Uma janela sobre o mundo bíblico

Cidades bíblicas: Bersabéia



  • Estudo
  • 3588
  • 06/06/2014
Luiz Irineu Volpato

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Trabalhos do Curso de Especialização Estudos Bíblicos da Faculdade Católica de Santa Catarina (FACASC), sob a orientação da Professora Silvia Togneri.

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Também conhecida como Bersebá ou Berseba ou Beersheva ou Bersabéia (em português) está situada na região sul de Israel, no extremo norte do deserto de Negev.  Está a 115 km a Sudeste de Tel Aviv, 120 km a sudoeste de Jerusalém e 80 km ao norte de Cades. Está entre as rotas procedentes de Gaza para o Oeste, da Transjordânia para o Leste e do Negev para o Sul. Fica na principal via do centro ao norte do país, a Eilat. Está também na interseção de dois cruzamentos importantes: o caminho do mar (Via Maris) e a Estrada do Rei (A Rota do vale). A água flui abundante das colinas do Hermon no inverno e é armazenada no subsolo em grande quantidade. O principal rio é Nahal Beersheva. Be’er Sheva tem um clima semi-árido quente. Os verões são quentes e secos e os invernos, frios e chuvosos. As temperaturas são elevadas no verão, variando de 32,3ºC a 19,9º C e baixas do inverno (novembro a maio), com a temperatura entre 17,7º C a 8º C. Sua altitude é de 300 m acima do nível do mar Mediterrâneo.

Be’er Sheva significa, em hebraico “poço dos sete” ou “poço do juramento” e se originou com um pacto entre Abraão e Abimelec, rei de Gerar. De acordo com Gn 21,22-23,31, Abraão cavou um poço de água para o seu rebanho, fez um tratado de paz com Abimelec e os dois juraram lealdade um ao outro, fazendo um juramento. Para simbolizar sua posse do poço, Abraão plantou um tamarindeiro. Este lugar foi o berço do monoteísmo, segundo alguns. Gn 26 relata que Isaac refaz a caminhada de seu pai. De acordo com Gn 46,1, Jacó oferece sacrifícios em Be’er Sheva quando está a caminho do Egito. Em 1Rs 19,3, Elias passa por lá deixando seu servo. Ne 11,27.30 cita a cidade como local onde passaram a residir sacerdotes e levitas, após a destruição de Jerusalém.  Be’er Sheva tornou-se para Israel o lugar da fidelidade, do consolo, de paz e do repouso (1Rs 19,3). Na época dos Juízes, quando os filhos de Samuel foram juízes ali (1Sm 8,2), a terra era medida de Dã a Be’er Sheva. O rei Salomão mandou construir uma fortaleza em Be’er Sheva para vigiar a estrada que atravessava o deserto e permitia chegar às minas de cobre e depois para o porto de Eilat. Nesta antiga cidade Cananéia, se prestava culto ao Deus Eterno (Am 5,8; 8,14). Na época de Jesus, os Nabateus se instalaram nessa cidade.

A ocupação humana remonta a Idade do Cobre. Os habitantes viviam em cavernas, criavam gado e as ferramentas eram de metal. Os resultados descobertos no Tel Be’er Sheva (o Monte de Be’er Sheva), um sítio arqueológico localizado a cinco quilômetros da cidade, sugerem que a região foi habitada deste o quarto milênio a.C. Em uma das pedras lavradas que revestem o poço já citado, em 1874, Condor encontrou uma data indicando que haviam realizado reparos ali no século 12 d.C. A cidade foi destruída e reconstruída muitas vezes ao longo dos séculos. O Tel acima mencionado, contém as ruínas de uma cidade cercada por muralhas do período da monarquia israelita, identificada com a bíblica Be’er Sheva. É um Sítio do Patrimônio Mundial.

No período romano, o povoado se estendeu para a área de Be’er Sheva de hoje, e estava localizado no centro de Limes Palastinae, o sistema de defesa romana que ia de Rafah (Rafiach) ao Mar Morto, e que era constituído principalmente de fortalezas fronteiriças. Quando os romanos se converteram ao cristianismo, o lugar serviu de residência episcopal e várias igrejas foram construídas ali. Os cruzados constituíram um forte na cidade, mas quando este foi destruído, a cidade ficou abandonada por muito tempo.

A Be’er Sheva atual foi fundada pelos otomanos no início do século XX e foi a única cidade que os turcos construíram na terra de Israel. As ruínas de estruturas deste período e da época do Mandato Britânico podem ser vistas na Cidade Velha que fica no sul de Be’er Sheva. Estas incluem a casa do governador que foi construída em 1906; a estação de trem turca, construída durante a Primeira Guerra Mundial; a estação da casa do administrador; a torre de água, que fornecia água aos motores dos trens a vapor; a Saraya – A Casa do Governo (hoje estação de polícia); um jardim público e edifícios adicionais que contam a história da cidade sob o domínio turco.

A cidade judaica foi estabelecida em 1949. Ela se desenvolveu e se tornou o centro da área sul do país, hoje considerada a capital do Negueb. Apresenta muitos museus, um zoológico, sítios históricos, uma grande universidade de Israel e nas quintas-feiras, o famoso Mercado Beduíno. Outro centro importante é o Centro de Artesanatos Etíopes, onde são preservadas as tradições antigas como se praticavam em suas vilas de origem.

