Uma janela sobre o mundo bíblico

Em Lucas 5,17-26, quem eram os doutores da lei interessados nos milagres de Jesus?



  • Pergunta de José, Rio de Janeiro
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  • 12/03/2013
Luiz da Rosa

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Os doutores da lei que aparecem várias vezes nos Evangelhos e que nós os julgamos sempre em contraste com Cristo são pessoas que dedicavam a própria vida a estudar a Lei, isto é a Sagrada Escritura. Eles sabiam de cor os textos bíblicos. Sendo judeus, o texto sagrado deles corresponde ao nosso Antigo Testamento e também inclue os pensamentos dos grandes rabinos. Eram espertos na Palavra de Deus. Ou seja, eram Mestres de coisas relacionadas com a religião. Os inúmeros debates entre Jesus e eles demonstram as ideias de religião presente em Cristo e neles.

Um dos textos clássicos é aquele que introduz a parábola do Bom Samaritano, quando um doutor da lei interroga Jesus dizendo: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" Jesus então lhe pergunta o que a Bíblia diz. O doutor da lei, inteligente, diz que é preciso amar a Deus e ao próximo. Então Jesus lhe responde que ele deve fazer aquilo e viverá. Mas o doutor ainda insiste: "quem é o meu próximo"? E aí que Jesus conta a Parábola do Bom Samaritano, para explicar quem é o próximo (Lucas 10,25-37).

Outra passagem importante para entender quem são os doutores da lei se encontra em Lucas 11,52:

Ai de vós, doutores da lei, porque tomastes a chave da ciência! Vós mesmos não entrastes e impedistes os que queriam entrar.

Nesse texto fica claro que os doutores da lei eram pessoas que estudavam profundamente a Palavra de Deus, mas que, segundo Jesus, não haviam entendido o seu real sentido. Faziam, ao mesmo tempo, um dano a si mesmos e aos seus seguidores.

Todavia, do meu ponto de vista, é muito importante não sermos tão simplórios. Os doutores da lei muitas vezes falhavam em interpretar o real sentido da palavra sagrada, mas tinham o grande mérito de estar próximo da gente. Prova disso é o fato que conversam com Jesus, são abertos ao diálogo. E isso se vê também na passagem que você cita, quando eles contestam o fato que Jesus perdoe os pecados ao paralítico (Lucas 5,17-26). Eles não estão em escritórios, longe do povo. É uma religião vivida com a gente, no meio do povo, aplicada à vida quotidiana. Parafraseando Paulo, os doutores da lei eram pessoas que corriam bem, mas corriam fora da estrada.

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