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Leitura orante: Salmo 146



  • Estudo
  • 14183
  • 29/10/2013
Ivete Holthmam

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 MEDITAÇÃO SOBRE O SALMO 146

Alegre-se!

O Salmo 146 nos ensina que a felicidade é o resultado do louvor, não a causa do louvor. Se compreendermos realmente que Deus está além e em todas as coisas, possuirímos a pedra fundamental da sabedo­ria. Em resposta, nossa canção seria: "Louvarei ao Senhor agora e até o último momento de minha força declinante".

Salmo 146

1.      Louva ao Senhor
        Louva ao Senhor, ó minha alma!

2.      Enquanto eu viver, vou louvar ao Senhor!
        vou tocar ao meu Deus, enquanto eu existir!

3.      Não coloqueis a segurança nos nobres
        nos filhos dos homens que não podem salvar.

4.      Exalam o espírito e voltam à terra, e
        no mesmo dia perecem seus planos!

5.      Feliz quem se apoia no Deus de Jacó,
        quem põe a esperança no Senhor seu Deus:

6.      foi ele quem fez o céu e a terra, o
       mar e tudo o que neles existe.
       Ele mantém para sempre a verdade:

7.      fazendo justiça aos oprimidos
         dando pão aos famintos;
         Senhor liberta os prisioneiros,

8.      O Senhor abre os olhos dos cegos,
Senhor endireita os curvados,
Senhor ama os justos.

9.      O Senhor protege os estrangeiros;
        sustenta o órfão e a viúva,
        mas transtorna o caminho dos ímpios.

10.  O Senhor reina para sempre,
        teu Deus, ó Sion, de geração em geração!
        Louva ao Senhor!

 

Comentário

Os Salmos 146-150 começam e terminam com "Louva ao Se­nhor!", ou "Aleluia", que sintetizam o conteúdo de cada salmo. Paraofiel, "Aleluia" é o começo, o meio e o fim da vida.

O fundamento para o "Aleluia" no Salmo 146 é que Deus é o Deus da História e o Deus da criação: "Feliz quem se apoia no Deus de Jacó, quem põe a esperança no Senhor seu Deus, foi Ele quem fez o céu e a terra" (vers. 5-6).

O Salmo 146 começa com a ordem a toda criação: "Louva ao Senhor!".  A segunda ordem é endereçada à própria pessoa: "Louva ao Senhor, ó minha alma". A alma responde "Enquanto eu viver vou louvar ao Senhor em tudo que eu fizer".

A pedra fundamental da sabedoria é compreender que “O Senhor é o único Deus, tanto no alto do céu, como cá embaixo, na terra”. Não existe outro (Dt 4,39). Este criador é Deus do universo e Senhor do mundo todo. Nada se move sem a permissão divina. Não existe nada sem Deus. Então quando contemplamos as obras e os maravilho­sos prodígios de Deus, obtemos um vislumbre de sua infinita e incom­parável sabedoria. O prodígio leva-nos a amar e a glorificar a Deus.

À luz da sabedoria suprema e do amor de Deus, o salmista admo­esta-nos a não confiar nas incertas promessas dos líderes humanos e outros mortais. O profeta Jeremias faz nos lembrar que Deus é a verdade Jr 10,10) Todas as outras verdades são relativas.

A convicção firme de que Deus é o Criador e Senhor da História fornece-nos uma excelente oportunidade para apreciar o quadro da vida com bem e mal, escuridão e luz. Sem a fé, enxergamos miopemente, igual a uma pessoa que fica muito perto de uma pintura. Com os olhos da fé — apesar das guerras, enchentes, fome e morte o salmista proclama:

O Senhor liberta os prisioneiros,
O Senhor abre os olhos dos cegos,
O Senhor endireita os curvados,
O Senhor ama os justos.
O Senhor protege os estrangeiros.

Observe que cada linha começa com "O Senhor" escrito com maiúsculas. Senhor é uma palavra substituta para Yahweh (soletrada YAHWEH), o nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente. Yahweh refere-se especificamente ao atributo de misericórdia de Deus:

"O Senhor, O Senhor,
um Deus de ternura e de piedade,
lento para a cólera,
e rico em amor e fidelidade" (Ex 34,6-7)

O nome Deus representa justiça. Ele é compreendido como um atri­buto da misericórdia porque a justiça de Deus é também parte da misericórdia de Deus.

O Senhor da misericórdia e da justiça liberta os prisioneiros, abre os olhos cegos, levanta os humildes, ama os íntegros, e protege os peregrinos, as viúvas e os órfãos. Na justiça, os ímpios serão transtor­nados enquanto aos famintos será dada comida, os prisioneiros serão libertados, e as viúvas e órfãos serão elevados.

O salmo termina alegremente, assim como começou, "Aleluia", ou "Louva ao Senhor!".

 

Reflexões

* O alicerce de toda sabedoria está em saber que o Criador, o Não-gerado, trouxe tudo ao ser. Vagarosa e piedosamente repita, "O Se­nhor é o único Deus ,tanto no alto do céu, como cá embaixo na terra. Não existe um outro!" (Dt 4,39).

