Uma janela sobre o mundo bíblico

A nossa Bíblia é conforme ao original? Introdução à crítica textual



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  • 01/12/2013
Luiz da Rosa

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Na medida em que os cristãos entram em contato com a Bíblia, tornam-se de domínio público certas questões reservadas, até há pouco tempo, a círculos de cientistas da Bíblia. Hoje em dia, por exemplo, é comum encontramos aqui no site perguntas do tipo: A bíblia que temos hoje é confiável? O texto bíblico foi mudado? Não são perguntas novas, pois há muito tempo os exegetas tentam dar respostas a tais questionamentos. A novidade está no fato que agora é o “povo” que quer encontrar uma resposta.

A resposta para tais perguntas deve passar necessariamente pelo âmbito de uma ciência chamada Crítica Textual. É um campo, como disse, reservado a poucos espertos, embora ultimamente tem aparecido obras que procuram acostumar o público a lidar com os instrumentos dessa disciplina.

Esse artigo, junto com outros textos já presentes no site, quer ajudar nesse processo de aproximação do grande público à Crítica Textual.

Constatação do problema

Antigamente tínhamos em mãos uma versão da Bíblia e aquela era “a Bíblia”. Hoje, com os inúmeros instrumentos disponíveis, também com aqueles disponibilizados pela rede, facilmente nos deparamos com dúvidas sobre o texto que estamos lendo: será que foi esse o texto que o autor inspirado por Deus escreveu ou ele foi mudado por alguém? Basta abrir uma versão da Bíblia que seja bastante séria, ler as notas e eis que brotam vários interrogantes.

Tomamos, por exemplo, 1Samuel 6,12, e confrontamos algumas versões em português. Esse texto diz que Deus feriu um certo número de homens de Bet-Sames, pois tinham olhado o interior da Arca da Aliança. Prestemos atenção no número dos homens feridos:

Bíblia de Jerusalém: Ele feriu entre o povo setenta homens (cinquenta mil homens) – Nota de rodapé: “cinquenta mil homens” pode serglosa, a não ser que se compreenda “setenta homens sobre cinquenta mil”.
Ave Maria: feriu setenta homens entre cinqüenta mil.
CNBB e Pastoral: Por isso é que Javé castigou setenta homens deles. 
Almeida Revista e Atualizada: feriu deles setenta homens
Almeida Revista e Corrigida: até ferir do povo cinquenta mil e setenta homens.
Nova Tradução na Linguagem de Hoje: Setenta homens de Bete-Semes olharam para dentro da arca da aliança, e por isso o SENHOR os matou.

 Deixando de lado o estilo do tradutor e concentrando-nos sobre o número dos homens afetados pela ação de Deus, não fica claro para o leitor qual foi o número. A maior parte dos manuscritos em hebraico (língua original do texto) e dos manuscritos da LXX (“Setenta” = tradução muito antiga em grego do Antigo Testamento) trazem o número  50.070. Então por que a maioria das traduções diz que forma atingindos 70 homens?

Tomamos agora o texto do Pai-Nosso segundo Mateus 6,13, seguindo o mesmo método de apresentar os textos das diferentes versões de bíblias que temos diante de nós:

Bíblia de Jerusalém: E não nos submetas à tentação, mas livra-nos do Maligno
Ave Maria, CNBB, Pastoral: e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Almeida Revista e atualizada: e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!
Almeida Revista e corrigida:E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!
Nova Tradução na Linguagem de Hoje: E não deixes que sejamos tentados, mas livra-nos do mal. [Pois teu é o Reino, o poder e a glória, para sempre. Amém!]”

As três últimas versões, de ambiente protestante, acrescentam uma frase que não aparce nas outras versões, católicas. Qual das duas representam o texto original e em base a quais critérios escolhem de mostrar ou omitir essa frase presente em alguns manuscritos gregos e ausente em outros?

