Uma janela sobre o mundo bíblico

O Rico e o Lázaro - Para quem foi ministrada esta parábola? E quem os representam hoje?



  • Pergunta de MARCIA CAMACHO ARGOLLO, Rio de Janeiro
  • 5384
  • 23/05/2014
Ivete Holthmam

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O rico e o pobre Lázaro - Lucas 16,19-31

Esta história apresenta o tema da fidelidade dentro do contexto da Aliança. É um convite à conversão. Aqueles que não escutam (observam) “Moisés e os profetas” não compreendem nada do espírito da Aliança.

A Teologia apresentada nesta parábola é muito interessante porque mostra que a escuta-obediência da Lei e dos Profetas levam à salvação. Não se vê na história nenhum elemento cristão como arrependimento, redenção ou fé para alcançar a vida eterna. É muito provável que seja uma estória do próprio Jesus. Nas suas pregações a única fonte que dispunha era a Escritura e a tradição ensinada pelos sábios.

A estória tem dois temas principais. O primeiro é a inversão de lugar entre Lázaro e o rico no mundo futuro. A segunda contém a razão da parábola: não escutar Moisés e os Profetas.

Lázaro não recebe a salvação através do arrependimento ou aceitação da mensagem de Jesus ou porque tem fé, senão simplesmente porque é pobre e recebeu “o sofrimento” durante sua vida. O homem rico não foi condenado por ser rico também Abraão o era, mas porque não usou das riquezas (bênçãos) em favor dos pobres, como está escrito na Lei (Dt. 15,7-8; Is. 58,7; Pr. 14,31). Abraão está no céu porque soube escutar. Isso significa que não basta ser membro da Aliança para ganhar a vida eterna. O fundamental é a vivência prática dos mandamentos. Moisés representa a Lei, que com os profetas servem de base para a salvação. Lucas coloca a ênfase na importância de escutar, obedecer a palavra de “Moisés e dos Profetas”, ou seja, das Escrituras. Vê-se claramente que ele menciona a expressão duas vezes (vv 29 e 31). Este é o núcleo da parábola.

Estar perto de Deus depois da morte não vem por uma recompensa mecânica, mas, por uma decisão tomada nesta vida diante da obediência a Deus e ao mandamento do amor. (Dt. 6,4-10).Deus está à direita do necessitado (Sl 109,31), rejeitar o pobre significa rejeitar a Torá, e portanto, ao próprio Deus.

Na conclusão, o rico, do fundo do inferno, pede que Abraão mande de volta Lázaro do mundo dos mortos para o mundo dos vivos a fim de avisar como a coisa é do outro lado. Abraão responde: “se eles não escutam a Moises e aos profetas, mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos”.

Essa idéia, de alguém vir do mundo dos mortos para este mundo, o mundo dos vivos, a fim de dar algum recado, se chama uma intervenção do outro mundo neste mundo. É isso que ele pede, que o outro mundo intervenha nesse mundo através da volta de Lázaro. O autor faz Abraão responder: Eles têm Moisés e os profetas. Moisés = a primeira parte da Bíblia e os Profetas = a segunda parte da Bíblia. Em outras palavras, o que ele faz Abraão dizer é: Essa intervenção que você está pedindo já aconteceu. E se o rico perguntasse: “Quando é que aconteceu”, Abraão responderia: “Isso aconteceu no Monte Sinai quando Deus se revelou à humanidade sua Palavra através de Moisés”. Essa é a intervenção. E como é uma intervenção feita por Deus ela só pode ser única, não pode haver duas, não pode ser repetida. Ela é total.

     Quando se chega a esta idéia, de que no monte Sinai Deus fez esta intervenção na história humana revelando a sua Palavra. Chegamos àquilo que é central na Bíblia.

Se a Torah não for livremente assumida pelo ser humano, se o ser humano não a fizer sua pelo estudo e se ela não for praticada na ação No culto feito a Deus e na justiça social fundada no amor, o mundo não pode subsistir.

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