Uma janela sobre o mundo bíblico

A besorah e seus ecos no passado e presente



  • Estudo
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  • 16/02/2012
Alessandro de Azevedo Moreira Moreira

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Jesus é responsável pela grande quebra de paradigma no meio dos judeus (povo escolhido por Deus), que trouxe consequências pontuais que ainda hoje não foram bem assimiladas por alguns daqueles que se dizem seus discípulos. Jesus de acordo com alguns teólogos foi o grande reformador e não o grande deformador; ele dava uma nova leitura aos preceitos da Torá, que acabava com a velha noção de mundo, albergando a nova aliança não mais em lajes de pedra, mas no coração dos homens.

 

Ninguém esperava que o libertador dos Judeus tivesse sua origem em Nazaré, uma vez que esta era conhecida de todos por ser um afluxo de várias nações em decorrência de sua geografia e de acordo a um ditado judeu da época que perguntava: De Nazaré pode sair algo de bom? Jesus passou grande parte de sua vida nesta cidade e por isso era chamado por aqueles que o conheciam de: Hannozrì = nazareno.

 

Jesus era provavelmente carpinteiro muito embora a palavra usada pelos evangelistas em grego era techton que também se referia acarpinteiro. O que importante se tira disto é que ele viveu como os outros, uma vida simples e frugal sem ter passado pornenhuma escola teológica de formação de rabinos ou ter recebido tratamento especial da parte de quem quer que fosse; nem de sua mãe, que apesar de ter sido escolhida por Deus para participar do mistério da salvação, permanecia calada.

 

Ao contrário de João conhecido como, Hammativil (o batista) que era Nazîr e por isso era proibido de algumas coisas como, por exemplo, beber substâncias com álcool, não raspar a cabeça e nem participar de funerais, Jesus não se afastou do Mundo. Ele atravessava as aldeias, frequentava o Templo e as sinagogas proclamando o Reino de Deus em todos os lugares; participava de festa e alguns diziam que ele era glutão e beberrão; não pregava uma vida ascética, não fazia acepção de pessoas ou ainda, era indiferente às dores da humanidade.

 

A Besorah (boa nova),que ele trazia, não era uma doutrina filosófica hermética para poucos; ela queria transformar a relação das pessoas entre si e com Deus desde o seu epicentro de maneira alegre e nos propor uma nova direção tendo como seu principal norteador o amor mútuo; passa por cima de leis que escravizam a pessoa como faziam os fariseus com o excesso de legalismo que cega e usurpa ao homem o direito de ser feliz em plenitude com o seu próximo dentro dos preceitos de amor a Deus.

 

A palavra que tem como viés a sintonia com Deus em hebraico é Emunah. Jesus transforma a relação com Deus atribuindo-lhe a designação de: Abba; não mais a apenas criaturas; somos seus filhos pelo batismo. Esta maneira nova de se posicionar causou em seu tempo e até hoje causa dissabores àqueles que preferem o hermetismo ultrapassado de condutas formais espúrias que esquecem o senso de humanidade ao qual está assentado o paradigma proposto por Jesus.

 

Ele dizia sempre que queria misericórdia e não sacrifícios. Temos que vencer o mal com o bem. Não fiquemos presos a preceitos alimentares dizendo que isto não se deve comer ou que não se deve beber aquilo porque é pecado; ou isso é proibido porque o Apóstolo Paulo na carta X, segundo o fulano Y, disse que era proibido; Nós seguimos Jesus ou Paulo ou ainda, o fulano que acha que entende? E mesmo são Paulo, quando comenta sobre algo do gênero, o faz dentro de um contexto específico; onde está escrito na sagrada escritura que não se deve beber líquidos inebriantes? O que se fala é que sejam evitados os “excessos”,tanto de comida como os de bebida ou de qualquer outra coisa que nos faça distanciar de Deus.

 

Temos que Buscar o verdadeiro sentido dos ensinamentos de Jesus; não se pode querer seguir ao verdadeiro Rabi e estar vinculado, a práticas caducas, farisaicas, que valorizam mais a mentira do falso ascetismo que se mostra no externo, que é mais perceptível aos olhares da população, do que o interno, lugar ideal de nossas conversas com Deus e de nosso comprometimento real.

 

 Ele nos queria santos; sejamos então! Não nos transformemos em uma sombra do que ele planejou para nós em decorrência de interpretações equivocadas de alguns. Isto não quer dizer que devamos fazer de tudo sem limites. Algumas pessoas maldosamente, afirmam que o cristão católico pode ser tudo e fazer de tudo. Ledo engano; quem afirma isso não entende de catolicismo e se já participou alguma vez de Missa não entendeu nada; e não é católico nem tampouco foi católico; é o cristão de suas conveniências.

 

 O verdadeiro cristão tem compromisso real e diário com Deus, dentro do que Jesus deixou e serviu de exemplo; trava batalhas diárias consigo; uma vez que se encontra em um meio social fomentado infelizmente pela violência ao vivo e em cores nas grandes e pequenas cidades que são transmitidas pelos Telejornais diuturnamente. A nossa mídia que teria que ter a responsabilidade grande em suas mãos de um controle de qualidade da programação, não permitindo certas atrações, nos dão como presente, filmes violentos que incentivam a bestialidade humana, o bigbrother, o programa amor e sexo, os programas de auditório que fomentam a falta de gosto apurado, do que eles chamam de música brasileira, incentivando àquelas que induzem a sexo explicito; a maior parte das novelas, o pânico na tv e o carnaval; incansáveis veículos na propagação de tudo que é irrelevante sob o pretexto da liberdade de expressão.

 

 Todos estes fatores corroboram diretamente para o distanciamento de nossos jovens da santidade. Nós cristãos, temos a obrigação de defender os valores primais deixados por Jesus; não podemos descansar nunca até porque, o inimigo nos ronda sorrateiro a tentar com suas mentiras, com que não façamos parte do Reino de Deus.

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