Sem dúvidas, o leitor que consegue detectar esses problemas durante a leitura ou o estudo, mesmo lendo eventuais notas fica confuso e sua relação com a Bíblia pode ter consequências negativas. A lógica normal é que cada vez mais os cristãos que usam frequentemente a Bíblia se encontrarão com problemas desse tipo. A solução não é ignorar a questão, mas ter coragem e se aprofundizar no estudo da crítica textual. É óbvio que não é necessário se tornar esperto nisso, mas conhecer o problema e saber como lidar com ele é uma arma a mais na mão do fiel.

Papel da crítica textual e pressupostos básicos

O crítico textual é como um detetive: diante de um crime, ele faz de tudo para encontrar os indícios que levem a descobrir o culpado do crime. No nosso caso, diante de um texto problemático, ele faz de tudo, servindo-se de eventuais indícios presentes em manuscritos e outros materiais antigos, para descobrir o texto original, aquele texto que foi escrito pelo autor inspirado por Deus.

Partimos do pressuposto que não temos nenhum texto orignal (autógrafo) da bíblia. Existem milhares de textos manuscritos, alguns muito antigos, outros menos antigos, que reproduzem textos dos livros bíblicos. Esses manuscritos representam a base a partir da qual nascem as edições em português que temos em mãos. A maioria dos manuscritos existentes não concorda com os outros nos mínimos detalhes. Por isso a crítica textual é necessária para resolver as dúvidas diante dos textos variantes, tentando descobrir porque eles diferem e qual é o mais próximo ao original.

É necessário saber que o processo de transmissão do texto bíblico passou por inúmeras etapas. O Antigo Testamento teve um processo mais complexo do que o Novo. Ambos porém não gozaram das características de transmissão de textos que existem a partir do momento que foi criada a imprensa, no XV século. Ou seja, os textos bíblicos não eram imprimidos, mas copiados, às vezes por copistas profissionais e outras por pessoas menos capazes, simples fieis desejosos de possuir um tipo de relíquia como podia ser, por exemplo, uma carta de um apóstolo. Durante a ação de copiar o texto se incorreu em muitos erros involuntários e modificações conscientes do texto bíblico. A crítica textual desmascara esses erros, propondo aos tradutores aquele que possa ser o texto mais próximo ao original.

O que faz a crítica textual

Diz-se que a crítica textual se baseia no bom senso e na razão (Housman). A razão é usada porque se respeita regras específicas quando se dá um valor aos diferentes erros de transcrição e leitura atribuídas às pessoas que copiaram à mão o texto. É necessário usar também o bom senso, pois tais regras nem sempre podem ser aplicadas. Ao mesmo tempo precisa ter familiaridade com os erros típicos dos copistas, dos manuscritos, das traduções e de seus autores. Isso só se adquiri com trabalho sistemático.

Diante de um texto difícil, que apresenta diferentes leituras dependendo do manuscrito que se toma em consideração, a crítica textual procura definir qual é o texto mais confiável. Aonde isso não é possível, ajuda a evitar o dogmatismo, isto é, aconselha a ser prudente, ajudando a compreender eventuais significados das variantes do texto.

O resultado dos estudos realizados pelos críticos são reunidos em obras clássicas, disponíveis para todo o público. Em síntese, alguém que deseja traduzir o texto bíblico do texto original (hebraico, aramaico e grego) não precisa correr o mundo atrás de manuscritos, reuni-los (visto que muitos contêm apenas pedaços de livros ou até mesmo poucos versículos) e depois traduzi-los. Os tradutores tomam em mãos as obras clássicas que reúnem todo o resultado da crítica textual e a partir dali vertem o texto.

Há diversas edições críticas dos textos originais da Bíblia, em hebraico e em grego. A mais clássica em hebraico, que reúne os livros do Antigo Testamento escritos em hebraico, é a Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS), da Sociedade Bíblia da Alemanha. O seu site oficial é http://www.academic-bible.com. Esse livro traz o texto hebraico segundo o Codex Leningradensis (o texto completo mais antigo do Antigo Testamento, do ano 1008 depois de Cristo), mas para cada palavra, com notas muito detalhadas, traz as variantes existentes em todos os manuscritos conhecidos, espalhados pelo mundo afora  e, ao mesmo tempo, exprime um juízo sobre as variantes existentes, fornecendo um instrumento fundamental para a escolha do texto que deverá ser traduzido. Essa escolha final de qual texto (em caso da presença de variantes) é feita pelo tradudor que realiza a versão para o português, por exemplo. Ninguém obriga ele a adotar a escolha feito pelos espertos, que, de qualquer forma, é indicada na versão crítica da BHS.

