Uma janela sobre o mundo bíblico

Tenho uma dúvida, vou usar de um exemplo para tentar explicar. Plantei 10 hectares de milho, gastei com semente, fertilizantes, remédios, funcionários e após a colheita este milho me rendeu 1000 mil reais. a minha dúvida é: o dízimo de 10 por cento deve ser dado sobre os mil reais ou sobre os mil reais descontado os gastos com semente, fertilizantes? Aonde leio na Bíblia explicando exatamente o que quero saber, em Lucas 18,12 fala 10% sobre o tudo que ganho, mas não é claro.



  • Pergunta de Claudinei de Mello, Americo de Campos / SP
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  • 23/11/2012
Odalberto Domingos Casonatto

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Olá Claudinei de Mello de Américo de Campos / SP! Falar em dízimo, embora seja ensinamento bíblico, nos dias de hoje é como caminhar em campo minado. Existem as mais diversas interpretações, quanto a texto bíblico, a quantia a ser paga de dízimo, a compreensão deste ensinamento, etc.

A resposta que vou te endereçar, longe de ser algo que devas aceitar, é simplemente um ponto de vista. Devido à complexidade andei pesquisando como o dízimo é entendido pelas diferentes Igrejas.

Podemos dizer cada Igreja tem sua orientação, todas elas dizem que a interpretação do texto bíblico esta correto. Penso que não existe nada de errado em assim afirmar, os responsáveis por estas Igreja, fazem aquilo que é o melhor. Não querem ensinar algo errado.

Assim, Claudinei de Mello, não sei qual Igreja você pertence, mas esta Igreja que você está batizado e tens compromisso, a questão do dízimo tem orientações. Deve estar dentro de tua compreensão. A título de olhar para um horizonte maior, resumidamente coloco a orientação de quatro Igrejas a cerca do dízimo:

Primeiro exemplo: A assembléia de Deus e o dízimo
“A palavra dízimo é a tradução de palavras hebraicas e gregas que significam a décima parte. Em termos matemáticos seriam 10%. Portanto quando usamos o termo DÍZIMO, estamos falando da décima parte. Todos os dicionários de língua portuguesa definem o verbete DÍZIMO, por décima parte.

A Bíblia e o dízimo
1. "Também todos os dízimos da terra... pertencem ao Senhor. Esse dízimo será santo ao Senhor". (Lv 27,30-32).

2. "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas". (Ml 3,8).

3. À luz da Palavra do Senhor, concluímos que ser dizimista não é só uma questão de fidelidade e generosidade, mas também de desonestidade.

A assembleia de Deus entende o dízimo em sua integridade os 10%
O dízimo deve ser calculado corretamente, para devolvê-lo completo. O cristão não deve entregar na casa do Senhor 9,5% como se fosse o seu dízimo, é melhor entregar como uma oferta, porque dízimo é a décima parte, exatamente.

Como calcular o dízimo segundo a Assembleia de Deus

Defina sua renda.
Se você recebe salário, deverá calcular a décima parte do BRUTO, isto porque os descontos efetuados tais como INPS, Imposto de renda e outros, são uma capitalização em seu favor. Cremos que a Bênção de Deus também é sobre o bruto e não sobre o líquido.

O cristão deve devolver o dízimo dos rendimentos com outras fontes, tais como: poupanças, aluguéis, investimentos financeiros, aposentadoria, renda mercantil ou industrial, renda agrícola ou pecuária, direitos autorais, venda de móveis ou imóveis. Devemos ser fiéis ao Senhor com tudo o que for renda.”

Segundo exemplo: Dízimo segundo a Igreja Universal do Reino de Deus

Dízimo da empresa e do empresário:
“O empresário que deseja ser bem-sucedido na vida pessoal e profissional deve atentar em honrar a Deus e fazer com que a sua empresa também honre. Isso acontece quando o empreendedor separa as primícias de toda a sua renda, isto é, os primeiros 10%, e faz segundo ensina as Escrituras Sagradas:

 “Honra ao SENHOR com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.” Provérbios 3,9-10

Abaixo seguem orientações de como deve ser feito a separação daquilo que pertence a Deus, tanto da empresa, quanto do empresário:

1º) Dízimo da empresa (pessoa jurídica): Deve ser tirado o dízimo do lucro da empresa e não do faturamento bruto mensal. Exemplo: A empresa teve este mês 100 mil reais de faturamento bruto. Tirando os salários (incluindo o do empresário) e os custos gerais, o lucro dela foi de 40 mil reais. Sendo assim, o dízimo deverá ser tirado dos 40 mil, que, neste caso, equivale a 4 mil reais;

2º) Dízimo do empresário (pessoa física): Independentemente do dízimo da empresa, o empresário que teme a Deus deve separar a décima parte de tudo aquilo que recebe. Pois, diferentemente do caso da empresa, quando se refere à pessoa física, o dízimo deve ser tirado do rendimento bruto. Por exemplo: Se o seu salário bruto é 15 mil reais, mesmo com os descontos de Imposto de Renda, INSS, Plano de Saúde, entre outras coisas, você não deve tirar o dízimo do que sobrou em suas mãos, isto é, o líquido, mas o dízimo será 1.500 reais. Isso porque corresponde ao valor total do seu salário, incluindo todos os benefícios.

