Uma janela sobre o mundo bíblico

A qual igreja se referiu Jesus quando disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela? E quantas igrejas ja existiam no momento em que Jesus falou?



  • Pergunta de Carlos Correia Filho, Aracaju
  • 8523
  • 06/08/2014
Luiz da Rosa

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A "igreja" como a entendemos nós nasceu depois de Cristo. A comunidade no tempo de Cristo era aquela dos judeus, que os apóstolos e o próprio Jesus frequentavam. Depois da morte de Cristo, como narrado no livro dos Atos dos Apóstolso, os seguidores de Cristo começam a criar autonomia e reunir-se de forma separada dos judeus. A igreja dos apóstolos é a que chamamos de Igreja Primitiva. Dela todos nós somos herdeiros e nela todos nós colocamos nossas raízes.

 

A palavra de Jesus a Pedro

O texto que você menciona se encontra em Mateus 16,18:

Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela.

Primeiro de tudo é necessário partir da constatação que quando Meteus escreve, a cerca de 40 anos depois da morte de Cristo, a comunidade cristã já existia de forma autônoma. Por isso, falando de futuro dos cristãos, Mateus com certeza tem em mente a comunidade já existente.

Nos evangelhos a palavra "Igreja" aparece somente 2 vezes, nesse texto e em Mateus 18,17 (2 vezes):

Caso não lhes der ouvido, dize-o a Igreja. Se nem mesmo a Igreja der ouvido, trata-o como gentio ou publicano.

Muitas outras passagens no Novo Testamento falam de "igreja", seja em Atos, em Paulo e no Apocalipse.

O sentido geral é aquele vindo da tradição dos judeus, ou seja, de comunidade, de assembleia. E a mensagem que Jesus quer transmitir com a passagem mencionada é que a verdadeira igreja, aquela que não será perturbada pelo inimigo, é a igreja que segue atentamente a mensagem de Cristo. Essa será perturbada, não vacilará, mas será como uma realidade construída solidamente, apoiada sobre alicerces profundos.

 

Divisões na igreja

Hoje vivemos no meio de tantas igrejas e gostaríamos de saber qual é aquela autêntica, aquela que se aproxima mais da "Igreja primitiva", das origens. As divisões são históricas e nasceram já muito cedo na igreja, embora nos últimos tempos se têm multiplicado.

Todos nós nos dizemos discípulos de Cristo, mas pensamos a mensagem de Jesus de forma diferente, seguimos rumos diferentes. É uma coisa muito grave, pois é como se o próprio Cristo estivesse dividido. É algo que contradiz de forma evidente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como lembrou o famoso documento Unitatis Redintegratio.

 

Que todos sejam um

Esse escândalo fica palese ao lermos João 17, a oração que Jesus faz. No versículos 20-21 Ele diz: "rogo pelos que crerão em mim: a fim de que todos sejam um". Somos todos chamados à unidade, pois a primeira igreja foi aquela criada por Cristo, unida, expressão da unidade existente entre o Pai e o Filho.

Nós cristãos, justificados no batismo pela fé, somos todos incorporados a Cristo e, então temos o direito de sermos honrados como cristãos e reconhecidos como irmãos no Senhor. Do meu ponto de vista todos aqueles que acreditam nesse princípio estão no bom caminho.

O caminhar juntos não supõe unidade de pensamento. O Ecumenismo não obrigada que todos pensem do mesmo modo, mas que estejam dispostos a escutar e abandonar a presunção de ser a igreja original. Enquanto estivermos desunidos a primeira igreja, fundada por Cristo, não existe mais, pois ela foi criada para ser "una", como são um o Pai e o Filho e o Espírito Santo.

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