Uma janela sobre o mundo bíblico

Estou namorando um rapaz que é pastor e está exigindo que eu siga 1Timóteo 2,9-10, mas quero seguir meus costumes de pintar o cabelo. Não me acho errada... O que devo fazer?



  • Pergunta de Morais, Rio de Janeiro
  • 2953
  • 03/02/2014
Luiz da Rosa

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O texto da carta de Paulo a Timóteo citado por você fala do comportamento das mulheres. Os dois versículos que você citou dizem assim:

9. Quanto às mulheres, que elas tenham roupas decentes, se enfeitem com pudor e modéstia; nem tranças, nem objetos de ouro, pérolas eou vestuário suntuoso; 
10. Mas que se ornem, ao contrário, com boas obras, como convém a mulheres que se professam piedoras.

A nossa reflexão sobre as regras de comportamento já foi ampliamente difundida no site, com as várias respostas dadas (em particular, sobre o cabelo, leia essa resposta). Todavia é importante sublinhar que aqui Paulo está enfatizando a importância das boas obras e, provavelmente, recriminando uma ostentação das mulheres que era comum em certos ambientes frequentados por Timóteo e Paulo. Diante do exagero ele propõe o predomínio das boas obras. Se há boas obras, o exagero passa em segundo plano. Portanto, em si, está falando daquilo que se deve fazer - as boas obras - e não tanto como se deve comportar.

Comportamento entre pensamentos diferentes

A sua pergunta, mais do que uma busca da verdade sobre a mensagem divina, quer discernir como comportar-se, dentro de um casal que há ideias diferentes. Obviamente não se trata de uma simples ideia, mas de uma questão fundamental, visto que o seu namorado é pastor e provavelmente prega publicamente aquilo que pensa. Do outro lado está você, que penso tenha uma formação diferente, crescida dentro de uma cultura que não quer renunciar. Sinceramente penso que seja uma situação muito difícil.

A vida junto supõe renúncia de várias coisas e, muitas vezes, de ideias. Obviamente quem renuncia não é apenas uma das duas partes interessadas. Precisa existir solidariedade; cada um renuncia um pouco para chegar a um denominador comum. É claro que não estou dizendo que um casal precisa ser igual, idêntico. Quero sublinhar que a solidariedade é indispensável na vida a dois; cada um deve ceder e aceitar o outro.

Acredito que o amor de vocês é verdadeiro se todos os dois, em medida igual, estão dispostos a renunciar a alguma coisa, a aceitar, como seu, algo do outro. Se isso for uma estrada possível, vocês poderão viver juntos, caso contrário vejo pela frente um caminho muito tortuoso.

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