Uma janela sobre o mundo bíblico

Explicação do fim dos tempos, que fatos marcaram esse tempo?



  • Pergunta de Joel, T. Serra
  • 7024
  • 13/06/2009
Luiz da Rosa

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A sua pergunta trata de um tema muito interessante e popular. O fim dos tempos é motivo de tanta polêmica. Ha duas posições extremas: de um lado estão aqueles que dizem que ele consiste no fim do mundo e do outro lado podem estar aqueles que não acreditam que isso um dia aconteça.

O fim dos tempos é extremamente bíblico, como podemos constatar através dos 3 textos que cito aqui:

Mateus 24:15-31 (também Marcos 13 e Lucas 21)
15 «Quando vocês virem a abominação da desolação, da qual falou o profeta Daniel, estabelecida no lugar onde não deveria estar, - que o leitor entenda! - 16 então, os que estiverem na Judéia fujam para as montanhas. 17 Quem estiver no terraço, não desça para apanhar os bens de sua casa. 18 Quem estiver no campo, não volte para pegar o manto. 19 Infelizes as mulheres grávidas, e aquelas que estiverem amamentando nesses dias!
20 Rezem para que a fuga de vocês não aconteça no inverno, nem num dia de sábado. 21 Pois, nessa hora haverá uma grande tribulação, como nunca houve outra igual. 22 Se esses dias não fossem abreviados, ninguém conseguiria salvar-se. Mas esses dias serão abreviados por causa dos eleitos.
23 Se alguém disser a vocês: ‘Aqui está o Messias’, ou: ‘Ele está ali’, não acreditem. 24 Porque vão aparecer falsos messias e falsos profetas, que farão grandes sinais e prodígios, a ponto de enganar até mesmo os eleitos, se fosse possível. 25 Vejam que eu estou falando isso para vocês, antes que aconteça. 26 Se disserem a vocês: ‘O Messias está no deserto’, não saiam; ‘Ele está aqui no esconderijo’, não acreditem. 27 Porque a vinda do Filho do Homem será como o relâmpago que sai do oriente e brilha até o ocidente. 28 Onde estiver o cadáver, aí se reunirão os urubus.»
29 «Logo depois da tribulação daqueles dias, o sol vai ficar escuro, a lua não brilhará mais, e as estrelas cairão do céu, e os poderes do espaço ficarão abalados. 30 Então aparecerá o sinal do Filho do Homem no céu; todas as tribos da terra baterão no peito, e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória. 31 Ele enviará seus anjos que tocarão bem alto a trombeta, e que reunirão os eleitos dele, desde os quatro cantos da terra, de um extremo do céu até o outro.»

1 Tessalonicences 4,13-18
13 Irmãos, não queremos que vocês ignorem coisa alguma a respeito dos mortos, para não ficarem tristes como os outros que não têm esperança. 14 Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, acreditamos também que aqueles que morreram em Jesus serão levados por Deus em sua companhia. 15 Eis o que declaramos a vocês, baseando-nos na palavra do Senhor: nós, que ainda estaremos vivos por ocasião da vinda do Senhor, não teremos nenhuma vantagem sobre aqueles que já tiverem morrido. 16 De fato, a uma ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do céu. Então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; 17 depois nós, os vivos, que estivermos ainda na terra, seremos arrebatados junto com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares. E então estaremos para sempre com o Senhor. 18 Consolem-se, pois, uns aos outros com essas palavras.nicesi

2 Tessalonicences 2, 2-15
1 Agora, irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e ao nosso encontro com ele, pedimos a vocês o seguinte: 2 não se deixem perturbar tão facilmente! Nem se assustem, como se o Dia do Senhor estivesse para chegar logo, mesmo que isso esteja sendo veiculado por alguma suposta inspiração, palavra, ou carta atribuída a nós. 3 Não se deixem enganar de nenhum modo! Primeiro deverá chegar a apostasia. Depois aparecerá o homem ímpio, o filho da perdição: 4 ele é o adversário que se opõe e se levanta contra todo ser que se chama Deus ou é adorado, chegando até mesmo a sentar-se no templo de Deus e a proclamar-se Deus.
5 Não se lembram de que eu já dizia essas coisas quando estava com vocês? 6 E agora vocês já sabem o que está impedindo a manifestação do adversário, que acontecerá no tempo certo. 7 O mistério da impiedade já está agindo. Falta apenas desaparecer aquele que o segura até agora.
8* Só então se manifestará o ímpio. O Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o esplendor da sua vinda. 9 A vinda do ímpio vai acontecer graças ao poder de Satanás, com todo tipo de falsos milagres, sinais e prodígios, 10 e com toda a sedução que a injustiça exerce sobre os que se perdem, por não se terem aberto ao amor da verdade, amor que os teria salvo. 11 Por isso Deus manda o poder da sedução agir neles, para que acreditem na mentira. 12 Desse modo serão condenados todos os que não acreditaram na verdade, mas preferiram permanecer na injustiça.

