Ecclesiologia, como matéria, é uma parte da teologia dogmática que estuda a realidade da Igreja, buscando entender a sua natureza e a sua missão. A reflexão teológica inerente a este tema tem vários protagonistas. Começando pelos Padres da Igreja, podemos citar Inácio de Antioquia, Irineu de Lião, Cipriano. Os padres usam duas imagens com as quais podemos resumir as suas reflexões sobre esse tema: a Igreja é mãe e é esposa.
Outro capítulo importante da eclesiologia é protagonizado por Santo Agostinho, que, combatendo o donatismo e o pelagianismo, desenvolve argumentos eclesiológicos interessantes. Ele tem como característica o fato de sublinhar a igreja como corpo de Cristo, idéia intimamente ligada à teologia paulina, presente sobretudo na carta aos Colossenses (capítulo 1), mas também em Efésios (capítulo 5).

Na Idade Média aparece um outro tema eclesiológico, aquele de Cristo como cabeça da Igreja e depois cresce a reflexão sobre a autoridade pontifícia, do papa, que culminará no dogma da infalibilidade do Papa, de 1870. Daí nasce a elaboração de idéias que retêm a igreja como uma estrutura piramidal, na qual o Espírito Santo e Jesus são os fundadores e assicuradores da autoridade.

Finalmente o Concílio Vaticano II dedica uma Constituição Dogmática: Lumen Gentium (1964). É ali que precisaríamos ir para entender qual é a idéia católica, vigente ainda hoje, sobre a eclesiologia. Você pode encontrorar o texto em português no site do Vaticano.

Na Bíblia Igreja é ‘Ekklesia’. No mundo grego esse termo significava a assembléia da população de uma cidade. Mas no Novo Testamento não é este o significado. O sentido vem do Antigo Testamento. De fato a tradução grega do Antigo Testamento, a Setenta, traduz a expressão hebraica “assemblea de Deus” (qahal YHWH) com ‘ekklesia kuriou’ (igreja do Senhor) (Deuteronônio 23,2 seguintes; Miquéias 2,5 – veja também Deuteronômio 9,10; 18,16; 1Reis 8,65). É verdade que a setenta usa ainda outro termo para traduzir o conceito ‘povo de Deus’, ou seja ‘sinagoge’. Esse termo, contudo, não é usado no Novo Testamento para indicar a igreja cristã por que já era usado pelos judeus.

Nos evangelhos o termo “igreja” aparece apenas 3 vezes: Mateus 16,18; 18,17. Nesses textos Jesus define a igreja como a comunidade dos que têm fé nele como o Messias.
Em Atos dos Apóstolos ‘igreja’ é usado sobretudo para indicar a comunidade cristã que se formou em Jerusalem depois da pregação dos apóstolos (Atos 5,11; 8,1-3).
Em Paulo, a igreja já é uma realidade mais complexa, pois o termo é usado para indicar ‘todas as igrejas de Cristo’ ou a ‘igreja que está em...’ ou a ‘igreja que se reúne em...’ (numa casa). Teologicamente é de muita importância a carta aos Efésios: o único chefe da igreja é Jesus Cristo (1,22; 3,10.21; 5,24.27).
Os outros escritos do Novo Testamento não acrescentam muito ao conceito de Igreja. Tiago lembra a importância do chefe da igreja (5,14); o Apocalipse é uma mensagem enviada por Jesus às igrejas em geral (22,16) e a algumas em particular (2,1.8.13.18; 3,1.7.14).