Uma janela sobre o mundo bíblico

Cidades bíblicas: Betânia, onde moravam os amigos de Jesus



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  • 15/06/2014
Mac Arthur Carlos Teixeira Dutra

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Trabalhos do Curso de Especialização Estudos Bíblicos da Faculdade Católica de Santa Catarina (FACASC), sob a orientação da Professora Silvia Togneri.

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O presente estudo apresentará a Cidade de BETÂNIA sobre três aspectos:  geográficos, arqueológicos e históricos.

A - Geograficamente: a cidade de Betânia foi originalmente uma aldeia da antiga Judéia identificada com a aldeia de AL-Eizeriya, também denominada de Bariyeh ou Lazarriyeh1.
Pertenceu a Tetrarquia de Arquelau que antecedeu Herodes até 6 dC2, com clima dividido praticamente em duas estações: Quente e seco, variando de 320 a 350 graus no verão; Inverno frio e úmido com temperaturas de 50 a 100.
As chuvas sempre no inverno giravam em torno de 583mm cúbicos entre dezembro e março, podendo, num ano promissor, iniciar em outubro, no começo da semeadura e prolongar-se até a primavera, antes da colheita.
Em função da pouca quantidade de chuva havia necessidade do armazenamento de água em cisternas.

B – Arqueologicamente: foi descoberto, através de pesquisas arqueológicas, que em 37 a.C. a cidade de Betânia fazia parte do Império de Roma. Por motivo político foi cedida ao pequeno Império de Herodes, o Grande e era chamada de Betaneia3.

C - Historicamente: Para os pesquisadores bíblicos, a cidade de Betânia possui um grande valor histórico.
O grande questionamento feito até os dias atuais é o porquê Jesus trocou seu quartel general, ou seja, a cidade de Cafarnaum, ou mesmo Jerusalém, por uma cidade tão pequena, quase um vilarejo e sem nenhuma expressão política, econômica e cultural, para realizar tão grandes feitos como o retorno à vida de Lazaro4?

Por que teria levado seus discípulos para esta Cidade no momento de sua ascensão?  Seria porque esta cidade contava entre seus habitantes pessoas amadas e amigas como, Marta, Maria e Lázaro, ou seria seu refúgio preferido uma vez que contava com os amigos e era ideal para meditar?

Pela lógica a cidade escolhida deveria ser Jerusalém, pois lá se encontrava o templo de oração, local de ação de graças. Entretanto, infelizmente, o referido templo foi transformado num covil de ladrões, num lugar de opressão, um lugar de negociatas. Era um lugar de corruptos, perseguidores, exploradores, onde "aprisionaram" Deus, impedindo o povo de falar e fazer suas ofertas livremente.
Outro detalhe importante observado é que Jerusalém, através de seus líderes, procurava matar Jesus, impedindo-o de ensinar, de mostrar como Deus queria e deveria ser amado. Destarte, Ele encontrou em Betânia na casa de seus três amigos Lázaro, Marta e Maria um refúgio de amor. Jerusalém, terra onde deveria exercer seu ministério, teve os olhos e ouvidos fechados a seus ensinamentos, pois seus perseguidores eram obcecados pela lei.

Outro acontecimento em Jo 1, 19-28, descreve a cidade de Betânia como o lugar onde ocorreu o diálogo entre João Batista e os sacerdotes levitas. Nesta conversa os levitas queriam saber quem era João Batista. Este dá seu testemunho afirmando que não é o messias, que está apenas anunciando aquele que virá, e que deveria ser escutado pelas autoridades judaicas  (Jo 1,19-28)5.
Lázaro morre e Cristo e chamado pelas irmãs. Passado quatro dias ele chega a Betânia, consola Marta, encontra-se com Maria esta demonstra sua Fé ao falar “se estivesses aqui teu amigo não teria morrido6”. Seu choro comove Cristo e o faz chorar também demonstrando a profunda humanidade de Jesus7

Faz acontecer à própria ressurreição ao para que os incrédulos acreditem que ele e filho de Deus e tem poder sobre a morte e sobre a vida.

Em Betânia seis dias antes da Páscoa, na casa de Lázaro, foi oferecido um jantar a Jesus, por seus amigos. O fato marcante nesse momento não foi a refeição preparada por Marta e o jantar com Lázaro indicando que estava vivo  mas o recolhimento de  Maria aos pés de Jesus para com suas lágrimas lavar e enxugá-los com seus cabelos depois de ungi-los com um perfume precioso.  Prova concreta que tinha assimilado os ensinamentos do mestre amigo e faz a unção como antecipando o embalsamento de seu corpo que ocorreria por sua morte em Jerusalém.

Portanto, observa-se que Maria aproveitou a melhor parte, estava cumprindo o primeiro mandamento: “AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS”. Ouvia seus ensinamentos e olhando contemplava-o, ofertando o que tinha de melhor, parece que adivinhava que teria Jesus vivo perto por pouco tempo.

