando rezamos somos vencedores, se paramos de rezar perdemos a luta. O modo de vencer o desânimo é a oração. Quando somos atacados o melhor que podemos fazer é buscar apoio.

Como seres humanos somos limitados, fracos e cheios de defeitos. Moisés como líder da caminhada prevê que não vai agüentar levar o grupo e então organiza a resistência. O que vai vencer o desânimo diante desta luta não é apenas a oração solidária, mas também ter amigos.

O versículo 14 é pedagógico e tem um objetivo? Então Iahweh disse “escreve isto para memorial em um livro” Lemos o livro para fazer memória, para que não esqueçamos e ao lembrar assumamos isso na vida. Quando fazemos memória dos erros sabemos que é possível caminhar. Todos nós aprendemos com os erros. Temos possibilidade de não errar onde os inimigos erraram. Simplesmente não podemos alegar que não tínhamos conhecimento. Um dia todos serão julgados e não podemos alegar falta de conhecimento.

O Versículo 15 fala que foi através do cajado que o povo atravessou o deserto, se alimentou, bebeu, entretanto o cajado não é sinônimo de poder.

Na liderança de um grupo ninguém é insubstituível e Moisés vai aprender isso. Moisés faz toda a travessia mas não entra na Terra Prometida, passa o cajado antes de chegar.

Nossa tarefa é única a de preparar os nossos substitutos para que estejam mais próximos do Senhor. Temos que continuar na travessia, a bandeira é o cajado que simboliza a força de Deus no meio de nós.

A vida nos ensina que não devemos nos apegar a nenhum cargo, tudo é passageiro. Páscoa é passagem, tudo passa, até você e quanto mais desapegado você for mais fácil será a transição

 

Questões e dúvidas na caminhada de hoje:

Comunidade:Os catequistas e líderes da comunidade pedem socorro aos companheiros de caminhada?

Catequese:O apoio mútuo de que tanto necessitamos, conseguimos repassar aos catequizandos.

Campanha da Fraternidade:A quem fomos solidários em momentos difíceis?

 

6°. Trecho - Capítulo 18, 1-12: Uma família se reagrupa e vence a divisão

 

O texto mostra a figura central Jetro sacerdote de Madiã e sogro de Moises. Jetro não sabia o que era ser escravo, não fez a travessia do deserto e também não presenciou, os feitos de Iahweh pelo seu povo na caminhada.

Iahweh ensina ao povo de Deus durante a travessia não deve ser fechado, mas sim, aberto para acolher as pessoas que queiram entrar. No capítulo 18 a figura de Moisés deixa de ser a principal personagem e começa a se destacar Jetro. Iahweh ensina: a comunidade crescerá quanto tem a capacidade de acolher pessoas novas.

A proposta central dos capítulos 15-18 do livro de Êxodo é a Libertação.

Podemos destacar ainda os seguintes ensinamentos:

A família unida é muito importante na caminhada. A família deve estar aberta ao acolhimento de outras pessoas.

A confiança que Jetro tem em Deus e o apoio efetivo da família a missão de Moisés. A libertação do povo só acontece quando existe reconhecimento da presença de Deus.

 

Questões e dúvidas na busca da união das famílias na caminhada de hoje:

Comunidade: O que faz a Família para manter-se a unida?

Catequese:No processo de catequese como a unidade familiar pode colaborar?

 

7°. Trecho - Capítulo 18, 13- 27: distribuindo tarefas a equipes subsidiárias

 

A maneira de trabalhar de Moises era centralizadora queria estar presente em todas as tarefas, de manhã até a noite. Jetro percebendo isto foi falar com Moises e disse para ele que a forma de conduzir o povo estava errada e ele acabaria se esgotando. Moises acolheu o conselho de Jetro e sugere a divisão de trabalho: homens de valor dentro do povo ficarão responsáveis como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Coube a Moises somente as questões mais graves e que necessitasse de autoridade. Depois deste acontecimento Jetro retornou a sua terra.

Um belo exemplo para o trabalho em nossas comunidades. Estamos precisando deste exemplo. Nossa evangelização acontece de forma muito independente, temos dificuldades em dividir tarefas e atividades. Organizar uma comunidade não significa centralizar as atividades. Moises nos dá um belo exemplo, assim deve acontecer em nossa tarefa de evangelizar. Devemos distribuir as responsabilidades, descobrir talentos e lideranças novas.

 

Questões e dúvidas na busca da união das famílias na caminhada de hoje:

Comunidade:Como dividimos as tarefas em nossas comunidades?

- Moisés aceitou os bons conselhos de Jetro. Sabemos aproveitar novas lideranças que surgem?

 

Concluindo:

O mes da Bíblia deste ano nos proporciona uma reflexão muito interessante sobre a caminhada de nossas comunidades. Quantas coisas que estamos fazendo e que só nos atrapalham. Precisamos nos abrir durante esta caminhada para o novo, enxergar o mundo em que vivemos, com um novo olhar, devemos cuidá-lo e preservá-lo. Nele nossa comunidade vive se organiza e caminha. Sem nos omitirmos da Campanha da Fraternidade, o livro do Êxodo nos capítulos de 15 a 18 oferece textos para uma boa continuação da reflexão feita na C.F. 2011. O povo de Deus caminha no deserto em busca da promessa de encontrar uma terra onde corre leite e mel. E nossas comunidades hoje, para onde estão caminhando se não aprendermos a cuidar minimamente do planeta que vivemos. De nossas atitudes com referencia aos cuidados com a natureza dependerá a sobrevivência das gerações futuras?

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