Durante o império Romano e depois Bizantino, a cidade serviu como uma defesa de primeira linha contra os Nabateus. Os últimos habitantes de Tel Beer Sheva foram os bizantinos, no século 7. Durante o período do Mandato Britânico da Palestina, Be’er Sheva foi um importante centro administrativo. Os britânicos construíram uma estrada de ferro entre Rafah e Bersabéia. O Plano de Partilha da ONU de 1947 incluiu esta cidade no território atribuído ao Estado árabe proposto. A população de 4000 habitantes era  principalmente árabe. O exército egípcio estava lá em 1948. Durante a guerra árabe-israelense em 1948, o primeiro-ministro israelense David Ben-Gurion ordenou a “conquista de Be’er Sheva, a ocupação dos postos avançados em torno dela e a demolição da maior parte da cidade”. Be’er Sheva foi considerada de importância estratégica devido à sua localização com um abastecimento de água confiável e uma importante encruzilhada, a noroeste de Hebron a Jerusalém, a leste com o Mar Morto e Al Karak, ao sul de Aqaba, a oeste de Gaza e sudoeste de Al-Auja e da fronteira com o Egito.

Na década de 1950, Be’er Sheva expandiu para o norte. A maioria dos judeus indianos emigrou para Israel. Estimados em 20 mil, eles foram fixados em Be’er Sheva. O Soroka Hospital abriu suas portas em 1960 e a Universidade de Negev foi criada em 1970. Hoje é a sétima maior cidade de Israel. O Fundo Nacional Judaico está financiando grandes projetos de reabilitação em Be’er Sheva. Um deles é o River Walk Be’er Sheva com 3,6 km, com espaços verdes, trilhas para caminhadas, uma sala de esportes de 3000 lugares, um lago com barcos de 15 ha, com água reciclada de resíduos, passeios, restaurantes, cafés, galerias, aluguel de barcos, anfiteatro de 12 mil lugares etc. Quatro novos Shoppings estão sendo planejados. Nos últimos dez anos, foram investidos cerca de 10.500 mil dólares na Cidade Velha, preservando prédios históricos e modernização da infra-estrutura. Em 2011, a prefeitura anunciou planos para transformar Be’er Sheva na “cidade da água” de Israel. Na década de 1990 a construção de arranha-céus começou. A cidade está passando por um grande boom de construção que inclui o desenvolvimento de elementos urbanos, tais como fontes de água e pontes bem como desenvolvimento ambiental com playgrounds e parques. Em dezembro de 2012, um plano para construção de 16.000 unidades habitacionais foi descartada em favor da criação de uma nova floresta urbana, com 1360 hectares para servir de pulmão verde. Sua população atual é de aproximadamente 210 mil habitantes.

Os maiores empregadores em Be’er Sheva são o Município, as Forças de Defesa de Israel, a Universidade Ben-Gurion e o Centro Médico Soroka. Numerosas indústrias eletrônicas e de produtos químicos estão localizadas ao redor da cidade. Um grande parque de alta tecnologia está sendo construído perto da Estação Ferroviária de Be’er Sheva . Uma das principais indústrias aeroespaciais de Israel está em Be’er Sheva. Um parque de alta tecnologia e três grandes zonas industriais estão localizadas aí. O Parque da Ciência foi concluído em 2008.

Na área cultural, Be’er Sheva é a base da Israel Sinfonietta, fundada em 1973. Ela tem desenvolvido um amplo repertório de obras sinfônicas. Na década de 1970, um memorial em comemoração aos soldados israelenses foi levantado na encosta nordeste da cidade. O teatro Be’er Sheva foi inaugurado em 1973. A Ópera Grupo Luz de Negev, de 1980, realiza musicais em inglês a cada ano. O Museu de Arte Negev, reaberto em 2004 e outros empreendimentos estão na cidade velha. Em 2009 o Centro de Informação foi inaugurado.

Be’er Sheva é o centro de transportes públicos do sul de Israel, servida de estradas, ferrovias e aeroporto. Está ligada a Tel Aviv pela Highway 40, com Ashkelon e a Faixa de Gaza pela Highway 25 e a Jerusalém pela Highway 60. No nível local, um anel viário parcial rodeia a cidade de norte e leste e estrada 406 (Rager Blvd. ) atravessa o centro da cidade de norte a sul. Várias estações rodo-ferroviárias movimentam a população urbana. Be’er Sheva está ligada a Tel Aviv e Eilat por um novo trem de alta velocidade misto de passageiros e mercadorias.

A cidade tem dois clubes de futebol. Be’er Sheva tornou-se um centro nacional de xadrez e lar de muitos campeões de xadrez da antiga União Soviética, sendo a cidade com mais mestres de xadrez em todo o mundo, inclusive sediando o campeonato mundial por equipes em 2005.  Tem também o segundo maior centro de lutas de Israel. Outros esportes como críquete e rúgbi tem clubes na cidade. Be’er Sheva é uma grande cidade e desenvolvida.

FONTES DE PESQUISA:

  • Apostila “Geografia Bíblica”, da Professora Sílvia Regina Nunes da Rosa Togneri.
  • BÍBLIA SAGRADA, 50ª edição. Petrópolis:Vozes, 2005.
  • PEREGO, Giácomo. Atlas Bíblico interdisciplinar, 2ª edição. São Paulo: Paulus; Aparecida: Santuário, 2011.
  • KAEFER, José Ademar. Arqueologia das terras da Bíblia. São Paulo: Paulus, 2012.
  • Wikipédia, a enciclopédia livre.
  • www.goisrael.com.br

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