Uma janela sobre o mundo bíblico

O que é anjologia



  • Pergunta de Manuel, Belo Horizonte
  • 7213
  • 16/03/2008
Luiz da Rosa

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Anjologia é o estudo dos anjos. Os anjos estão presentes em muitos livros da Bíblia, começando pelos querubins que, no livro do Gênesis, são colocados a vigiar o ingresso do Éden (3,24) até o Apocalipse, que apresenta os céus cheios de anjos. Tratam-se de figuras sobre-humanas, mas aparentemente são diversas de Deus.

A palavra hebraica usada para esses personagens é mal’ak, termo que significa mensageiro. Em grego, essa palavra foi traduzida com o vocábulo Anghelos, de onde deriva o nosso anjo. O vocábulo, no Antigo Testamento, aparece 215 vezes e se torna até nome de um dos profetas, Malaquias, que em hebraico significa anjo do Senhor.

A Bíblia, sem dúvida, sofre influência das religiões do Oriente, onde existiam os filhos de deuses, que formavam parte da coorte dos deuses, mas não tinham a autoridade dos pais, embora fossem de categoria divina. O texto bíblico abaixa o nível desses personagens e os faz simples mensageiros. Mesmo assim o anjo na Bíblia conserva traços divinos e muitas vezes ele protagoniza uma representação teofânica, ou seja, uma revelação de Deus em modo indireto. Um cérebre biblista, Gerhard von Rad, diz que por meio dos anjos o próprio Deus aparece aos homens em forma humana. De fato, em alguns textos bíblicos, Deus e o anjo podem se confundir, como por exemplo na narração da sarça ardente de Êxodo 3, no Sinai. Neste texto primeiro aparece o “anjo do Senhor”, mas logo em seguida o texto continua dizendo: “O Senhor viu que Moisés se aproximou e Deus lhe chamou da sarça”. A mesma coisa acontece em outros textos, tais como Gênesis 16,7.13 (Agar no deserto, com Ismael), Gênesis 22 (sacrifício de Isaac) e Juízes 6,12.14 (vocação de Gedeão).

O anjo na Bíblia tem duas características essenciais para entender o seu significado: é transcendente, diverso do nosso mundo e ao mesmo tempo é como nós, se apresenta como ser humano. Na verdade são esses os atributos de Deus. Mas o autor bíblico, para impedir que essa proximidade ‘empobreça’ Deus, usa o anjo. Ele, mesmo vindo da esfera divina, entra no mundo das pessoas, fala e age como uma criatura. A sua mensagem, contudo, é sempre palavra divina. Em outras palavras, o anjo é uma personificação da eficácia da palavra de Deus que traz salvação e julgamento. Essa realidade é evidente se consideramos a visão de Jacó, em Betel (Gênesis 28,12), que vê anjos que subiam de desciam uma escala que da terra levava ao céu. O anjo liga o céu e a terra, o infinito e o finito, a eternidade e a história, Deus e o ser humano.

Em outros textos bíblicos os anjos aparecem, invés, com uma identidade própria, que é diversa da própria revelação de Deus. Emblemático é o livro de Tobias onde aparece Rafael (que significa “Deus cura”) e a partir da história que ali é contada nasce a fé no anjo da guarda, que cuida das pessoas. Diz Rafael em Tobias 12,18: “Quando estava com vocês, não estava com vocês por minha iniciativa, mas por causa da vontade de Deus”. A mesma idéia aparece nos Salmos: “O anjo do Senhor acompanha aqueles que o temem e os salva (...). O Senhor comandará aos seus anjos de cuidar de ti em todos os teus passos; conduzirão a ti com suas mãos para que teus pés não tropecem na pedra” (Salmos 91,11-12).

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