Uma janela sobre o mundo bíblico

Quando Deus manda matar?



  • Pergunta de Wagner Pereira de Almeida, Rio de Janeiro
  • 2762
  • 22/04/2014
Luiz da Rosa

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Deus nunca manda matar! Ele é Deus da Vida e, como diz João 10,10, veio ao mundo para que todos tenham vida em abundância.

Acontece que no Antigo Testamento há inúmeras passagens onde parece que Deus pede a morte de certas pessoas. Lembremos, por exemplo, da história do primeiro rei de Israel, Saul, que caiu em desgraça exatamente por não ter matado as pessoas que ele derrotou na guerra, pois, segundo o conto bíblico, era um preceito divino. Nós, lendo esses textos, pensemos que a morte era vontade de Deus. Invés não é assim!

Revelação de Deus na história

Não é fácil de entender isso. Primeiro de tudo temos que abrir a mente e perceber que Deus se revela na história. Isto é, os hebreus não sabiam logo no início da caminhada toda a história de Deus; foram descobrindo pouco a pouco. Poderíamos tomar o exemplo de nossas esposas ou maridos. No primeiro dia que nos conhecemos não soubemos imediatamente tudo um do outro. Se tivêssemos ficado naquele primeiro incontro poderia ter tido a impressão que ela pensava de um jeito, mas com o tempo a minha ideia sobre minha esposa foi mudando e hoje, depois de tantos anos de convivência, sei exatamente o que ela pensa. Fui descobrindo o que ela é aos poucos.

Foi assim que aconteceu a relação entre Deus e o povo hebreu. Eles descobriram aos poucos o que Deus pensava. No início imaginavam que matar os outros podia ser um mandamento divino. E até colocaram isso por escrito. Depois, invés, descobriram que não era possível, que Yahweh era Deus da vida e não da morte.

Portanto, a revelação divina aconteceu aos poucos e a história contada na bíblia narra esse processo, esse caminho de revelação que acontece com o passar do tempo, até chegar à descoberta total do pensamento divino em Cristo, que é a plena revelação da mensagem divina.

Como ler as histórias de violência do AT

Portanto, quando lemos histórias do Antigo Testamento onde aparecem contos de violência, às vezes justificados como vontade divina, devemos inserir no contexto dos primeiros encontros entre Israel e Deus, os primeiros passos do namoro, as primeiras impressões, sempre transmitidas do ponto de vista de um dos "namorados", os hebreus. É claro que o texto é inspirado, mas Deus não tem pressa, caminha devagar com o povo. Desvela a sua mensagem progressivamente, como um pedagogo que conduz pela mão a criança na arte da sabedoria.

A morte é decisão do homem

Deus escolhe sempre a vida e onde há morte existe a decisão humana. O ser humano tem o dom da liberdade e pode escolher entre a vida e a morte. Deus nos orienta, através da sua mensagem bíblica, dos ensinamentos das autoridades religiosas, mas somos sempre nós a termos a última decisão. Onde há morte é porque escolhemos uma estrada que não é aquela divina, escolhemos trilhar o pecado.

A morte nem sempre é resultado de uma escolha individual, mas pode ser fruto também de culpas coletivas, da qual participamos como ser humano.

A paixão de Cristo nos libertou dessa culpa eterna, dando-nos o dom da ressurreição.

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