* Faça uma caminhada. Contemple de sua janela. Recorde um lugar especial na natureza. À medida que você presta atenção na criação, reze repetidamente: "Louva ao Senhor. Louva ao Senhor, ó minha alma!"

* Durante o seu dia de trabalho, reze esta linha repetidamente: "O Senhor, o Senhor, um Deus de ternura e de piedade, lento para a cólera, rico em amor e fidelidade". Anote quaisquer efeitos em seus sentimentos e ações após ter feito essa prece.

* O Versículo 2, "Enquanto eu viver, vou louvar ao Senhor" foi também traduzido como "com o pouco que eu deixei". O "pouco que eu deixei" pode se referir ao pouco de bom encontrado dentro de uma pessoa mesmo no meio da maldade. Encontrar este "pouco de bom" é como encontrar "fagulhas" de bondade. Quais são algumas de suas fagulhas de benevolência, pequenos atos de bondade que você percebe  na sua vida? Examine seu passado recente quanto a essas fagu­lhas e agradeça a Deus por elas.

* Como você pode ser uma centelha de esperança para os outros ou inflamar fagulhas de esperança nos outros? Faça um levantamento de suas relações quanto a estas oportunidades.Então peça a graça de que você necessita para lançar fagulhas de es­perança.

* Reflita sobre suas limitações, feridas e fraquezas. Para cada uma delas, diga "Eu vou Te louvar com o pouco que me restou".

* Imitando os versículos 7-9 ("0 Senhor liberta os prisioneiros", e assim por diante, escreva cinco frases sobre as grandes coisas que Deus realizou em sua vida. Comece cada frase com, "O Senhor" e então enuncie a graça. Relate algumas dessas cinco graças.

* Medite sobre esta história de misericórdia e justiça do Talmude, um livro que traz todos os ensinamentos da Bíblia hebraica referentes à vida humana em todos os seus aspectos:

Conta-se uma história sobre um certo homem que veio do Norte da Galiléia e foi contratado por um indivíduo no sul por três anos. A véspera do Dia de Yom Kippur ele solicitou ao patrão, "Paga-me meus salários pois preciso ir e sustentar minha esposa e meus filhos". "Não tenho dinheiro", ele respondeu. "Dá-me produção", ele exigiu. "Não tenho nada", ele respondeu. "Dá-me terra." — "Não tenho nenhuma." "Dá-me travesseiros e roupas de cama." "Não tenho nenhuma." [O trabalhador] pôs suas coisas nas costas e foi para casa com um coração triste.

Após a Festa o seu patrão pegou seus salários juntamente com três burros carregados, um levando alimento, outro bebida e um terceiro frutas cristalizadas e dirigiu-se para a casa do empregado. Após eles terem comido e bebido, o patrão deu-lhe seus salários. Disse-lhe, "Quando você me pediu, `Dá-me meus salários', e eu lhe respondi, `Não tenho dinheiro', do que você desconfiou de mim?" "Eu pensei, `Talvez o senhor tenha encontrado uma merca­doria em conta e adquiriu com ele."' "Quando você me solicitou, `Dá-me gado', e eu respondi, `eu não tenho gado', do que você suspeitou de mim?" Eu pensei `Ele foi cedido a outros."' "Quando você me pediu, `Dá-me terra', e eu respondi, `não tenho terra', do que você desconfiou de mim?" "Eu pensei, Talvez ela tenha sido arrendada a outros."' E quando eu lhe disse, `Não tenho nenhuma produção', do que você desconfiou de mim?" "Eu pensei, Talvez o dízimo delas não tenha sido cobrado."' "E quando eu lhe disse, `Eu não possuo travesseiros ou roupa de cama', do que você desconfiou de mim?" "Eu pensei, Talvez ele tenha consagrado toda a sua pro­priedade a Deus."... "E foi exatamente assim; Eu consagrei toda a minha propriedade porque meu filho, Hircano, não se ocupava com a Torah, mas quando eu me dirigi aos meus companheiros no Sul eles me dispensaram de todos os meus votos. E quanto a você, justamente porque me julgou benignamente, assim possa o Onipo­tente julgá-lo benignamente" (H. Freedman, trad., e I. Epstein, ed., Shabbat, New York, Soncio Press, s. d., p. 127b).

No Salmo 146, o nome para Deus supõe misericórdia. Na histó­ria, o empregado demonstra julgamento misericordioso para com seu patrão. Como você julga os outros? Há alguém que você tenha julgado severamente? Se há, como você pode reparar isso ou inflamar uma fagulha de esperança nessa pessoa?

* Vagarosamente reze estas palavras atribuídas a São Francisco de Assis:

Senhor, faze-me instrumento de Tua paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver trevas, que eu leve a luz;
E onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

 

Versículo a ser memorizado

Louva ao Senhor, ó minha alma! (Sl 146,1)

(autora do texto: Maureena Fritz)

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