Uma janela sobre o mundo bíblico

Cidades bíblicas: Belém



  • Estudo
  • 8504
  • 09/06/2014
Lurdes Agostini

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Trabalhos do Curso de Especialização Estudos Bíblicos da Faculdade Católica de Santa Catarina (FACASC), sob a orientação da Professora Silvia Togneri.

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1 HISTÓRIA

Belém, mais conhecida na região da Palestina como Bethlehem “Casa do Pão”, é uma cidade palestina localizada na parte central da Cisjordânia, com uma população de cerca de trinta mil pessoas. Localiza-se numa colina que fica a 170 metros do nível do mar, a 8 km ao sul de Jerusalém, a 24 km de Hebron e 110 km de Nazaré. Belém fica próxima às cidades de Beit Jala e Beit Sahour, assim como dos campos de refugiados de Aida e Azza.

Belém é, para a maior parte dos cristãos, o local onde nasceu Jesus de Nazaré, sendo habitada por uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo. A cidade também é terra natal do rei Davi, e o local onde ele foi coroado rei de Israel. Foi saqueada pelos samaritanos em 529 d.C., durante sua revolta, porém foi reconstruída pelo imperador Justiniano II. Belém foi conquistada pelo califado árabe de Omar (Umar ibn al-Khattãb), em 637, que garantiu a segurança para os santuários religiosos da cidade.

Em 1099 os cruzados capturaram e fortificaram Belém e trocaram seu clero ortodoxo grego por outro latino; estes, no entanto, foram expulsos depois que a cidade foi capturada por Saladino, sultão do Egito e da Síria. Com a chegada dos mamelucos, em 1250, as muralhas da cidade foram destruídas, sendo reconstruídas apenas durante o domínio do Império Otomano. Os otomanos perderam a cidade para os britânicos durante a Primeira Guerra Mundial, e ela foi incluída numa zona internacional sob o Plano de Partilha das Nações Unidas para a Palestina.

A Jordânia ocupou a cidade durante a guerra israelo-árabe de 1948, ocupação esta seguida pela de Israel, durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Atualmente, Belém é uma cidade estrangulada pelo muro de segurança israelense. Israel controla as entradas e saídas de Belém, embora a administração cotidiana esteja sob a supervisão da Autoridade Nacional Palestina desde 1995, após a realização dos acordos de paz de Oslo.

A população de Belém é constituída de cristãos e muçulmanos, que têm coexistido pacificamente durante a maior parte de sua história. Atualmente a população é majoritariamente muçulmana, mas a cidade ainda abriga uma das maiores comunidades de cristãos palestinos. O contingente de cristãos, que correspondia a cerca de 90% do total em 1948, tem decrescido drasticamente e hoje corresponde a 30%. Esse declínio é atribuído à falta de perspectivas da economia, dado que muitas famílias de agricultores cristãos perderam suas terras, para a construção de assentamentos judeus.

2 NA BÍBLIA

Belém foi identificada com a antiga Efrata (Gn 35,19-20; 48,7; Rt 4,11), e é chamada de Belém Efrata (Mq 5,1). Localizada na zona montanhosa de Judá, a cidade também era designada como Belém de Judá (Jz 17,7-9; Mt 2,5s; Sm 17,12), possivelmente para distingui-la de Belém de Zebulon (Js 19,15), e a “cidade de Davi” (Lc 2,4).

A cidade é mencionada pela primeira vez no Tanakh e na Bíblia como a cidade mais próxima ao local onde a matriarca abraâmica Raquel teria morrido, sendo então enterrada “no caminho de Efrata, que é Belém” (Gn 48,7). O túmulo de Raquel, segundo a tradição, encontra-se na entrada da cidade, sendo venerado por judeus. É em Belém que a história de Rute e Noemi se desenrola (Rt 1,19.22). De acordo com o livro de Rute, o vale a leste da cidade é onde Rute de Moabe respigou os campos e retornou à cidade com Noemi.

