Uma janela sobre o mundo bíblico

Quantas vezes o apóstolo Paulo ficou preso e por que foi solto e o que ocorreu nessas prisões?



  • Pergunta de Marta Faustini Zimmerer, Rio de Janeiro
  • 64544
  • 15/04/2008
Luiz da Rosa

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A questão cronológica da vida de Paulo é muito discutida e existem diversas opiniões contrastantes entre os estudiosos. Giuseppe Barbaglio diz que através das cartas do apóstolo emergem os seguintes dados: fuga de Damasco e primeira visita a Jerusalém entre os anos 37 e 39, três anos após a sua conversão, que teria sido por volta do ano 35; segunda visita à Jerusalém, para o Concílio, por volta do ano 52. Nesta ocasião, como aparece na Carta aos Gálatas 2,1-10, ele já tinha evangelizado a Galácia, a Macedônia e a Acaia.

Porém o nosso conhecimento comum sobre a cronologia da vida de Paulo tem origem nos Atos dos Apóstolos, que apresenta 3 viagens missionárias onde, de modo esquematizado, é sintetizada a atividade evangelizadora do apóstolo. Na primeira viagem ele é ajudado por Barnabé e sua ação se desenvolve em Chipre e na Anatolia (capítulos 13-14 de Atos). Na segunda viagem, acompanhado por Silas, atraversa a Anatolia e vai até a Europa e cria as comunidade de Filipe, Tessalônica, Perea e Corinto (Atos 15,36 – 18,17). Na terceira viagem Paulo vai até Éfeso (Atos 18,23 – 19,40).
Entre a primeira e segunda viagem acontece, segundo os Atos, o Concílio de Jerusalém.
Como moldura deste quadro dos Atos temos, no início, o período em que Paulo perseguia os cristãos, a conversão e inserção na comunidade cristã (Atos 7 – 11); no fim, a narração sobre o apostolado do apóstolo termina com o retorno a Jerusalém, prisão e viagem à Roma (Atos 20 – 28).
Os exegetas têm consciência de que a história contada em Atos é muito mais teológica do que historiográfica.

Independentemente da certeza cronológica sobre as atividades de Paulo, sabemos que ele sofreu muito. Em Gálatas 6,17 diz: Eu tenho no meu corpo as chagas de Jesus. Sofreu muita perseguição seja dos judeus como também dos cristãos de origem judaica. Foi também marcado por uma doença, que alguns estudiosos pensam poder ter sido um tipo de epilepsia (veja Gálatas 4,12-14). Contou também com a humilhação moral, sobretudo em Corinto: as divisões da comunidade faziam dele, o fundador, apenas líder de um pequeno grupo da comunidade (1Coríntios 1,10-16).

Quanto à prisão, sabemos que em Filipe esteve em prisão, junto com Silas (Atos 16:19). Também em Éfeso foi prisioneiro (Filipenses 1,23-26). De fato foi daquela prisão que escreveu aos filipenses e a Filêmon. A sua vida é colocada definitivamente em perigo em Jerusalém, quando risca de ser linchado. É primeiro preso ali e depois transferido primeiro para Cesaréia Marítima e finalmente para Roma, onde vive um tipo de “prisão domiciliar” e é finalmente condenado à morte, provavelmente depois do incêndio de Roma.

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