Uma janela sobre o mundo bíblico

Qual e a primeira grande tradução da Bíblia e por quem foi feita?



  • Pergunta de Silvana, [email protected]
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  • 25/09/2009
Luiz da Rosa

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A primeira tradução da Bíblia foi feita em grego e é dita LXX (Setenta), ou Septuaginta, realizada por 70 anciãos de Jerusalém em Alexandria, no Egito. Trata-se, porém, de uma tradução somente do Antigo Testamento, pois foi feita ainda antes de Cristo: uma tradução do hebraico ao grego. De fato o Antigo Testamento foi escrito em hebraico.



Nós conhecemos a sua história graças sobretudo à conhecida Carta de Aristeia. Esse texto narra como Demétrio Falero, bibliotecário da famosa biblioteca de Alexandria, no Egito (fundada em 331 antes de Cristo por Alexandre Magno), pediu que fosse dada uma cópia da Lei dos judeus para a sua biblioteca, que era muito famosa e possuía 700.000 volumes. É importante sublinhar a influência que os judeus tinham em Alexandria, no terceiro século antes de Cristo, no tempo dos Ptolomeus. Dos 5 quarteirões da cidade, dois eram habitados por eles. E, do ponto de vista legal, os hebreus formavam uma entidade autônoma, governada por um etnarca, com o próprio tribunal.

Não sabemos bem quando começou a tradução da Bíblia Hebraica. Alguns dizem que isso aconteceu quanto, em 275 antes de Cristo, Ptolomeu II Filadelfo decidiu reformular o sitema jurídico do estado, englobando nele as legislações das etnias menores. A verdade é que o rei acolheu o pedido do bibliotecário e fez o pedido ao Sumo Sacerdote de Jerusalém, que enviou 72 anciões, 6 de cada tribo, encarregados de fazer a tradução. Cada um dos tradutores começou o trabaho e, no final, produziram uma versão idêntica da Torá (o Pentateuco) em grego. Os outros livros foram traduzidos sucessivamente.



Essa tradução é tão importante que muitas vezes se discute até mesmo sobre a sua inspiração, ou seja, alguns retém que o seu texto seja inspirado por Deus (Justino, Irineu, Clemente de Alexandria, Cirilo de Jerusalém e, recentemente, P. Benoit, P. Grelot). Os argumentos para tal tese são:

1) A versão grega é uma direta e providencial preparação à composição do Novo Testamento em grego;

2) Diversas passagens da LXX não são simplesmente uma tradução, mas representam um progresso e uma evolução do texto hebraico;

3) Alguns textos do original hebraico se perderam e os conhecemos apenas na versão grega.



Apesar desses argumentos eloquentes, existem muitas exegetas que pensam que é exagerado defender a inspiração da LXX. As diferenças de textos entre o grego e hebraico, segundo esses exegetas, deve simplesmente ser tratada como uma questão de crítica textual.



A LXX, no tempo de Cristo, era uma das versões que existia à disposição. Havia também o texto hebraico e ainda o Targum (Targumim no plural), que é a tradução (texto também parafraseado) em aramaico da Bíblia hebraica, do Antigo Testamento.



Uma tradução importante foi feita por Jerônimo, no século IV: a Vulgata. É a tradução de toda a Bíblia em latim, feita sob encomenda do Papa Damaso I para ser o texto oficial da Igreja. De fato, este texto se tornou, até o Concílio Vaticano II, o texto usado na liturgia da igreja católica. Esse texto suplantou outras versões latinas (Vetus latina) existentes então, que não tinham um caráter oficial.



Em português, a primeira tradução foi feita por João Ferreira de Almeida, em 1753.


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