Uma janela sobre o mundo bíblico

Pedro é a pedra fundamental da Igreja?



  • Estudo
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  • 18/01/2012
Alessandro de Azevedo Moreira Moreira

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Algumas Igrejas Cristãs têm como cláusula pétrea de suas doutrinas, o Apóstolo Pedro a pedra fundamental, sobre a qual teria sido erguida a Igreja de Jesus. Em Mateus, no capítulo 16,16, Simão Pedro, respondendo a pergunta de Jesus sobre quem diziam os homens que ele era, disse: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo. Logo em seguida, o próprio Jesus afirma que a declaração não vinha de Pedro e sim de seu Pai que estava nos céus. Destarte se pode concluir que Pedro por si só, como os outros, não tinham tal discernimento.

A exegese destas igrejas afirma que teria sido Pedro o escolhido para ser o líder e chefe dos apóstolos e é por isso que ele recebe as chaves dos Reinos dos Céus e também o poder de ligar e desligar qualquer coisa aqui na terra tendo como consequência, seus ecos nos céus. A questão do ligar e posteriormente desligar, são termos da linguagem rabínica que se aplicam em primeiro plano, ao domínio disciplinar da excomunhão com que se condena (ligar) ou se absolve (desligar) alguém.

As perguntas que cabem neste momento são: Como poderia ter sido Pedro a rocha, da Igreja nascente se nem ao menos foi ele mesmo que intuiu o fato do reconhecimento de Jesus como o filho de Deus? Mais tarde também, Jesus o chama de satanás, de pedra de tropeço, aquele que não entende as coisas de Deus e pensa nas coisas dos homens; como poderia ter o posicionamento de satanás (adversário em hebraico) se ele era a rocha escolhida entre os outros apóstolos? Como é que ele sendo a rocha, negou Jesus posteriormente?

O grande Teólogo e pensador do cristianismo, Agostinho, no quinto século, afirmou que a frase não se refere à pessoa de Pedro, mas, sim, à confissão que o mesmo fizera da divindade de Cristo. Esta confissão é no entendimento de Agostinho, a verdadeira pedra fundamental da Igreja aonde Jesus ouve do seu discípulo por intermédio de seu Pai a profissão de fé que expressava a sua messianidade, acrescentando ao papel glorioso do Messias o papel doloroso do Servo sofredor.

Como pode haver total discrepância entre o que é dito por homem que é considerado uma autoridade na interpretação dos evangelhos dentro da Igreja Católica e o que é hodiernamente postulado pela mesma Igreja ? Não se pode querer acreditar que na pessoa humana de Pedro possam existir os fundamentos, os alicerces que irão conduzir a assembleia cristã em sua missão divina de levar a boa nova a toda humanidade. Sem mencionar o fato de no final do próprio evangelho de Jesus narrado por Mateus, Jesus diz:

“Todo poder foi me dado no céu e sobre a terra. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo”. Ele é rocha e não Pedro, da Igreja Apostólica nascente.

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