Uma janela sobre o mundo bíblico

Porque Israel rejeitou os Profetas? Onde está escrito?



  • Pergunta de Debora, Ipatinga
  • 4647
  • 21/02/2010
Luiz da Rosa

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O profetismo é parte inerente de Israel, do mundo bíblico. Os profetas acompanharam Israel nos diversos acontecimentos que constituem a história sagrada. E também no Novo Testamento encontramos referências aos profetas do Primeiro Testamento além de passagens que falam de profetas dentro da comunidade cristã. O judaísmo rabínico e Qumran veem os profetas como aqueles que revelam a vontade divina, presente na Torah, na Lei. Os profetas revelaram a Lei de Moisés, mediante a força do Espírito Santo. Portanto não é correto dizer que Israel rejeitou os profetas. Às vezes tal afirmação pode até representar um resquício de anti-semitismo. É verdade que mais tarde, no judaísmo rabínico, nasceu uma opinião que o Espírito Santo tivesse parado de agir, como força profética, depois de Ageu, Zacarias e Malaquias. A força profética tornaria, segundo essa corrente do judaísmo, no fim dos tempos, culminando com a vinda de um profeta símile a Moisés (Conferir 1Macabeus 4,46; 9,27; 14,41 e textos de Qumram: 1QS 9,11; 4Qtestimonia). Para os cristãos essa esperança na vinda de um profeta como Moisés se realiza com Jesus (veja Atos dos Apóstolos 3,22; 7,37). Tal fé cristã, obviamente, não coincide com o judaísmo, que não crê em Jesus como o Messias. Como veremos no último parágrafo, não é raro que o profeta seja rejeitato, mas é uma situação temporária e não uma questão de princípio

Profeta é um termo grego (prophetes – verbo propheteuo) e significa basicamente “anunciar”, falar em nome (de Deus). O grego, a Setenta, traduz a palavra hebraica “nabi”, cujo significado é “aquele que é chamado”. O termo profeta, com o qual é nomeado por exemplo Habacuc, Jeremia, no início não era muito amado. Isaías, por exemplo, normalmente não é chamado de profeta no seu livro (exceto nos capítulos 36-39); Amós diz que não é um profeta (veja 7,14). Provavelmente Isaías e Amós nos mostram que existiam profetas que tinham esse título, como uma profissão, mas não necessariamente possuíam o carisma divino. De fato Amós sublinha que por profissão era um pastor. A partir de Jeremias os profetas escritores começaram a ser chamados com esse títolo.

Outro elemento importante é que aquilo que conta no profetismo não é tanto o profeta em si, mas a sua mensagem. Diante da mensagem que precisa ser anunciada, a pessoa do profeta passa em segundo plano, pois o profeta é, primeiro de tudo, mensageiro de Deus. É por isso que encontramos tanto frequente a expressão “assim diz o Senhor”.

Os profetas não tiveram vida fácil. A sua mensagem era como uma espada e provocava tormento. Nesse sentido poderíamos dizer que eles foram muitas vezes rejeitados. Jesus, por exemplo, não foi aceito na sua terra (“não é esse filho de José”) e até mesmo ironizado (“médico, cura a ti mesmo “). Essa rejeição é narrada por Lucas, na perícope do capítulo 4, nos versículos 21 a 30. A reação dos habitantes de Nazaré é violenta: rejeitam Jesus e seu programa de libertação, tentando matá-lo, jogando-o de um precipício. Contudo é impossível bloquear o processo de libertação. De fato Lucas escreve: “Jesus, todavia, passando entre eles, continuou o seu caminho” (Lucas 4,30).

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