Uma janela sobre o mundo bíblico

Como pode um grande e sábio rei como Salomão ter se deixado levar pela idolatria, sabendo que Deus não aceita isso?



  • Pergunta de Kelly Cristina, Duque de Caxias
  • 19695
  • 10/01/2013
Luiz da Rosa

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É verdade: Salomão é um exemplo de sabedoria, dom que recebeu de Deus depois da sua oração a Yahweh, quando pede discernimento para governar corretamente (veja 1Reis 3,5-14). Numa certa passagem se diz que Salomão "foi mais sábio que qualquer poessoa" (1Reis 5,11). Daí deriva uma grande tradição, que louva a sua sabedoria. Tal tradição levou a atribuir a ele a autoria de livros importantes da Bíblia, como os Provérbios e o livro da Sabedoria (presente só nas bíblias católicas).

Também é verdade que a Bíblia conta que ele cometia um grave pecado: "oferecia sacrifícios e incenso nos lugares altos" (1Reis 3,3), prestava cultos a deuses estrangeiros. Esse pecado do rei é justificado pelos contatos que manteve com os povos estrangeiros, tendo inúmeras mulheres desses países (veja 1Reis 11). A Bíblia conta que essas mulheres lhe "desviaram o coração para outros deuses e seu coração não foi mais todo de Iahweh seu Deus" (1Reis 11,4).

Como avaliar esse juízo contrastante sobre o terceiro rei de Israel?
Nós julgamos todas as empresas bíblicas, todos os eventos e personagens, com os parâmetros da nossa fé. Somos previlegiados, pois tivemos a revelação trazida por Cristo e hoje tudo é muito mais claro para nós, em termos da nossa crença em Deus. O conhecimento de Deus não foi sempre assim, tão objetivo. Antigamente é provável que não existisse a fé única em Yahweh; o povo acreditava em Yahweh, mas tinha também outros deuses. Houve um processo que, lentamente, conduziu à fé num único Deus, ao monoteísmo. Há vários indícios que mostram como a fé em Yahweh convivia com a fé em outros deuses. Os exegetas pensam que tenha sido somente a partir de Josias, cerca de 300 anos após Salomão, que começou a prevalecer a fé em Yahweh, graças a uma política que hoje poderia ser julgada como opressiva.

É com essa ótica que precisamos ler a história dos personagens mais distantes, do Antigo Testamento. O nível de revelação disponível então não é o mesmo de hoje. A revelação de Deus é um processo dinâmico e continua se desenvolvendo. Portanto, todo juízo sobre situações e personagens distantes cronologicamente de Cristo devem levar em consideração tal dinâmica da revelação.

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