Uma janela sobre o mundo bíblico

Existe predestinação?



  • Pergunta de ricardo, Maceió
  • 32619
  • 10/03/2008
Luiz da Rosa

Leia mais sobre Destino - Predestinação | Destino - Predestinação | Romanos


Ricardo, na visão cristã não existe predestinação. Você não nasceu predestinado a ir para o inferno ou para o céu; você não nasceu para ser fatalmente pobre ou rico. O livre arbítrio, dom de Deus, permite que as escolhas humanas conduzam a conseqüências que determinam a nossa situação.

Com a Reforma, sobretudo com Calvino, cresceu um pensamento que sublinha que há pessoas predestinadas à salvação e ao mesmo tempo outras predestinadas ao inferno. Na Bíblia, invés, não encontramos fundamentos para tais idéias. Mas a doutrina protestante tem o mérito de ter chamado a atenção para um exagero que vinha sendo cometido: tudo era mérito da pessoa. Graças à “luz acessa” pela Reforma, retornou a reflexão sobre o tema da eleição.

A Bíblia sublinha o fato que somos povo eleito. No Antigo Testamento Israel era o povo eleito. No Novo Testamento, invés, toda a Igreja se torna a raçã eleita (veja 1Pedro 2,9). Poderíamos dizer que se somos raça eleita somos, de qualquer forma, predestinados, escolhidos, especiais. Isso é confirmado pela teologia de Paulo, sobretudo em Romanos e na carta aos efésios. No primeiro capítulo de Efésios lemos: Nele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e rrepreensíveis diante dele no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo, conforme o beneplácito da sua vontade (Efésios 1,4-5). E em Romanos 8,28-30: E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio. Porque os que de antemão ele conheceu, esses também predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho, a fim de ser ele o primogênito entre muitos irmãos. E os que predestinou, também os chamou; e os que chamou, também os justificou, e os que justificou, também os glorificou.

Sei que a sua pergunta é muito popular e então creio que reflexões teológicas abstratas podem ser ineficazes para a compreensão. Usemos, portanto, uma imagem para transmitir o nosso conceito teológico. Quando você pega um ônibus em Maceió para Salvador, o seu destino é Salvador. Você está destinado a ir a Salvador. De qualquer forma, esse destino final não é irrevocável, não é fatal. De fato, durante a viagem, você pode mudar de idéia, pode receber uma notícia e decidir voltar; pode ser que aconteça um acidente, uma ponte pode ter caído e a estrada encontrar-se interrompida. São inúmeras as possibilidades que podem afastar você do seu destino. Inclusive pode ser que você adia a viagem, que não chegue em Salvador hoje, mas daqui a um mês.
Com a nossa vida de cristãos acontece mais ou menos assim. Temos, é verdade, um destino (talvez seria correto dizer “destinação”), bem sintetizado por Agostinho: o nosso coração não repousa enquanto não encontrar o Senhor. Mas não é absolutamente seguro que todos chegaremos a esta meta. Tudo dependerá das escolhas que fizermos. A graça de Deus nos acompanha sempre e ilumina nossa mente para optar pela reta direção, mas nem todos seguem o Espírito.

Portanto, se você pensa que destino é qualquer situação que já está previamente estabelecida (por Deus ou pelos astros), independente da sua vontade, ele não existe. Existe, invés, o destino, entendido como meta, ao qual somos chamados, que é a vida em Cristo.

32619 visitas



Comentários

Os comentários são possíveis somente através da sua conta em FaceBook