Agindo dessa forma, certamente, o empresário e a empresa vão alcançar a prosperidade prometida por Deus em Sua Palavra.”

Terceiro exemplo: O dízimo na Igreja católica

Dízimo passa a ser entendido como centésimo ou contribuição espontânea.
“O dízimo é uma doação regular e proporcional aos rendimentos do fiel, que todo batizado deve assumir. É uma forma concreta que o cristão tem para manifestar a sua fé em Deus e o seu amor ao próximo, pois é por meio dele que a Igreja realiza diversas obras de caridade e assistência aos menos favorecidos.

O dízimo é um compromisso. Representa a nossa vontade de colaborar, de verdade, com o projeto divino de felicidade para todos. Os judeus davam 10% de tudo o que colhiam da terra com o seu trabalho: daí vem a palavra “dízimo”, que significa “décima parte”. Todos são convidados a oferecer de fato a décima parte daquilo que ganham, mas não somos obrigados. O importante é entender que o dízimo não é esmola. Deus merece a doação feita com alegria, e jamais nos priva da nossa liberdade. Além disso, o que é doado com alegria faz bem a quem recebe!

Cada pessoa deve definir livremente, sem tristeza nem constrangimento, qual percentual dos seus ganhos irá separar para o dízimo. A Igreja não exige a doação de 10% do que ganhamos; porém, para ser considerado dízimo, é preciso que seja um percentual, isto é, uma porcentagem dos seus ganhos, sendo no mínimo 1%. Se alguém ganhar R$ 1.000,00 e oferecer R$ 10,00, isto ainda pode ser considerado dízimo. Menos do que isso, porém, seria uma oferta.

A entrega do dízimo normalmente é mensal, porque a maioria das pessoas recebe salário todo mês. Os que recebem semanalmente podem combinar de entregá-lo uma vez por semana, por exemplo. O importante é saber que o dízimo deve ser entregue na comunidade com a mesma regularidade com que recebemos os nossos ganhos.”

Quarto exemplo: Na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil existe contribuição para a Manutenção da Igreja

“A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil não adota o dízimo como sistema contributivo. Usa a expressão tão somente para se referir à contribuição que as comunidades e paróquias fazem para as instâncias sinodal e nacional da Igreja

É inegável que a Bíblia, em especial, o Primeiro Testamento, fala do dízimo dentro de um contexto religioso e político em que não se fazia distinção entre estas instâncias na sociedade. O sistema tributário interligava a religião e a política e na história de Israel podemos ver compreensões distintas em momentos diferentes.

Jesus fez severas críticas ao dízimo e a todo o sistema legalista em voga em sua época. Colocou a vida do ser humano acima da lei (O sábado foi feito para o ser humano e não ser humano para o sábado). Esta profunda liberdade em relação às leis o indispôs com as autoridades de seu tempo e estas não tiveram dúvidas em condená-lo à morte. Jesus fez críticas profundas em relação ao dinheiro no que se refere a sua adoração. Adotou uma vida austera e totalmente entregue em confiança a Deus. Preconizou o estabelecimento de novas relações entre as pessoas.

As primeiras comunidades seguiram na trilha aberta por Jesus, promovendo solidariedade. O apóstolo Paulo incentivou as comunidades para uma contribuição voluntária e livre, destituída de qualquer legalismo (dízimo).

Tudo que somos e temos recebemos de Deus por sua imensa graça e misericórdia. Nada nos pertence. Fomos agraciados por Deus e por gratidão ofertamos nosso tempo, nossos dons e nossos recursos materiais para a sua causa no mundo. Agimos em favor de sua causa na Igreja e na sociedade.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil evita ler a Bíblia ao pé da letra. Procura descobrir o que ela tem a dizer, levando em consideração o contexto em que ela foi escrita e também o contexto em que os eventos, que suscitaram a escrita, aconteceram. A Bíblia contém a Palavra de Deus em palavras humanas. O Espírito Santo abre os corações e as mentes para apontar qual é a vontade de Deus para os dias atuais.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil evita ao máximo o termo dízimo porque ele tem uma conotação legalista, ou seja, ele lembra obediência à lei. Ela prefere usar o termo contribuição.

Claudinei de Mello, busquei no entendimento de varias Igrejas, como o dízimo é aplicado, penso que a Igreja Universal, que fala de empresário e empresa é a que mais se aproxima para esclarecer tua pergunta.

Na pergunta aparece, uma verdadeira empresa com operários, compra de semente, fertilizantes, etc, que sabemos os gastos foram altos. Não é de se pensar que o dízimo deva sair do gasto bruto desta plantação, mas sim do que sobrou no final de tudo. E o dízimo do empresário conforme a explicação ai sim seria do bruto que ganhou.

Mas não quero que estas explicações possa criar confusão na tua mente. Terás diretivas claras nas orientações de tua Igreja. E em último caso fale com o Pastor ou Padre que te darão uma orientação.”

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