Uma janela sobre o mundo bíblico

Se uma mulher, que é espancada pelo marido, humilhada de forma terrível, não recebendo dele o amor que merece, separa-se estará pecando?



  • Pergunta de Eduardo Pereira, Jandira
  • 18208
  • 11/06/2012
Luiz da Rosa

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Não peca, não. Na violência existe pecado e viver dentro dela significa viver dentro do inferno. Sabemos bem que, no decorrer da história, por causa da moral cristã - e também de outras religiões - houveram tantas mulheres que sofreram, que tiveram que sucumbir sob a ignorância dos homens e se submeter a decisões pseudo-cristãs e continuar numa vida indigna.

Uma mulher que sofre violência, na vida com o marido, precisa denunciá-lo e deixá-lo. 

Sei que é muito fácil pra mim, que não vivo nenhuma situação parecida, dar essa diretriz. Na verdade tais situações são muito complexas, pois envolvem filhos, as famílias dos dois esposos, as questões de sobrevivência e a esperança, às vezes, que a situação possa melhorar. Precisa ter muita coragem, ser lúcidos e tomar uma decisão.

 

Podemos correr o risco de colocar nessa questão, numa perspectiva errada, os ensinamentos de Cristo, que disse que o matrimônio é indissolúvel, que o homem não separe o que Deus uniu. Esse princípio é válido também no caso de um casamento que não está dando certo e deve sempre ser o princípio que norteia a vida conjugal dos esposos cristãos. Todavia ninguém é condenado a viver o resto da vida oprimido. Deus é exatamente libertador e a sua ação se demonstra também nessa situação.

Repito: também o casal que não vive tranquilo tem que se confrontar com o princípio cristão. Não basta uma briguinha para se separar. É preciso coragem, abertura ao diálogo, conversa, paciência e um amor renovado. Todavia a situação da sua pergunta é extrema e nesse caso, com certeza, Deus não condena uma mulher que deixa para trás o marido violento. Nem mesmo a disciplina da igreja a condena (é assim na Igreja Católica): ela pode continuar frequentando a vida eclesial, participando dos sacramentos. O fato de se separar não é um impedimento à comunhão com a vida da comunidade. Uma questão mais profunda e bem mais controversa nasce a partir do momento em que uma pessoa separada começa a conviver com outra pessoa. Mas esse não é o tema dessa questão.

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