Uma janela sobre o mundo bíblico

Em Lev. 12, 2,5 a mulher é considerada impura após o parto. Claramente vemos que a intenção destas passagens é proteger a mulher contra possíveis infecções puerperais. Entretanto, em 15,33; 18, 19 e 20, 18 considera-se menstruação sinal de impureza. Hoje graças à moderna ciência sabemos que menstruação nada tem a ver com impureza. Para um ateu é fácil dizer que o hagiógrafo desconhecia a sua verdadeira função. E para nós crentes, o que Moisés quis nos dizer com estas passagens?



  • Pergunta de Paulo Favero, Ponta Grossa
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  • 07/10/2013
Luiz da Rosa

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É uma reflexão muito legítima e a pergunta não tem uma resposta fácil. Em jogo está o papel que em o Antigo Testamento para nossas vidas. Como deve um cristão comportar-se diante de tantos aspectos estranhos para a nossa cultura ocidental e moderna? As leis que eram características do povo hebreu têm valor ainda para nós hoje? São perguntas que se somam àquelas suas e que nos mostram quão grande seja o âmbito dessa questão.

A questão de fundo é saber qual é o lugar ou a função da lei revelada por Deus na vida moral do cristão de hoje. É um problema posto pela teonomia. Há uma corrente calvinista muito importante que retém que nós somos totalmente dependentes de Deus, da sua palavra e que toda ética tem que considerar somente a Bíblia e que toda a humanidade precisa respeitar o que nella está escrito. Desse modo, há leis mosaicas que ainda estariam em vigor, se não afetadas por uma mudança clara no novo pacto moral deixado por Cristo e pelos apóstolos. Portanto segundo, tal concepção, as leis do Antigo Testamento seriam ainda vinculantes para nós hoje.

Jesus, por um lado diz que a Lei foi feita para o homem e não o homem para a Lei e, por outro, diz que veio cumprir toda a Lei.

Particularmente penso que as leis do Antigo Testamento precisam serem vistas na perspectiva da revelação. Ela se realiza na história e supõe a capacidade das pessoas de entenderem o que Deus quer transmitir. Deus não manda do céu um código pronto, que precisa ser observado. A humanidade vai aprendendo e os processos vividos pelo povo hebreu faz parte desse aprendizado. Quando entramos na escola, somar 2+2 é um processo complicado, mas quando passamos para a universidade, essa operação parece até ridícula. Mas seria ignorância negar a sua importância no processo da nossa formação e alfabetização.

Além disso creio ser interessante ver a perspectiva de considerar a Torah como os judeus a consideram, ou seja, como "ensinamento" e "instrução" e não necessariamente como "lei" que nos deixa amarrados. Nessa perspectiva, as leis mosaicas são instruções, ensinamentos e não leis imutáveis.

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