Uma janela sobre o mundo bíblico

O que são os livros apócrifos?



  • Pergunta de helena barcellos, rio de janeiro
  • 2910
  • 15/01/2013
Luiz da Rosa

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A palavra "Apócrifo", relacionada à Bíblia, tem dois sentidos diversos.

1. Livros antigos que tratam temas bíblicos e que não foram incluídos na lista oficial da Bíblia (cânon)
Como já dissemos noutra ocasião, o termo "apócrifo" vem do grego e designa "o que é mantido escondido". De fato muitos livros, cujos temas são paralelos àqueles presentes nos livros bíblicos, não vieram à tona senão a partir do século passado. Muitos foram ignorados por questões ideológicas e teológicas e tantos outros por que ninguém sabia de sua existência. Todos esses livros foram julgados pela tradição como não inspirados por Deus e por isso não foram incluídos na lista dos livros bíblicos, não foram incluídos no cânon bíblico, definido no decorrer da história, sobretudo no Concílio de Trento.

Esses livros foram escritos ou em época bíblica ou alguns séculos após a vinda de Cristo. Há vários tipos: livros que falam de personagens do Antigo Testamento (Adão, Eva, Patriarcas, Enoque, etc) e outros que tratam de personagens do Novo Testamento, sobretudo dos apóstolos, ou de realidades que são apenas mencionadas no texto bíblico, como sobre a infância de Jesus, a vida de Maria, de José, de Maria Madalena, etc. Para uma lista mais detalhada, veja esse link.

Durante muito tempo houve uma política de medo em relação a esses livros, pois eram considerados 'perigosos', sobretudo porque podiam levar ao erro teológico. Eles, portanto, não eram divulgados e o seu uso era restrito a pessoas espertos que tinham acesso a bibliotecas importantes. Hoje em dia não existe mais nenhuma restrição de acesso. Todos os livros são acessíveis, embora as traduções em português não sejam muito difusas.

Esses livros têm um valor muito importante para o estudo da Bíblia, pois ajudam a entender o o próprio contexto da Bíblia e/ou o desenvolvimento do pensamento teológico. Ao mesmo tempo, na maioria das vezes, são obras de grupos eréticos que usavam tais textos para difundir a própria doutrina. Por isso, mesmo se a sua divulgação não tenha mais nenhum limite, é muito importante se aproximar deles com inteligência crítica.

Aconselho a ler a interessante entrevista publicada aqui no site, onde um esperto fala sobre a importância desses livros.

2. 7 livros presentes na Bíblia Católica e ausentes na Bíblia Protestante
Em ambiente protestante, muitas vezes o conjunto de livros dos quais falamos acima é chamado de  "pseudo-epígrafes", deixando o termo "apócrifos" reservado aos 7 livros do Antigo Testamento, escritos em grego, presentes na Bíblia Católica e ausentes na Bíblia Protestante. Esses livros são: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (ou Sirácide) e Baruc.

Esses livros não fazem parte da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento), porque foram escritos em grego. Todavia foram inseridos na Bíblia Grega (LXX) já antes de Cristo. A Bíblia Grega foi aquela usada pela primeira comunidade cristã. Lutero, invés, no século XVI considerou oportuno preservar, em relação ao Antigo Testamento, a lista de livros conforme o cânone hebraico e, por isso, os 7 livros, originariamente escritos em grego, ficaram forar da sua lista canônica, da sua Bíblia, que é a Bíblia usada hoje pelo mundo evangélico.

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