A mesma coisa acontece para os textos do Novo Testamento, que foram escritos em grego. Nesse caso, a Mesma Sociedade Bíblica da Alemanha conduz o projeto dos autores Nestle e Aland, que chegou à edição número 28. Essa edição crítica é conhecida com o nome latim: Novum Testamentum Graece. O site oficial é http://www.nestle-aland.com. Em relação ao Novo Testamento é importante mencionar a Greek New Testament (http://www.ubs-translations.org/cat/biblical_texts/greek_scriptures_and_reference/new_testament/).

Essas são algumas edições clássicas. Há vários outros projetos, que abrangem também outras versões que tem considerável importância, como as versões críticas da LXX (tradução em grego da Bíblia Hebraica e outros 7 livros) e da Vulgata (tradução em latim de toda a Biblia).

Como é o texto da Bíblia que chegou até nós?

Na Biblia Hebraica Stuttgartensia, a edição crítica dos livros do Antigo Testamento, a cada 10 palavras uma palavra recebe uma nota que indica alguma variante textual. Ou seja, 10% das palavras do Antigo Testamento hebraico tem alguma variante. Lendo de modo otimista, 90% do texto do Antigo Testamento não apresenta nenhum problema. Além disso, a maioria das variantes existentes tem pouca relevância e somente em pouquíssimos casos influenciam a mensagem do texto.

Em relação ao Novo Testamento, das 6900 palavras existentes na quarta edição do Greek New Testament, uma das versões críticas citadas acima, apenas 500 palavras apresentam alguma questão. Portanto 7% das palavras tem variantes. E a importância dessas variantes é parecida com a situação do Antigo Testamento, isto é, na maioria dos casos se trata de pequenos erros ortográficos, sem nenhuma importância para a mensagem.

Os manuscritos dos textos bíblicos

Os críticos textuais baseiam o próprio trabalho sobre os manuscritos que reportam textos bíblicos. Esses manuscritos podem ser de poucos centímetros, com apenas algumas palavras, ou verdadeiros livros com grande quantidade de textos, como é o caso do Código de Leningrado, citado acima, que traz todo o Antigo Testamento em hebraico. A idade desses manuscritos (pergaminhos, papiros, pedaços de cerâmicas, etc) varia muito. Há textos muito antigos, a partir do III século antes de Cristo (Qumran), e outros mais recentes.

Nos últimos anos cresceu muito o número de manuscritos a disposição da Crítica textual. Mas o resultado não mudou muito (para o AT os manuscritos do Mar Morto e para o NT os 300 manuscritos do Mosteiro de Santa Catarina, no Sinai): existem poucas diferenças significativas entre os manuscritos e entre elas há uma diferença mínima em relação ao significado e conteúdo. Poderíamos dizer que nenhuma posição teológica dipenda de uma variante textual.

O texto mais antigo que temos é do Antigo Testamento e trata-se deum amuleto de prata, datado do VII século antes de Cristo, e traz dois versículos do livro de Números. Outros textos antigos são da região do Mar Morto e teriam sido escritos pro volta de 200 anos antes de Cristo. Como já acenado, o texto completo da Bíblia Hebraica mais antigo é o Códice de Leningrado, do ano 1008 depois de Cristo.

