Anelice, a recomendação de não misturar tecidos aparece duas vezes no Antigo Testamento. Uma passagem é detalhada: Não vestirás uma roupa mesclada de lã e linho. (Deuteronômio 22,11). Em Levítico 19,19, invés, a proibição é mais genérica: Guardareis os meus estatutos. Não jungirás dois animais de espécie diferente, no teu rebanho; não semearás no teu campo duas espécies diferentes de sementes e não usarás veste de duas espécies de tecido.

É uma questão dificilmente considerada por nós cristãos, mas não ignorada entre os judeus. Essa proibição é presente nos 613 mandamentos que eles devem observar. O tema faz parte de um dos tópicos da Mishnah, livro legislativo dos judeus: Ordem Zera’im, tópico Kilayim.

O significado dessa proibição normalmente é considerado como um mandamento que tem como objetivo preservar a ordem das coisas criadas tal como foi dada por Deus. É um convite a não interferir no plano de Deus.
O Rabi Samson Hirsch (1808-1888), a este propósito, diz: Em relação às espécies como Ordem Divina... Não se deve interferir na ordem natural que foi fixada por Deus no Seu mundo para o seu bem final. É necessário, respeitando os limites desta ordem, proibir o uso livre e a transformação deste mundo, que Ele nos deu, para não degenerar no esquecimento de Deus, numa presunção que destróe o mundo (Horeb #402)

Discussões modernas colocam esse mandamento como base para a discussão sobre as modificações genéticas, que a ciência hoje procura realizar. Embora não haja consenso sobre tal uso, pode ser uma perspectiva interessante na análise destes textos do Pentateuco.