Uma janela sobre o mundo bíblico

Hoje durante uma pregação ouvi a pregadora dizer que as mulheres dos tempos bíblicos juntavam as dracmas que ganhavam para fazer adornos no dia do casamento. quero saber até onde é verdade que uma pessoa venha usar moedas com valores financeiros como adornos há dois mil anos atrás.



  • Pergunta de Jaci, Camaçari / Ba
  • 16089
  • 15/06/2014
Odalberto Domingos Casonatto

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 Olá Jaci de Camaçari / BA!

De fato quando ouvimos está explicação para a Parábola da dracma perdida ficamos com dúvidas, pois estamos muito presos no texto bíblico, que não é uma mal, e que este texto da Parábola de Jesus da dracma perdida, esta junto com outras duas parábolas a da ovelha perdida e do filho pródigo, que nos falam da misericórdia divina. A parábola da dracma perdida , não chega aos detalhes do colar de dracma prata ou ouro para adornos. Assim o interesse primeiro não são os detalhes curiosos que envolvem a Parábola, no caso da dracma perdida, na mulher que juntava dracmas e fazia um colar com as moedas. Além deste fato ser apenas uma curiosidade, o texto não fala de colar de moedas feito com dracmas. Procurei uma resposta consultando a literatura que fala das cerimônias de casamento e dos costumes da época.

Do material que procurei consultar o que mais esclarece, é do autor austríaco Joaquim Jeremias no livro “As Párabolas de Jesus”. Este pesquisador nos deixou muitas informações sobre a Palestina no tempo de Jesus:

Na Parábola da dracma perdida as dez dracmas lembram, a quem conhece a Palestina o enfeite na cabeça, munido de moedas, das mulheres e que faz parte do dote de casamento e constitui sua posse mais preciosa e o seu dinheiro de emergência, e que nem sequer ao dormir se depõe; de fato nos escritos rabínicos se menciona que denários de ouro eram usados como enfeites. Então a mulher era muito pobre, pois dez dracmas constituem um enfeite modesto, comparado as centenas de moedas de ouro e prata,que hoje, no oriente, muitas mulheres usam como enfeite na cabeça” (Jeremias, pág. 137)

Concluindo:

O que a pastora diz com referência a parábola da mulher da dracma perdida, nem tudo esta incorreto. Comparemos com o estudo de Joaquim Jeremias: Fala que as mulheres juntavam dracmas para fazer um colar para enfeite no dia do casamento.

Na verdade estas moedas faziam parte do chamado “dote”, o pagamento que o noivo devia fazer ao Pai da noiva, conforme os costumes do Oriente. Além disso estas moedas indicavam que ela já tinha sido comprada em casamento, ali estava o sinal as moedas de ouro ou prata vindas do “dote”. Além do véu que cobriam o rosto, e praticamente elas eram proibidas de conversar com um homem na via pública.

A pastora fala em fazer adorno com as moedas. Esta correto, mas deveria ter o complemento, que estas moedas eram afixadas na cabeça e nem para dormir eram tiradas. Costume milenar, colar com moedas, como adorno nas mulheres.

Este costume de colocar moedas de ouro e prata, afixadas na cabeça é um costume milenar, existia antes do tempo de Jesus, em sua época continuava e as mulheres do Oriente hoje ainda usam.

Mas penso que o dado mais relevante da parábola não é na fixação na questão do colar de moedas de ouro ou prata, costume da época de Jesus, mas nos afixarmos no ensinamento da Parábola da misericórdia que vem junto cem duas outras. Deus Pai e estremamente misericordioso e atento as nossas necessidades.

Consulta:

JEREMIAS, Jeremias, As Parábolas de Jesus, Nova Coleção Bíblica, Paulinas, São Paulo 1983, pág. 137

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