Existem cerca de 90 manuscritos com textos do Novo Testamento que são anteriores ao III século depois de Cristo além de inúmeras citações dos textos nos padres da igreja. O texto mais antigo do NT é o Papiro 52 (P52 Rylands) - foto ao lado - http://pt.wikipedia.org/wiki/Papiro_P52, que seria do ano 125 depois de Cristo e contém fragmentos do capítulo 18 do Evangelho de João (contém os versículos 31-33 e, no verso, os versículos 37-38). Portanto, trata-se de um papiro de cerca de 30 anos depois que o Evangelho foi escirto. Em relação ao texto completo, a situação é melhor do que o Antigo Testamento em hebraico, cujo texto completo, repetindo, mais é antigo é do ano 1008. Do NT, invés, temos vários códigos (conjunto de livros) que trazem todo o texto do Novo Testamento  reunido, junto com o texto grego do Antigo Testamento. O código Sinaítico, datado entre o ano 330 e 360, traz, junto com parte do AT em grego, todo o Novo Testamento. Nesse link pode ver a lista dos manuscritos mais importantes do Novo Testamento, em inglês: http://www.usefulcharts.com/religion/oldest-bible-manuscripts.html

Diferenças entre AT e NT

Em relação aos textos do AT precisamos considerar um período de tempo muito comprido e muito trabalho de transmissão do texto. Todavia existiam os escribas, pessoas espertas que tinham como profissão o copiar textos. Para o Novo Testamento invés, o tempo de transmissão foi muito menor. Todavia, muitos textos que chegaram até nós derivam da piedade individual e não são frutos de copistas espertos. Muitos pedaços de manuscritos do NT foram encontrados, por exemplo, em pedaços de jarras, em tampas de túmulos. Eram cristãos que queriam ter consigo um pedaço de uma obra que lembrava os apóstolos; era um tipo de piedade pessoal e não existia um escrúpulo tão grande quanto podemos considerar em relação aos escribas para o texto hebraico, o AT.

Por isso, a diferença básica entre os textos do AT e do NT é que os do primeiro têm menos variantes derivadas de erro de cópia, enquanto que os do NT têm mais variantes provocadas por erros típicos de um copista não profissional. Todavia é muito mais fácil descobrir o texto correto do NT do que aquele do AT. De fato é fácil identificar um erro de cópia, mas é muito mais difícil identificar, por exemplo, de onde surgiu a diferença de informação entre dois textos paralelos, que falam do mesmo evento com informações diversas, coisa que acontece muitas vezes no AT.

Visto que os problemas do AT muitas vezes transcendem propriamente o texto, a pergunta de fundo é: quando o texto dos livros do Antigo Testamento foi colocado na forma em que o conhecemos hoje? É muito difícil dar uma resposta a esta questão. E é também provável que eles sofreram sucessivas modificações. Tomemos dois exemplos.

Em Gênes 14,14, no contexto da história de Abraão, se faz menção à cidade de Dã. Invés se sabe (Juízes 18,29) que essa cidade recebeu tal nome somente no tempo dos Juízes, bastante depois de Abraão.

Isaías 7,8 diz: dentre 65 anos Efraim deixará de ser um povo”. Isso acontecerá somente mais tarde e provavelmente foi acrescentado por alguém depois que apareceu Assurbanipal e muita gente de Israel foi deportada.

Sempre em relação ao AT, alguns estudiosos tentam descobrir qual é a forma final do texto bíblico, pois é de comum consenso que houveram redatores que colocaram junto diversos pedaços de escrituras, diversas tradições. Por outro lado, pode ser também que tenham existido diferentes formas originais de um texto bíblico. Os que defendem tal hipótese nos convidam a comparar alguns textos que dão a mesma notícia, em livros diferentes. Esses textos têm muitos elementos comuns e, ao mesmo tempo, trazem elementos diferentes. Veja, por exemplo, estes textos e compare entre eles as informações: 2Samuel 22 e Salmo 18; 2Reis 18,13-20;19 e Isaías 36-39; Isaías 2,2-4 e Miqueias 4,1-3; Salmo 14 e Salmo 53; Salmo 40,13-17 e Salmo 70.

As evidências disponibilizadas por estes textos nos permitem levantar duas hipóteses: as diferenças podem indicar duas fontes originais ou indicar que uma das fontes foi intencionalmente ou sem querer modificada.