Neste mesmo capítulo, versículos 20-22, há ainda o relato do livro dos sinais quando André e Felipe falam com Jesus dizendo da vontade de alguns gregos de lhe verem8; passagem rica de detalhes mostrando o amor de Cristo pela família de Lazaro e a necessidade sua morte para que seja produzido muito fruto.
Segundo Lucas em Betânia ocorre outro acontecimento de grande relevância, a própria ascensão do filho de Deus aos céus. Ele toma seus apóstolos leva a Betânia depois de abençoá-los (gesto que ele estaria abençoando sua Igreja) foi elevado aos céus (Lc 24, 50-53)9.

 

CONCLUSÃO

Das viagens de Jesus à Betânia, restou claro o seu lado humano e divino e, também, o amor por seus amigos, Lázaro e suas irmãs Marta e Maria.

Também é possível concluir que naqueles tempos já havia a compreensão do primeiro mandamento da Lei de Deus que se reflete até os dias atuais, ou seja: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS.

Ficou nítido para Maria e talvez a primeira a compreender que não era importante os bens materiais. Ao recolher-se a seus pés para lavar-lhes e enxugá-los com seus cabelos, mostra toda sua humildade e amor. Ao derramar sobre seu senhor um perfume precioso de Nardo para se sentir digna de poder olhar, ouvir, contemplar o filho de Deus e, assim, poder sugar o supra-sumo do seu amor, como adivinhando o pouco tempo em sua companhia. De fato poucos dias depois seria morto em Jerusalém. Jesus ao mesmo tempo em que aceita este gesto de louvor, de ação de graças repreende seus apóstolos e Marta por seu apego a coisas materiais, enquanto deveriam preocupar-se pelo amor a Deus sobre todas as coisas.  
  O lado humano de Jesus fica evidente quando chora ao ver as lágrimas de Maria pela morte de seu irmão e amigo; Ele expressa seu amor pelo homem, amor de amigo que nasce de sua própria condição humana. Em Jesus, o carinho de Deus transforma-se em solidariedade de homem. Deus está em “o homem10”.

Já o lado divino do mestre se observa quando toma seus discípulos e leva-os à Betânia para acompanharem sua ressurreição. Por fim, o ato de abençoá-los e elevar-se aos céus é o fator mais relevante da passagem de sua vida pela Terra, quando completa-se a obra da criação de Deus.

Enquanto esteve com seus amigos Ele deu ênfase sobre o AMOR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, mandamento este a ser seguido, para que a humanidade vestida com vestes núpcias seja digna de escutar, de falar, enfim de glorificar Deus a cada momento, desde a eucaristia até atos do dia a dia, a fim de que seja fonte de água e alimento no banquete sagrado e, também, fonte de Sabedoria e Inteligência.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Jerusalém – São Paulo: Paulus, 1973
Bíblia Sagrada Ave Maria, edição de estudos.  – São Paulo: Ed. Ave Maria. 3ª edição, 2012.
KAEFER, José Ademar.  Arqueologia das terras da Bíblia.  São Paulo: Paulus, 2012.
MATEOS, Juan, S.J., O Evangelho de São João  -  São Paulo :  Paulus, 1999.
PEREGO, Giacomo. Atlas Bíblico Interdisciplinar, escritura, história, geografia, arqueologia, teologia. Tradução de Rômulo Cândido de Souza. Aparecida – SP: Santuário; São Paulo: Paulus, 2001.

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1 (significa lugar de “Lázaro”)
2 Perego, Giacomo. Atlas Bíblico Interdisciplinar, escritura, história, geografia, arqueologia, teologia. Tradução de Rômulo Cândido de Souza. Aparecida – SP: Santuário; São Paulo: Paulus, 2001.
3 Kaefer. José Ademar. Arqueologia das Terras da Bíblia. São Paulo: Paulus. 2012, p. 55.
4 Bíblia Sagrada, edição de estudos.  – São Paulo: Ave Maria. 3ª edição, 2012. Jo, 11.11. “O sinal da ressurreição e da vida” p. 1707.
5 Bíblia Sagrada, edição de estudos.  – São Paulo: Ed. Ave Maria. 3ª edição, 2012. Nota 1,19-28. Testemunho Indireto  e 1,29-30 Testemunho direto. p.,
6Bíblia Sagrada Ave Maria. 3ª edição, 2012. Nota Jo.11,32. p.1708
7 Op. Citada. Nota 11,33-40. A profunda humanidade de Jesus. p.1708
8 Bíblia Sagrada, edição de estudos.  – São Paulo: Ed. Ave Maria. 3ª edição, 2012.  Jo. 12, 8-20;2023 – A unção de Betânia e Conclusão do livro dos Sinais
9  Bíblia de Jerusalém – São Paulo: Paulus.  1973. Lc. 24, 50-52 - Ascensão. O evangelho de Lucas termina no templo em Jerusalém.
10 MATEOS, Juan, S.J. O Evangelho de São João : análise lingüística e comentário exegético; [tradução Alberto Costa]. – São Paulo: Paulus, 1999 – (Coleção Grande Comentário Bíblico).

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