Belém é também tida tradicionalmente como a terra natal de Davi, o segundo rei de Israel (1Sm 16,1), sendo também o lugar onde ele foi coroado por Samuel (Sm 16, 4-13), e foi no poço da cidade que três de seus guerreiros pegaram à água levada a ele, quando teve que se esconder na caverna de Adulão. (Sm 23, 13-17). Ocupada, por algum tempo, pelos filisteus, foi fortificada por Roboão e repovoada quando da volta do Exílio.

Belém, lugar do nascimento de CristoBelém é mencionada por ser o local de nascimento de Jesus Cristo (Mt 2, 1-6; Lc 2,4-15; Jo 7,42), cumprindo-se a profecia messiânica: “E tu Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum o menor dentre os principais lugares de Judá. Porque é de ti que há de sair o Chefe, que há de pastorear o meu povo, Israel.” (Mq 5,1).

3 PERÍODOS ROMANO E BIZANTINO

Entre 132 e 135 a cidade foi ocupada pelos romanos, após ser capturada durante a Revolta de Bar Kokhba; seus habitantes judeus foram expulsos por ordens do imperador Adriano. Ainda durante o domínio romano da cidade, foi construído um templo ao deus grego Adônis, no local onde teria ocorrido a Natividade. Uma igreja foi construída no local em 326, quando Helena, mãe do primeiro imperador bizantino, Constantino, visitou Belém.

Durante a revolta samaritana de 529, Belém foi saqueada, e suas muralhas, assim como a Basílica da Natividade foram destruídas, sendo reconstruídas por ordem do imperador Justiniano. Em 614 o Império Sassânida invadiu a Palestina e capturou a cidade. Uma história ocorrida na época, descrita por fontes posteriores, afirma que os invasores se abstiveram de destruir a igreja ao ver os Reis Magos pintados com vestimentas persas num dos mosaicos.

Em 1099 Belém foi capturada pelos cruzados, que a fortificaram e construíram um novo mosteiro e um claustro no lado norte da Basílica da Natividade. O clero ortodoxo grego foi removido de suas sedes, e substituído por clérigos latinos; até aquele ponto a presença oficial cristã na região era ortodoxa grega. No dia 25 de dezembro de 1100, Balduíno I, primeiro rei do reino franco de Jerusalém foi coroado em Belém, e naquele mesmo ano um bispado latino também foi estabelecido na cidade.

Em 1187, Saladino, sultão do Egito e da Síria, liderou os aiúbidas que capturaram Belém dos cruzados. Os clérigos latinos foram obrigados a fugir, o que permitiu o retorno do clero ortodoxo grego. Saladino concordou com o retorno de dois padres e dois diáconos latinos, em 1182; a cidade, no entanto, sofreu com a perda do comércio gerado pelos peregrinos europeus.

Em 1229, Belém – juntamente com Jerusalém, Nazaré e Sídon, foram cedidas brevemente ao reino cruzado de Jerusalém por meio de um tratado entre o sacro imperador romano-germânico Frederico II e o sultão aiúbida Al-Kamil, em troca de uma trégua de dez anos entre os aiúbidas e os cruzados. O tratado expirou em 1239, e Belém foi recapturada pelos muçulmanos em 1244.

Em 1250, com a ascensão dos mamelucos ao poder, sob Rukn al-Din Baibars, a tolerância ao cristianismo diminuiu; os clérigos abandonaram a cidade, e, em 1263, as muralhas da cidade foram demolidas. O clero latino retornou a Belém no século seguinte e se estabeleceu no mosteiro ao lado da Basílica da Natividade. Os ortodoxos gregos receberam o controle da basílica, e partilharam o controle da “Gruta do Leite” com os latinos e armênios.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bel%C3%A9m_(Palestina). 11/11/2013 – 19h.

Belém, terra do nascimento de Cristo

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