Um caso excepcional é o livro de Jeremias, que na LXX (tradução em grego feita por volta do ano 200 antes de Cristo) é um oitavo mais curto do que no Texto Massorético, além de ser organizado em modo diferente. Essa diferença não pode ser explicada simplesmente dizendo que foram erros provocados pelos copistas. Podemos acrescentar o fato que em Qumrãn, texto em hebraico, foi encontrado um manuscrito de Jeremias que tem características muito parecidas com o texto da LXX, o que prova que existiam, contemporaneamente, versões diferentes do texto hebraico. Mas não conseguimos indentificar como nasceram essas diferenças e tão pouco sabemos se tivessem, aos olhos dos judeus daqula época, o mesmo valor, a mesma importância como Palavra de Deus.

É provável que até o primeiro século depois de Cristo os textos do AT fossem muito fluídos. Isso provoca muita dificuldade para a crítica textual, pois fica difícil determinar qual das opções de texto é a primeira versão de um texto que mudava em continuação. Invés, a partir do Século I depois de Cristo o texto adquire uma versão padrão e as variantes que nasceram a partir desse momento são mais fáceis de serem identificadas e justificas.

É claro que o fato de ter um texto fixado é uma grande ajuda para a crítica textual, pois a partir desse momento se tem um metro de juízo. Todavia nem todos os problemas ficam resolvidos, pois quem garante que o texto escolhido como padrão tenha sido aquele original? Pode ter sido escolhido uma variante, diversa daquilo que escreveu o autor. Ou seja, fica ainda no ar a pergunta: é possível verificar se existe para o AT uma forma do texto mais confiável, que precede aquela estabelecida no I século?

Um exemplo que nos ajuda a responder afirmativamente a esta questão se encontra no texto de Gênesis 4,8. O texto canônico diz:

Disse Caim a Abel seu irmão e aconteceu que, enquanto estavam no campo, Caim matou seu irmão Abel.

Obviamente, nesse texto, falta o conteúdo do que disse Caim a seu irmão. Algumas versões (LXX, Pentateuco Samaritano, Peshita, Vulgata) e manuscritos em hebraico acrescentam a frase “vamos para o campo”, que parece necessária para entender o texto. É verdade que essas versões e manuscritos podem ter incluído essa frase para tornar o texto mais claro, mas é mais provável que ela fazia parte do texto original e que não aparece no texto canonizado como Bíblia. Portanto, nesse caso, parece evidente que o texto oficial tem um defeito.

É utópico pensar que descobriremos qual é o texto que saiu da “caneta” do autor bíblico, embora esse seja o ideal da crítica textual. Tov, um dos grandes espertos dessa disciplina, diz que o importante é tentar estabelecer qual é a forma mais antiga do texto canônico, tentando determinar, sempre em relação ao Antigo Testamento, qual é o texto, que sabemos ter existido antes do Século I depois de Cristo (documentos de Qumran, LXX, Pentateuco Samaritano), que reflete mais de perto a forma original do texto hebraico. Exemplificando, precisamos definir, por exemplo, em relação a Deuteronômio27,4, se esse texto originalmente continha uma prescrição em ralação ao culto sobre o Monte Ebal, como indica o texto canônico, ou sobre o Monte Garizim, como, invés, é indicado pela LXX e pelo Pentateuco Samaritano. Ou ainda, se está certo a Bíblia quando diz que o povo de Israel esteve 430 anos no Egito (Êxodo 12,40) ou estão corretos a LXX e o Pentateuco Samaritano quando afirmam que tal periodo comprende seja o tempo em que estiveram no Egito seja o tempo em que estiveram na região de Canaã.

Bibliografia

Se você tem facilidade com o inglês existe um site interessante, uma mini enciclopédia sobre a critica textual, concebido por Rich Elliott

Os livros sobre esse tema são inúmeros, mas, infelizmente poucos em português. Cito apenas 3 boas obras de autores brasileiros, sem pretender ser exaustivo.

* B. P. Bittencourt, O Novo Testamento: Cânon, língua, texto, ASTE, São Paulo 1984
* Wilson Paroschi, Crítica Textual do Novo Testamento, Edições Vida Nova, São Paulo, 1993.
* C. M. Dias da Silva com a colaboração de especialistas, Metodologia de Exegese Bíblica, Paulinas, 2000

Veja também esse artigo, já publicado aqui no site: Como descobrir o texto original da Bíblia?

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