Uma janela sobre o mundo bíblico

O que significa a frase: "Quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas"?



  • Pergunta de Alexandre Gusmar Schraiber, São José dos Pinhais
  • 3669
  • 21/09/2013
Luiz da Rosa

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A frase que você cita é dita no contexto da parábola sobre o administrador infiel, contada por Lucas no capítulo 16. A historinha contada por Jesus fala de um administrador que, por causa da sua infidelidade, seria expulso do cargo pelo patrão. Esse administrador, vendo próxima a sua decadência, decide fazer caridade às custas do dinheiro do patrão, perdoando as dívidas dos creditores do patrão, pensando que no futuro, quando ele seria despedido, as pessoas que tiveram suas dívidas perdoadas o acolheriam nas suas casas. E, para a nossa surpresa, Jesus louva esse administrador, quando diz que o patrão elogia o comportamento do seu administrador.

Depois da parábola, Jesus diz as seguintes palavras, que contem a frase que você cita:

fazei amigos com o dinheiro da iniquidade, a fim de que, no dia em que faltar o dinheiro, estes vos recebam nas tenas eternas (Lucas 16,9).

Entendendo a parábola

Para entender o 'elogio' que o adminstrador infiel recebe é fundamental entender a situação desse tipo de pessoa no tempo de Cristo. Lemos na Bíblia de Jerusalém:

Segundo o costume tolerado na Palestina naquela época, o administrador tinha o direito de conceder empréstimos com os bens do seu senhor. E, como não era remunerado, ele se indenizava aumentaando, no recibo, a importância dos empréstimos. Assim, na hora do reembolso, ficava com a diferença como um acréscimo que era o seu juro. Pondo no recibo a quantia real, priva-se apenas do benefício que havia subtraído. Sua desonestidade não consiste, pois, na redução dos recibos - o que não é senão um sacrifício de seus interesses imediatos, manobra hábil que o senhor pode louvar - mas antes nas malversações anteriores que motivaram a sua demissão.

Portanto, o administrador infiel é louvado por que, na hora da miséria (perda do emprego), soube renunciar a seu método de injustiça (a cobrança de juros, à usura) para ser bem acolhido entre aqueles com quem convivia.

O conselho que Jesus dá a seus ouvintes, provavelmente gente rica, é para que sejam sábios como esse administrador infiel, quando se trata de dinheiro. Se você tem dinheiro, ao menos o use bem, para criar amizades, para criar uma situação que lhe traga proveito no futuro, no dia em que faltar dinheiro. Se eventualmente haver necessidade, as pessoas a quem você fez o bem, com o dinheiro que tinha, lhe ajudarão, lhe acolherão em suas casas, sinônimo para "tendas eternas".

Jesus e o dinheiro

Em Lucas 16,9, frase citada acima, Jesus fala em "dinheiro da iniquidade". 3 versículos mais adiante (Lucas 16,13) completa:

Ninguém pode servir a dois senhores: com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro".

Dinheiro da iniquidade exprime um juízo sobre a fortuna em si. Não somente diz que quem possui dinheiro adquiriu  mal, mas sublinha que normalmente, por trás de toda riqueza existe uma situação de injustiça.

"Os bens são sempre traiçoeiros, sempre perigosos, sempre na iminência de escravizar nosso coração e nos fazer seus prisioneiros. O dinheiro é injusto porque sempre nos tenta à injustiça de dar-lhe a honra que é devida somente a Deus e de buscar nele a segurança que somente o Senhor nos pode garantir. Por isso, Jesus chama os bens deste mundo de “dinheiro injusto”… Sempre injusto, porque sempre traiçoeiro, sempre traiçoeiro, porque sempre sedutor! Constantemente corremos o risco de nos embebedar com ele, fazendo dele o fim de nossa existência, nossa segurança e nosso deus… Mas, os bens materiais, em geral, e o dinheiro, em particular, não são maus de modo absolutos… Eles podem ser usados para o bem. Por isso Jesus nos exorta a fazer amigos com eles… Fazemos amigos com nossos bens materiais ou espirituais quando os colocamos não somente ao nosso serviço, mas também ao serviço do crescimento dos irmãos, sobretudo dos mais necessitados. Aí, o dinheiro se torna motivo de libertação, de alegria e de vida para os outros… Aí, então, tornamo-nos amigos dos pobres, que nos receberão de braços abertos na Casa do Pai!

Os bens deste mundo são pouco, em relação com os bens eternos que o Senhor nos promete para sempre. Pois bem, escutemos o que diz o nosso Salvador: “Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes. Se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso?” Em outras palavras, para que ninguém tenha a desculpa de dizer que não compreendeu o que o Senhor quis dizer: Quem é fiel nas coisas pequenas deste mundo, será fiel nas coisas grandes que o Pai dará no céu. Se vós não sois fiéis no uso dos bens desta vida, como Deus vos confiará a vida eterna, que é o verdadeiro bem? E se não sois fiéis nos bens que não são vossos para sempre, como Deus vos confiará aquilo que é o verdadeiro bem, a vida eterna, que será vossa para sempre?" (D. Henrique Soares da Costa).

Não deixe de ler um comentário de Francisco Orofino sobre esse texto de Lucas, publicado pelo CEBI há poucos dias.

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