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Esses textos, expressão de tantos outros, mostram como é evitente a existência na Bíblia do tema do “fim”. Diante deste tema existem, na nossa concepção, duas preocupações, que queria lembrar para começar, a partir delas, a nossa reflexão.
A primeira é palese na sua pergunta: “que sinais são típicos desse tempo”. A segunda tem a ver com o “quando” tudo isso vai acontecer. Essas duas atitudes revelam uma interpretação errônea que podemos ter a respeito do fim dos tempos. É errado tomar fim dos tempos como sinônimo de fim do mundo. Vejamos por quê.


As profecias sobre os últimos dias têm um fascínio irresistível. Tanto que contagia todas as religiões, tornando-se quase um mito, tanto nas expressões religiosas das américas antes do “descobrimento” e nas religiões orientais quanto nas religiões monoteísticas.

Na teologia existe inclusive uma matéria que trata esse argumento: a escatologia. A palavra tem sua raiz no vocábulo grego eschatos, que significa último. No fundo o argumento está em relação com as expectativas humanas sobre o futuro da humanidade.

Olhando a Bíblia, no início a expectativa no “por vir” parece ser otimista. De fato as promessas feitas ao rei Davi, por exemplo, alimentam a esperança do povo e eles crêem vivemente que se realizarão. Contudo, o advento das desgraças, tais como aquela do exílio em Babilônia, fez com que a visão do futuro se tornasse cada vez mais pessimista. Os grandes profetas, então, anunciam ao povo o juízo de Deus, mesmo não excluindo que a Sua vontade é a salvação do povo. A razão do juízo é o pecado que o povo comete. O juízo anunciado pelos profetas não eram tão transcendental, mas praticado através da conquista de Israel por reis estrangeiros, como os assírios e babiloneses, que nada mais eram do que instrumentos que Deus escolheu para executar o seu juízo. Apenas um resto elegido poderia participar da era messiânica.

Começando com os profetas Ezequiel e Zacarias, em seguida há uma mudança radical: todo o universo se aproxima de uma catástrofe. Depois dela virá o reino de Deus. Esse modo de ver os últimos tempos é expressão do gênero literário apocalíptico, cujo culmine, no Antigo Testamento, se encontra em Daniel. Essa é a base sobre a qual está plantada a escalogia do Novo Testamento.

Vimos acima os textos que mostram como é apresentada a escatologia pelos autores do Novo Testamento. Essa mensagem não é um elemento superado, mas um fator essencial do anúncio evangélico. O cerne desta mensagem se encontra nas seguintes palavra pronunciadas por João Batista: «Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo.» É por isso que alguns exegetas chegam a afirmar que todo o evangelho é dominado por um ponto de vista escatológico. Isso contudo pode nos conduzir ao exagero de pensar que a moral pregada pelo Novo Testamento é alguma coisa provisória, não para gente que deve viver todo o tempo aqui, sobre a terra, mas que vive na espera do Reino de Deus. Esse é um erro, pois é evidente que os últimos tempos no Novo Testamento não é somente um acontecimento futuro, mas alguma coisa já realizada (como pensa Charles Harold Dodd) ou ao menos já iniciada (Joachim Jeremias, Cullmann).

E aqui chegamos à conclusão e cerne da nossa reflexão. A vinda de Cristo é o evento escatológico, que marca o fim do velho mundo, do pecado, do homem velho, da morte e inaugura a nova era onde age a graça, o perdão e a vida. A morte e ressurreição de Cristo marcam a vitória contra Satanás. É uma realidade já realizada. Em outras palavras, o fim dos tempos já se realizou, já aconteceu. Contudo a tensão ainda existe, pois a manifestação gloriosa da vitória de Cristo é uma esperança, que se realiza em parte a cada dia, na igreja, por exemplo, que é a manifestação do reino de Deus, embora não seja uma manifestação plena.

Há 4 termos, chamados classicamente de Novissimos, que indicam o destino final do ser humano, intimamente ligado com os últimos tempos: morte (a última coisa que acontece neste mundo), juízo (pelo qual todos devemos passar), inferno (mal extremo reservado aos maus) e paraíso (o bem reservado aos fiéis). Essas coisas não indicam o fim do mundo, mas o fim como meta. E exatamente esta é a conclusão: Os últimos tempos não significam fim catastrófico, mas meta que temos que alcançar. E os fatos que marcam esse tempo são a vitória de Cristo contra o mau, o juízo que reconhece a fé e a vida plena, em contraposição à morte eterna.

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